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O que se sabe sobre as novas variantes de coronavírus detectadas em SC

Casos das cepas XQ e da BA.2.12.1 foram identificados em Joinville e Florianópolis

05/06/2022 - 05h00

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Gabriela
Por Gabriela Ferrarez
Potencial de transmissibilidade e gravidade da variante ainda é avaliado pela Dive
Potencial de transmissibilidade e gravidade da variante ainda é avaliado pela Dive
(Foto: )

O governo de Santa Catarina divulgou nesta sexta-feira (3) que duas novas variantes foram identificadas no Estado. Em Florianópolis, uma mulher foi diagnosticada com a cepa XQ e, em Joinville, uma pessoa teve a BA.2.12.1 — as duas são subvariantes da Ômicron.

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O Diário Catarinense fez um levantamento sobre o que se sabe sobre essas cepas. Confira abaixo:

A variante XQ

Florianópolis confirmou nesta sexta-feira (3) o primeiro caso da variante XQ do coronavírus, em uma mulher de 32 anos, moradora da Capital que teria viajado para Brasília no mês de maio. O potencial de transmissibilidade e gravidade da variante ainda é avaliado, segundo o superintendente da Diretoria de Vigilância Epidemiológica do Estado (Dive), Eduardo Macário.

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A Fiocruz não encontrou evidências de que a variante XQ esteja associada a uma maior gravidade dos casos. Isso porque parte da população está vacinada e também já foi exposta a infecções prévias. Mas segundo a Fiocruz, é necessário monitorar a evolução dos casos.

— Ainda temos poucos dados genômicos disponíveis de abril e maio. O genoma da cepa XQ apresenta um trecho do código genético da linhagem BA.1 da variante Ômicron e um trecho da linhagem BA.2. São duas linhagens de uma mesma variante de preocupação, por isso, precisamos monitorar o que vai acontecer — ressalta a pesquisadora do Laboratório de Vírus Respiratórios e do Sarampo do Instituto Oswaldo Cruz (IOC/Fiocruz), Paola Resende.

Em janeiro de 2022, a circulação simultânea de duas variantes do Sars-CoV-2, Delta e Ômicron, foi registrada em diversos países. A partir daí que começaram a ser identificados casos de recombinação genética do coronavírus. 

Ainda no início do ano, cientistas consideraram uma combinação entre as duas cepas, popularmente chamada de “Deltacron”. No entanto, por meio do monitoramento genético global, foram identificadas múltiplas combinações genéticas entre variantes e linhagens do vírus, que passaram a ser nomeadas com a letra X.

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Segundo Resende, é comum que os estudiosos sobre o assunto sejam surpreendidos. 

— O coronavírus tem trazido surpresas a cada momento. A recombinação pode ocorrer quando uma pessoa é infectada simultaneamente por duas linhagens. Nessa situação, durante o processo replicativo do vírus pode acontecer a montagem de um genoma com pedaços do código genético de diferentes linhagens. Essa recombinação pode resultar em cepas com potencial de disseminação maior, menor ou igual às linhagens originais — explica a cientista.

A variante BA.2.12.1

A cepa foi identificada em abril pelo Departamento de Saúde do Estado de Nova York, que estimou transmissibilidade 27% maior do que a BA.2, subvariante da qual ela é derivada. Segundo o O Globo, em dois meses, a cepa foi responsável por 47,5% dos novos casos nos Estados Unidos, e 73% dos de Nova York, estima Centro de Controle e Prevenção de Doenças do país (CDC).

Na cidade do Rio de Janeiro, quatro casos da subvariante foram detectados pelo processo de vigilância genômica da rede de saúde integrada Dasa, em abril. A linhagem também foi identificada por pesquisadores da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG). em Belo Horizonte. 

Em coletiva nesta sexta-feira (3), o superintendente da Diretoria de Vigilância Epidemiológica de Santa Catarina (Dive), Eduardo Macário, confirmou que uma moradora de Joinville, norte do Estado, foi infectada com a subvariante. 

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Apesar de o número de mortes não ter acompanhado o de casos causados pela cepa, o virologista da Dasa, José Eduardo Levi, alerta que a subvariante pode ser responsável por uma nova onda de casos. 

— Os casos no Rio foram detectados a partir de amostras coletadas em abril. No sequenciamento do mês, a gente identificou a maioria, cerca de 90%, de BA.2, uma parte ainda de BA.1 e, pela primeira vez, casos da BA.2.12.1. Hoje é difícil saber se o que está acontecendo nos Estados Unidos, que vive uma nova onda, vai acontecer aqui também, mas há essa possibilidade — explicou Levi ao Globo.

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Além disso, a preocupação da Organização Mundial de Saúde (OMS) é a capacidade de reeinfecção pelas subvariantes da Ômicron. 

Uma teoria acredita que a subvariante teria uma capacidade “substancial” de escapar dos anticorpos produzidos tanto pela vacinação como pela infecção prévia, mesmo naquelas de outras sublinhagens da Ômicron, como a BA.1 e a BA.2. A informação é de um estudo de pesquisadores israelenses, que ainda está em análise na plataforma de pré-prints (pesquisas ainda não revisadas por pares). O alvo desse estudo foram as cepas BA.2.12.1, BA.4 e BA.5.

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