Uma caminhada com cerca de três quilômetros pode contar boa parte da história de Blumenau. Saindo do início do Centro Histórico da cidade até o imponente prédio da prefeitura, o trajeto é um passeio não apenas por alguns dos principais pontos turísticos da cidade da Oktoberfest, como também pela essência da colonização. Um simples passeio de um dia pela região, que conta com atrações totalmente gratuitas, é suficiente para o visitante se sentir nos primórdios da Colônia Blumenau.
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Igreja do Espírito Santo
O passeio pelo coração de Blumenau começa na Igreja do Espírito Santo, um verdadeiro monumento. Construída a partir de 1868, ela foi a primeira igreja luterana que se tem registro no Vale do Itajaí. Projetado em arquitetura neogótica por Heinrich Krohberger, o templo foi inicialmente entregue sem uma torre, que só viria a ser finalizada na década de 1920. Além de uma beleza de encher os olhos (fruto de uma revitalização recente que custou mais de R$ 7 milhões), a pequena igreja guarda um órgão de tubos que lá está desde 1933, um verdadeiro tesouro em pleno Centro Histórico de Blumenau.
Cemitério com figuras ilustres e históricas no Centro Histórico
No lado externo da Igreja do Espírito Santo, ainda há um grande cemitério que é um verdadeiro museu a céu aberto em Blumenau. Lá, estão sepultadas figuras importantes como Fritz Müller, naturalista que ajudou Charles Darwin a comprovar a Teoria da Evolução, até o Gustav Butzke, blumenauense que é uma das vítimas do primeiro acidente aéreo da história do Brasil.
A entrada tanto na igreja quanto no cemitério é gratuita.

Rua das Palmeiras
O nome oficial é Alameda Duque de Caxias, mas ninguém conhece ela assim. Uma das ruas-cartão-postal de Blumenau, a Rua das Palmeiras marca a entrada do Centro Histórico da cidade. Primeira via projetada da Colônia Blumenau, aberta originalmente em 1852, ela recebeu o plantio de palmeiras imperiais em 1876 – em uma clara alusão ao paisagismo europeu que já tinha influência naquele período. Ela tem menos de 300 metros de extensão e pode render boas fotos em um dia bonito de sol.
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Museu da Família Colonial
Ao fim da Rua das Palmeiras está um dos museus que guarda a história do período da colonização de Blumenau. O espaço é uma verdadeira casa-museu de uma residência construída na década de 1860, onde, inclusive, morou o sobrinho de Dr. Blumenau, Victor Gaertner. Com quase seis décadas de história, o museu mantém viva a memória e a herança dos colonizadores, com móveis, objetos, trajes e detalhes que expõem como era a vida daqueles que vieram da Europa para Blumenau séculos atrás.
O ingresso para acessar o museu custa apenas R$ 12 e pode ser comprado na hora.

Cemitério dos Gatos
Aos fundos do Museu da Família Colonial, em Blumenau, fica o Horto Florestal. Lá, está um dos pontos turísticos mais curiosos da cidade: o Cemitério dos Gatos. O espaço foi criado por Edith Gaertner, sobrinha-neta de Dr. Blumenau e a última proprietária da casa.
Apaixonada pelos felinos, que eram os fiéis companheiros dela durante toda a vida, ela sempre organizava verdadeiros rituais fúnebres e de sepultamento quando eles morriam, criando aos fundos da residência um verdadeiro cemitério. Após a morte de Edith, a prefeitura assumiu o espaço e manteve os cuidados com o Cemitério dos Gatos, tornando-o parte do complexo que vai do museu à antiga prefeitura.

A “Prefeitura Velha” de Blumenau
No prédio histórico que alguns moradores chamam de “Prefeitura Velha” está a Fundação Cultural de Blumenau. O apelido carinhoso não é por acaso, afinal foi ali que ficou a administração municipal até 1982, quando o novo prédio ao fim da Beira-Rio foi erguido.
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O imóvel foi inaugurado em 1875 e ampliado em 1939. Em 1958, sofreu um grande incêndio que destruiu boa parte do Arquivo Histórico da cidade. Apesar de todos esses percalços da história, se mantém imponente exatamente na entrada da cidade, dando as boas-vindas aos visitantes que chegam por aqui.

