nsc
dc

Tóquio

Olimpíadas: O surfe na crista da onda

Vitória de Ítalo Ferreira em Tóquio trará ainda mais visibilidade para a modalidade, mais compreensão e aprendizado para nós. O momento é ideal para a formação de novos campeões

31/07/2021 - 07h00

Compartilhe

Chico
Por Chico Lins
Everton
Por Everton Siemann
italo-ferreira-surfe-olimíada-toquio
Ítalo Ferreira dropando a onda rumo à medalha de ouro na bateria final dos Jogos Olímpicos
(Foto: )

O surfe brasileiro viveu uma madrugada de paixão nacional na última terça-feira, dia 27 de julho. Nossos dois melhores surfistas, Ítalo Ferreira e Gabriel Medina, entraram nas águas – não tão cristalinas – da praia de Tsurigasaki para brigar por medalhas para o Brasil.

> Receba as principais notícias de Santa Catarina pelo Whatsapp

Apesar de termos um litoral com 7.491 quilômetros de extensão e hoje sermos uma potência na modalidade, não somos um país de entendidos em surfe. Mas a presença da modalidade no cardápio olímpico pode acelerar nosso interesse e compreensão desse esporte tão bacana e radical.

O caminho parece ser longo e ainda temos muito o que aprender. O que vimos nas redes sociais foi uma espécie de “futebolização” do surfe, com direito a críticas aos juízes e aquelas velhas e boas teorias de conspiração clubísticas. O fato de não valorizarmos o adversário também faz parte da nossa cultura.

> Veja as últimas notícias sobre os Jogos de Tóquio

Esquecemos que do outro lado existe preparação, luta e os mesmos sonhos de chegar ao topo. Confundimos favoritismo com a obrigação de ganhar. No alto rendimento, a vitória e a derrota podem estar separadas por centésimos de segundos ou por um décimo em uma nota de um juiz.

> Olimpíadas: O que podemos esperar do Brasil em Tóquio

Não podemos cair na tentação de justificar nossas derrotas apenas pela atuação de um juiz. O argumento é frágil. Isso não quer dizer que o julgador não possa falhar. Falha sim, e os dois jornalistas que assinam o texto sofreram com isso na época de atletas, assim como ambos falharam.

> Navio, viagem de um mês e corrida descalço: a façanha de um catarinense na Olimpíada de 1932

O surfe é muito praticado e apreciado pelos brasileiros. Temos lindas praias e, no idioma surfista, “altas ondas”. O esporte está se popularizando cada vez mais no Brasil, principalmente pela atuação dos brasileiros no Circuito Mundial de Surfe. Gabriel Medina foi campeão em 2014 e 2018, Adriano de Souza, em 2015, e Ítalo Ferreira, em 2019. Sem falar de Tatiana Weston-Webb e Silvana Lima, que também se destacam no circuito feminino.

O legado que fica da madrugada da última terça-feira é que o surfe chegou arrebentando nos Jogos Olímpicos, e isso trará ainda mais visibilidade para a modalidade, mais compreensão e aprendizado para nós. O momento é ideal para a formação de novos campeões.

Leia também:

> Atleta catarinense chora ao conhecer pista de atletismo das Olímpiadas: "lágrimas de alegria"

> Às vésperas de virar pai de trigêmeos, árbitro catarinense embarca para atuar em Tóquio

> Veja quais são as modalidades em disputa em Tóquio

> Tóquio 2020: como acompanhar as Olimpíadas na NSC

Colunistas