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Pandemia

SC pressiona governo Bolsonaro a investir em leitos de UTI para covid-19

Carta assinada por secretários do Brasil inteiro cobra liberação de recursos para enfrentamento à segunda onda do coronavírus

18/02/2021 - 16h05 - Atualizada em: 18/02/2021 - 16h18

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Lucas
Por Lucas Paraizo
UTI Coronavirus
Cobrança é pela manutenção dos atuais leitos de UTI e a habilitação de novas vagas
(Foto: )

O governo de Santa Catarina endossou a pressão em cima do ministro da Saúde, Eduardo Pazuello, para a liberação de recursos para ampliação dos leitos de UTI utilizados por pacientes com covid-19. Em tom de urgência, o governo federal é cobrado para manter os leitos habilitados atualmente e ampliar a oferta dentro do SUS.

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A cobrança ocorreu em uma carta enviada a Pazuello e ao ministro da Economia, Paulo Guedes, nesta quinta-feira (18) pelo Comitê Nacional dos Secretários de Fazenda dos Estados e do DF (Comsefaz). O texto tem a assinatura de todos os secretários estaduais da Fazenda do Brasil, entre eles o catarinense Paulo Eli. A carta não cita valores ou quantos novos leitos são necessários.

A reportagem do Diário Catarinense teve acesso ao documento, que destaca que “a redução do custeio de leitos pelo Ministério da Saúde em meio ao agravamento da pandemia do novo coronavírus, aflige, neste momento, os Estados”. O texto aponta que, na primeira onda da pandemia, foi possível “mobilizar estruturas existentes para atender a demanda”, o que no atual momento não é possível pelo alto volume de casos de covid-19, somados às outras doenças e condições que necessitam de tratamento intensivo.

O documento diz também que os leitos existentes no Brasil não foram suficientes para atender todos os pacientes com covid-19 até agora, e que Estados precisaram investir e “desajustar as finanças” até receberem verbas do governo federal em 2020.

“A pandemia não cessou e seguiremos enfrentando até final do ano a coexistência de diversas ondas dessa crise de saúde ocorrendo de maneira assimétrica e diversas regiões do Brasil. Os efeitos da vacinação somente deverão repercutir em queda sustentada, com baixa probabilidade de novas etapas de aceleração de casos/internações/óbitos, a partir do segundo semestre. Urge um imediato aporte de novo orçamento de auxílio aos Estados”, afirma a carta.

A pressão vem em um momento delicado nacionalmente e também de forma local, em Santa Catarina. O Estado vive desde o início do mês uma situação de colapso no Oeste, com lotação máxima dos hospitais, e cidades como Florianópolis e Blumenau também já registram hospitais com a capacidade perto do limite.

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Em reunião com governadores nesta quarta-feira (17), entre eles Carlos Moisés, o ministro Eduardo Pazuello garantiu que todos os leitos de UTI habilitados para o tratamento da covid-19 serão devidamente pagos. Pazuello afirmou, também, que serão habilitados todos os leitos necessários para atender a população.

Na mesma reunião, o ministério da Saúde disse que não há risco de redução de leitos no momento, e apresentou uma proposta de mudança na forma de pagamento aos Estados. O assunto segue em debate.

Um balanço feito pelo Conselho Nacional de Secretários Estaduais de Saúde (Conass), e divulgado pelo jornal Folha de S. Paulo, apontou que o número de leitos habilitados no SUS pelo Ministério da Saúde caiu nas últimas semanas. Com base em documentos e portarias do próprio governo federal, o Conass prevê que, em março, as novas habilitações podem chegar a zero e o custo pesar nas costas dos governos estaduais.

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