Museu da Cerveja
Blumenau tem uma história com a cerveja que vai muito além da Oktoberfest e remonta ao início da colonização. Por conta disso, em 1996, foi criado o Museu da Cerveja justamente na praça marcada pela chegada dos primeiros imigrantes à região. Hoje reformulado e concedido à iniciativa privada, ele guarda peças que eram usadas para a fabricação artesanal pelos colonos, balanças, moedores e malte, entre outros objetos rústicos que faziam a cerveja do passado.
Os ingressos custam R$ 40. Na alta temporada, o preço sobe.

Passeio pela histórica Rua XV de Novembro
A história da Rua XV de Novembro se confunde com a própria história de Blumenau. Traçada na década de 1850 logo após a chegada dos primeiros imigrantes, a via foi ganhando corpo ao longo dos anos e se consolidando como principal vitrine da economia da cidade, além de ter sido o quintal de casa de muitos comerciantes que ali desenvolviam suas atividades. Em 1903, serviu de passagem para o primeiro automóvel da cidade e guardou, por muitos anos, o coração da Colônia. Nela, há prédios históricos e monumentos que contam o legado de Blumenau:
Teatro Carlos Gomes
Projetado pelo arquiteto alemão Erwin Brunner, o prédio do Teatro Carlos Gomes começou a ser construído em 1935, com a primeira parte sendo entregue à comunidade em 1939 — ano em que a Sociedade Teatral Frohsinn muda oficialmente o nome para o atual. Com quatro palcos giratórios que comportam até 1.170 pessoas na plateia, o espaço em vias de revitalização é um dos mais respeitados do Sul do Brasil. Com uma linda praça em frente e casa de grandes eventos de Blumenau, o Teatro Carlos Gomes é, além de um grande centro cultural, um ponto turístico.
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Catedral São Paulo Apóstolo
Impossível deixá-la de lado. Maior cartão-postal de Blumenau, com uma imensa torre que abriga três sinos, a Catedral São Paulo Apóstolo é um ponto não apenas religioso, como também turístico. Sede da Igreja Católica em Blumenau, ela tem uma imponente escadaria que leva ao templo, inaugurado em 1958. Com pedras em granito vermelho, a estrutura foi construída com apoio da comunidade que doou dinheiro para que as obras pudessem ser finalizadas.
É local obrigatório para fotos durante um passeio pelo Centro Histórico de Blumenau.

Prédios históricos
A Rua XV de Novembro em Blumenau é até hoje a sede de prédios importantes com mais de um século de história (ou quase isso). Eles têm características singulares e, mesmo em meio ao frenesi a via famosa do comércio de Blumenau, ainda se mantêm imponentes. Muitos deles, inclusive, são tombados como patrimônio histórico:
- Museu de Hábitos e Costumes (nº 25), foi sede do comércio de Gustav Salinger, empresário que hoje dá nome ao maior prêmio de empreendedorismo de Blumenau.
- Casa das Louças (nº 667), cujo imóvel foi construído por volta do ano 1900 carrega consigo um peso histórico gigante. Foi tombado como patrimônio histórico em 2000.
- Ótica Husadel (nº 801). O prédio foi construído em 1895 e até hoje tem uma beleza singular em pleno coração da Rua XV de Novembro.
- Castelinho da Moellmann (hoje, Havan). O que hoje é sede de uma megaloja de departamentos já foi, no passado, a Casa Moellmann, construída em 1978. A obra é uma réplica da prefeitura de Michelstadt, na Alemanha.
Confira a lista completa de imóveis históricos da Rua XV de Novembro neste link.
A nova prefeitura
As obras do prédio da prefeitura “nova” começaram em meados de 1980. A estrutura em si foi entregue à cidade oficialmente em 2 de setembro de 1982. Com 10,5 mil metros quadrados, a arquitetura do imóvel do poder Executivo foi inspirada em construções alemãs no estilo enxaimel. Por muitos anos, foi sede tanto da prefeitura, como também da Câmara de Vereadores (que ficava lá dentro, acredite). Hoje, é um dos lugares mais fotografados de Blumenau e simbolicamente termina a área compreendida na cidade como o Centro Histórico.
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E aí, curtiu o passeio pelo Centro Histórico de Blumenau?


