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Pátria amada não pode ser pátria armada, diz dom Orlando Brandes em Aparecida

Frase foi dita durante a missa desta terça-feira pelo arcebispo, que nasceu em Santa Catarina

12/10/2021 - 19h50 - Atualizada em: 12/10/2021 - 20h36

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Folhapress
Por Folhapress
dom Orlando Brandes
dom Orlando Brandes
(Foto: )

O arcebispo de Aparecida, o catarinense dom Orlando Brandes, afirmou que "para ser pátria amada não pode ser pátria armada". A frase foi dita durante a missa desta terça-feira (12), pela manhã, a principal celebração no Santuário Nacional do Dia de Aparecida neste Dia de Nossa Senhora. O presidente Jair Bolsonaro, defensor do armamento, visitou o santuário na tarde desta terça, e foi recebido com vaias e aplausos

— Hoje é o Dia das Crianças. Vamos abraçar os nossos pobres e também nossas autoridades para que juntos construamos um Brasil pátria amada. E para ser pátria amada não pode ser pátria armada — disse dom Orlando Brandes, que nasceu em Urubici. 

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O arcebispo de Aparecida fez referência ao slogan utilizado por Jair Bolsonaro "Pátria Amada Brasil". O religioso criticou o que chamou de "criança fuzil", em referência a fotos recentes do presidente com jovens segurando armas, e ainda criticou o consumismo.

Na última quinta-feira (30), em evento em Belo Horizonte com a presença do governador de Minas Gerais, Romeu Zema (Novo), Bolsonaro recebeu no palco uma criança de seis anos que empunhava uma arma de brinquedo. O presidente simulou que atirava para cima e carregou a criança sobre os ombros. 

— Pátria amada não é transformar crianças inocentes em crianças fuzil. Pátria amada não é transformar a criança em consumista. As crianças precisam de outras armas, da oração, da obediência, da convivência com seus irmãos — disse. 

Dom Brandes afirmou ainda que os pequenos são vítimas do celular. 

— Só vamos vencer com a força do espírito. A nossa maior arma é a penitência, a oração, o pedir perdão e ser um bom cristão — completou.

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O religioso também fez uma alerta sobre o discurso de ódio e as notícias falsas durante a sua fala na missa desta terça. 

— E para ser pátria amada seja uma pátria sem ódio. Para ser pátria amada, uma pátria, uma república sem mentiras e sem fake news, sem corrupção. É pátria amada com fraternidade. Todos irmãos construindo a grande família brasileira — afirmou. 

Na homilia desta terça, dom Orlando defendeu a ciência, a vacinação contra o novo coronavírus, a paz e o desarmamento. O discurso foi feito diante de fiéis que lotaram o Santuário Nacional. 

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Em clima de emoção, muitos balançavam lenços brancos e azuis na missa das 9h. Esse é o primeiro feriado dedicado à santa em que os atos litúrgicos são abertos ao público em geral desde o início da pandemia de coronavírus, mas ainda com restrições. 

No ano em que a consagração de Nossa Senhora como Padroeira do Brasil completa 90 anos, a imagem da Santa entrou na Basílica envolta no mesmo escudo usado à época, quando a imagem original encontrada por três pescadores em 1717 pegou um trem especial e deixou Aparecida rumo à então capital do Brasil, o Rio de Janeiro, para a celebração. 

Ao som de "O Trenzinho do Caipira", de Heitor Villa-Lobos, a réplica da imagem passou entre os devotos, muitos choraram. Os padres abençoaram os familiares e amigos das mais de 600 mil vítimas de Covid-19. O ministro Marcos Pontes (Ciência e Tecnologia), do governo Bolsonaro, esteve presente.

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O ministro comentou a homilia e viu como uma opinião. 

— Estamos na democracia e expressamos nossa opinião — afirmou Pontes, que ao ser questionado sobre o corte de R$ 600 milhões na sua pasta, disse que a "ciência é importante para a humanidade e cada vez mais para o futuro do planeta". 

Longe da polêmica política, o casal de romeiros Eliana Aparecida de Freitas Silva, enfermeira de 61 anos, e Ocimar Antônio da Silva, diretor industrial de 64, estiveram na Sala das Promessas praticamente no mesmo momento da missa, para agradecer a recuperação do "amigo e irmão" do grupo de rezas, o contador Claudemir Vieira, 63 anos, conhecido como Mikey, que ficou internado com Covid-19 por três meses, entre novembro e fevereiro, boa parte desse tempo na UTI. 

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— São 25 anos de amizade. Rezamos para Nossa Senhora interceder por ele todo esse tempo — afirma Eliane.

— Ele chegou a ser desenganado, mas se recuperou. Perdeu a voz, não andava mais, mas recuperou tudo isso — diz Ocimar. 

Eliana diz que enquanto estava na UTI, o amigo diz ter visto ela vestida de enfermeira rezando por ele ao lado de sua cama. 

— Ele viver e se recuperar foi o verdadeiro milagre.

*Por Tatiana Cavalcanti.

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