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PM lembra troca de tiros com bandidos no mega-assalto a banco em Criciúma: "Foi automático, instintivo"

Aos moldes do "novo cangaço" o roubo na capital do carvão é considerado o maior da história de SC

18/08/2021 - 06h01 - Atualizada em: 18/08/2021 - 06h25

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Clarissa
Por Clarissa Battistella
Imagens de estabelecimentos comerciais próximos ao confronto flagraram a troca de tiros
Imagens de estabelecimentos comerciais próximos ao confronto flagraram a troca de tiros
(Foto: )

O relógio marcava 23h50min quando cinco soldados desceram de duas viaturas e foram em direção ao quartel da Polícia Militar de Criciúma, no Sul de SC. O prédio estava sob violento ataque de bandidos armados com fuzis e a cidade começava a protagonizar o que se saberia, logo depois, ser o maior assalto a banco da história de Santa Catarina

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A sequência de crime, que virou notícia internacional, ocorreu entre o final da noite do dia 30 de novembro e a madrugada de 1º de dezembro de 2020. E o relato do confronto ocorrido na cidade entre criminosos e policiais, embora breve, foi contado com exclusividade ao Diário Catarinense por um dos PMs que participou da ação.

Em desvantagem em número e em armamento, e cientes do embate que estava por vir, o grupo de militares seguiu a pé em direção ao 9º Batalhão de Polícia Militar. A ideia era, segundo o militar Matheus Espíndola, era tentar, de alguma forma, defender os colegas aquartelados e sob fogo dos criminosos: "É automático, instintivo", resumiu o PM promovido por bravura oito meses após o assalto.

Os momentos seguintes ao desembarque dos, até então, soldados foram gravados por câmeras de vigilância de um shopping (assista logo abaixo).

As imagens que o Diário Catarinense teve acesso são rápidas, mas flagram o exato momento do confronto que deixou o PM, Jeferson Luiz Esmeraldino, gravemente ferido. Na gravação não é possível ver se os policiais conseguiram se proteger por alguma barreira, mas o brilho causado pelos disparos é visível.

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Em menos de dois minutos, conforme se vê no horário das câmeras, a quadrilha com mais de 30 criminosos troca tiros com os militares, atinge um deles e foge. Com os 10 carros blindados, os marginais vão em direção à agência bancária onde agiam os demais comparsas.

Depois disso, o militar ferido é carregado até um local seguro onde os colegas acionam o Samu. Em outro vídeo do dia do assalto, o soldado Esmeraldino - recentemente promovido a cabo - ainda está consciente. As imagens monstram que ele aponta para o ferimento e move a cabeça, enquanto conversa com os colegas pela última vez antes de ser hospitalizado gravemente e não conseguir voltar a falar.

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"Covardes para o resto da vida"

Sem mencionar o momento do confronto durante nove meses, o militar Matheus Espíndola falou pela primeira vez ao Diário Catarinense sobre os momentos de tensão vividos na noite do assalto. Não alongou a conversa, mas confirmou que a ação "foi basicamente o que se vê nas filmagens" (veja acima)

Questionado sobre a tomada de decisão pelo embate com um grupo cinco vezes maior do que o dele, ressaltou o motivo por que ele e os outros quatro colegas arriscaram as próprias vidas:

- Iríamos nos sentir covardes para o resto da vida se não fossemos tentar ajudar. Essa é a missão.

Na ocasião, a cidade foi cercada pela quadrilha com pelo menos 30 bandidos fortemente armados, que além de atacar a tiros o quartel da polícia, usou reféns como escudo, provocou incêndios e bloqueou entradas.

Bandidos feridos

Ao menos quatro bandidos podem ter ficado feridos durante o assalto a banco em Criciúma, indicou a perícia feita nos carros apreendidos após a ação. Um deles foi atingido por um delegado de Polícia Civil, que disparou de dentro da própria casa ao perceber a ação.

Já durante o confronto em que o soldado Jeferson Esmeraldino ficou ferido, dois criminosos podem ter sido baleados, disse à época do caso o gerente da mesorregional do IGP Criciúma, André Bitencourt.

- No carro [utilizado pelos suspeitos] há perfurações [de tiro] no banco do motorista e no banco do carona. Eu acredito que pela forma como estava o disparo, se havia alguém na carona, também foi atingido. E foi encontrado sangue no banco do carona - comentou à reportagem 15 dias após o crime.

A confirmação sobre o número de bandidos feridos e se eles estão entre os presos pela polícia ainda não ocorreu. A Polícia Civil, responsável por investigar o crime quase cinematográfico, mantém o inquérito em sigilo.

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Metade da quadrilha, apenas, está presa

Ao menos 16 pedidos de prisão preventiva foram solicitados contra envolvidos no maior assalto da história da Santa Catarina. Do total, ao menos 15 foram cumpridos e um - de um suspeito natural de São Paulo - segue aberto, segundo o delegado Anselmo Cruz, responsável pelo caso. 

O número de pessoas identificadas e presas representa apenas a metade da quadrilha. Acredita-se que pelo menos 30 pessoas participaram do ataque na capital do carvão. Mais informações sobre as investigações não foram divulgadas.

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