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Economia

Por que Santa Catarina puxa a fila de empregos

Força da indústria, diversificação da economia e perfil empreendedor ajudam a explicar o cenário

25/09/2021 - 06h01

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Estela
Por Estela Benetti
Pedro
Por Pedro Machado
A multinacional Nidec manteve os planos de expansão mesmo em meio à pandemia
A multinacional Nidec manteve os planos de expansão mesmo em meio à pandemia
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Faça chuva, sol, crises ou pandemias, Santa Catarina mantém uma condição invejável frente aos demais estados do Brasil: é dona da menor taxa de desocupação do país. E não é de hoje. Desde 2012, quando o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) iniciou a série histórica da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (Pnad), a economia catarinense detém os menores indicadores nacionais de desemprego.

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Ao longo desse período, o índice nunca passou dos 7,1% verificados em 2017. No segundo trimestre de 2021, ficou em 5,8%, enquanto a média nacional atingiu mais do que o dobro disso, chegando a 14,1%.

– Apesar de todos os problemas econômicos, com o dólar a mais de R$ 5, gasolina a R$ 7, Santa Catarina está passando meio incólume. É um oásis – atesta Roberto Gomes, chefe da unidade estadual do IBGE em Santa Catarina.

O segredo para um cenário quase permanente de pleno emprego – algo em torno entre 3% e 6% de desocupação – não é exatamente tão secreto assim. Lideranças dos setores público e privado do Estado creditam a fartura de postos de trabalho a um conjunto de fatores. A base passa pela ampla diversidade da economia e por uma indústria de transformação robusta e bem distribuída pelo território catarinense. Com polos regionais produtivos bem definidos, Santa Catarina não é dependente de um único segmento.

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Basta olhar para o mapa: o agronegócio puxa o crescimento do Oeste, os setores plástico e metalmecânico empurram o Norte, o têxtil e o vestuário são a locomotiva do Vale do Itajaí, o carvão e a cerâmica movimentam o Sul, papel, celulose e madeira movem a Serra e o turismo e a tecnologia são destaque na Grande Florianópolis. Sem contar na força da atividade portuária, que se estende por praticamente toda a faixa litorânea – Santa Catarina é o segundo estado do Brasil em movimentação de contêineres, recebendo matéria-prima para ser processada e exportando produtos para o mundo todo.

– A diversificação ajuda o Estado a se desenvolver e ter estabilidade. Se um setor vai mal, outro vai bem – avalia Mario Cezar de Aguiar, presidente da Federação das Indústrias de Santa Catarina (Fiesc).

O mantra catarinense

Essa variedade econômica contribuiu para a consolidação de uma espécie de mantra, repetido à exaustão em projeções futuras feitas em cenários de crise: Santa Catarina será o primeiro estado a se recuperar das turbulências. Foi o que se viu em 2020, ano contaminado pela pandemia de Covid-19.

A indústria é responsável por 34% dos cerca de 2,3 milhões de empregos formais de SC
A indústria é responsável por 34% dos cerca de 2,3 milhões de empregos formais de SC
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Enquanto São Paulo, principal mercado do país, perdeu 14,3 mil postos de trabalho, a economia catarinense criou 48,5 mil novos empregos com carteira assinada entre janeiro e dezembro, o melhor desempenho do Brasil.

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Destas quase 50 mil vagas, metade (24,1 mil) veio da indústria de transformação. O setor é responsável por 34% dos cerca de 2,3 milhões de empregos formais de Santa Catarina e ajuda a fomentar o restante da economia, considera Carlos Henrique Ramos Fonseca, superintendente do Sebrae-SC. Grande parte do aumento da demanda de serviços, analisa, está vinculada à cadeia produtiva. Para o dirigente, o setor industrial é estruturante:

– É onde gera a renda, traz a reboque o setor de serviços e o comércio. Isso é um fator que contribui para o baixo desemprego no Estado.

Mesmo em meio a esse contexto positivo, há pedras no sapato que merecem atenção da economia catarinense no curto e médio prazos. A lista inclui gargalos com logística, risco de desabastecimento de energia e mudança de humor no mercado com a proximidade das eleições presidenciais de 2022. Apesar dos desafios, há otimismo com o futuro por parte de empresários e industriais.

– Nossa expectativa é de que vamos encerrar o ano com crescimento acima da média nacional. Esperamos que a crise hídrica, que pode afetar a oferta de energia elétrica, não traga prejuízo – projeta Aguiar.

No meio da crise, oportunidades

Indesejada, a pandemia provocou mudanças profundas em hábitos de convivência e consumo. Se em muitos casos vários setores da economia foram duramente afetados pelas restrições de funcionamento, em outros as políticas de distanciamento acabaram dando um empurrãozinho nas vendas de produtos e artigos voltados ao lar, já que mais gente adotou o home office.

A multinacional Nidec Global Appliance, que em 2018 adquiriu o controle da Embraco, notou uma aceleração nas vendas de eletrodomésticos a partir do momento em que as pessoas passaram a ficar mais tempo dentro de casa. Mesmo com a economia instável, a empresa manteve o planejamento estratégico de expansão.

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Em agosto, a companhia deu a partida em uma nova linha de produção de compressores na unidade de Joinville, que demandou R$ 100 milhões em investimentos e resultou na criação de 250 novos empregos. Em Itaiópolis, também no Norte catarinense, mais R$ 10 milhões estão sendo aplicados para aumentar em 25% a capacidade produtiva, com geração de 120 novas vagas de trabalho.

O vice-presidente de operações da Nidec para a América Latina, Emerson Zappone, considera que os produtos da empresa, que incluem soluções de refrigeração, motores para máquinas de lavar, secadoras e lavadoras de louça, além de componentes para sistemas de aquecimento, ventilação e ar-condicionado, são importantes para assegurar padrões de higiene e conforto. Isso continuará demandando crescimento.

– Até o fim do ano, a estimativa é de que tenhamos mais 300 vagas efetivas preenchidas. Além disso, com as ampliações que estamos fazendo, temos mobilizado parceiros e fornecedores externos, sendo que 80% deles são nacionais, o que acaba gerando empregos indiretos – conta Zappone.

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