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    Saliva compartilhada? Como é feito o bafômetro durante a pandemia em blitz de Lei Seca

    Motoristas assopram sem máscara no mesmo equipamento, que deve ser higienizado a cada condutor

    16/01/2021 - 07h00

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    Maria Eduarda
    Por Maria Eduarda Dalponte
    Bafômetro pode ser realizado durante a pandemia
    Bafômetro pode ser realizado durante a pandemia
    (Foto: )

    Com a pandemia do novo coronavírus, muitos motoristas se preocupam ao avistar uma blitz nas rodovias de Santa Catarina. Isso porque a realização de operações da Lei Seca envolvem equipamentos de bafômetro, que consistem no contato da boca com o aparelho e no compartilhamento do mesmo dispositivo entre dezenas de condutores.

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    Devido à Covid-19, em março, a PRF havia restringido o uso do bafômetro para duas situações: quando o motorista apresenta sinais de embriaguez ou quando se envolve em acidente. Porém, segundo o inspetor da PRF em SC, Adriano Fiamoncini, com o aumento da circulação de veículos durante a temporada, a polícia está realizando normalmente os testes de bafômetro:

    — Devido à normalização do fluxo das rodovias, consequência do baixo isolamento social, a PRF voltou a realizar o combate à embriaguez como era feito antes da pandemia — esclareceu Fiamoncini.

    A Polícia Militar Rodoviária, responsável pelas rodovias estaduais de Santa Catarina, também está realizando os testes de bafômetro durante a pandemia. Mas, de acordo com o comandante da PMRv, Coronel Evaldo Hoffmann, o órgão se adaptou e remodelou as blitz de Lei Seca, adquirindo os etilômetros passivos, que têm a mesma função dos bafômetros comuns, mas sem nenhum contato com o condutor:

    — A gente adquiriu o etilômetro passivo para nos adptarmos à pandemia e ofertarmos ao usuário da rodovia segurança, para impedir que mortes aconteceçam no trânsito, e para que ele possa ser submetido à fiscalização sem riscos a sua saúde — explicou o comandante.

    Motorista diz que protocolo não é seguido

    Em conversa com o colunista Renato Igor, do NSC Total, uma motorista de Florianópolis, parada em uma blitz em Jurerê no último final de semana, contou que os carros foram colocados em uma fila única e todos os condutores eram instruídos a soprar no mesmo equipamento, muito próximo à boca. Segundo a motorista, o material não estava sendo higienizado e todos os condutores usaram o mesmo bafômetro.

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    O comandante da PMRv explicou que em cada blitz dois ou três equipamentos são utilizados. Segundo ele, o protocolo exige que após a abordagem em cada veículo, o dispositivo seja higienizado. O comandante informou ao colunista que iria falar com os responsáveis pela operação do final de semana para buscar mais informações.

    Os tipos de bafômetro

    Bafômetro passivo

    Com a utilização do equipamento adquirido pela PMRv, o condutor não tem nenhum contato com o bafômetro. O motorista assopra de longe e o etilômetro mede o álcool presente no ambiente. Após cada fiscalização, o equipamento é higienizado pelo policial militar rodoviário.

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    Bafômetro ativo

    O bafômetro ativo tem o mesmo princípio do passivo, porém, o condutor precisa encostar no equipamento. O etilômetro tem um bico descartável, onde o motorista assopra. Esse bocal é retirado a cada fiscalização realizada e o equipamento é higienizado. O bafômetro ativo mede a quantidade exata de álcool no sangue e é homologado pelo Inmetro.

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    Como acontecem as blitz em tempo de pandemia

    Durante a pandemia, a Polícia Militar Rodoviária, que fiscaliza as rodovias estaduais de Santa Catarina, adotou um novo procedimento de abordagem durante a blitz de Lei Seca. No momento da fiscalização podem ser utilizados bafômetros passivo ou ativo.

    • O condutor é parado na blitz e é instruído a assoprar o etilômetro passivo para verificar a presença de álcool no sopro.

    • Caso o equipamento não apresente a presença de álcool, o condutor é liberado.

    • Se o aparelho identificar álcool no sopro do motorista, o policial convida-o a realizar o teste no etilômetro ativo para medir de forma exata a presença de álcool no sangue. 

    • Caso o condutor realize o teste do etilômetro ativo e a medição marcar entre 0,05 e 0,33, ele será autuado pela infração administrativa de dirigir embriagado. 

    • Se o valor for acima de 0,33, o motorista será preso pelo crime de embriaguez e autuado pela infração administrativa de dirigir embriagado.

    O condutor pode se recusar a fazer os dois testes: de bafômetro passivo, sem nenhum contato, e de bafômetro ativo, com o contato com o bocal. Dessa forma, o motorista é autuado por se recusar a passar pelo teste. Em caso de recusa, se o policial militar rodoviário perceber mais de dois sinais de embriaguez, o condutor além de pagar a multa administrativa de R$ 2.934,70 e receber 7 pontos na carteira, será preso por crime de trânsito e conduzido à delegacia.

    Dados das rodovias em 2021

    Entre os dias 1 e 11 de janeiro, a Polícia Militar Rodoviária de Santa Catarina realizou 738 barreiras policiais, fiscalizou 11.639 veículos e autuou 4.911 condutores. 214 motoristas foram flagrados bêbados. Durante o mesmo período, 176 acidentes aconteceram nas rodovias estaduais com 27 pessoas feridas gravemente e 6 vítimas fatais.

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    Só no último final de semana, a Polícia Rodoviária Federal flagrou 62 motoristas dirigindo sob efeito de álcool nas rodovias federais de Santa Catarina.

    *Com supervisão de Raquel Vieira

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