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    Triplo homicídio

    Triplo homicídio de família em Alfredo Wagner vai a julgamento; relembre o caso

    Suspeito de matar três pessoas da mesma família em Alfredo Wagner continua preso

    20/10/2020 - 14h47 - Atualizada em: 20/10/2020 - 14h53

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    Clarissa
    Por Clarissa Battistella
    Mãe e filho foram mortos dentro de casa. Pai morreu na estrada
    Mãe e filho foram mortos dentro de casa. Pai morreu na estrada
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    O suspeito de matar três pessoas da mesma família há pouco mais de um ano em Alfredo Wagner, pequena cidade da Grande Florianópolis, vai a julgamento nesta quinta-feira (22). A sessão estava prevista para agosto, mas foi adiada em dois meses por recomendação do Conselho Nacional de Justiça (CNJ) que trata sobre o enfrentamento da covid-19. O início da sessão está marcado para as 8h, na Escola de Ensino Médio Valmir Marques Nunes, em Bom Retiro, local escolhido pela amplitude do ambiente, para evitar a propagação do coronavírus.

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    O triplo homicídio ocorreu no dia 9 de agosto do ano passado, quando pai, mãe e filho foram encontrados mortos na área rural do município. O réu está preso em Lages, na Serra de Santa Catarina, desde a data do crime.

    Arno Cabral Filho, 44 anos, é acusado de triplo homicídio qualificado. A defesa alega que os assassinatos têm outra autoria, cujo nome deve vir à tona em plenário. A promotoria, por sua vez, preferiu não se manifestar em razão de o processo estar em segredo de Justiça.

    A defesa deve apresentar 12 testemunhas, das quais cinco são em comum com as do Ministério Público, segundo informações do advogado Diego Rossi Moretti, um dos responsáveis por defender o réu. A sessão não será transmitida ao público por determinação da Justiça.

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    O que apurou a investigação

    O argentino Carlos Alberto Tuneu, 67 anos, sua esposa, Loraci Mathes, 50, e o filho do casal, Mateo Tuneu, 8 anos, foram assassinados na área rural de Alfredo Wagner por volta do meio-dia de uma sexta-feira.

    O argentino foi encontrado por uma testemunha no caminho de casa, caído ao lado do carro dele, com um sangramento na cabeça e já sem vida. No sítio em que a família morava foram encontradas a mulher e a criança, que aguardava o ônibus para ir à escola.

    Loraci, Mateo e Carlos foram assassinados no interior de Alfredo Wagner
    Loraci, Mateo e Carlos foram assassinados no interior de Alfredo Wagner
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    À época do crime, a Polícia Civil descobriu que mãe e filho foram mortos em questão de 10 minutos, antes do meio-dia. O último assassinato ocorreu cerca de meia hora depois e vitimou o pai, que estava a caminho de casa, aproximadamente um quilômetro distante da propriedade.

    Na ocasião, o então delegado regional de Lages, Fabiano Schmitt, disse que após a prisão em flagrante do suspeito, que ocorreu no mesmo dia do crime, em Bom Retiro, a polícia continuou com o trabalho e realizou diligências complementares, em busca de provas para comprovar a tese inicial da investigação: o crime teria ocorrido por causa de uma dívida entre os envolvidos.

    — Conseguimos provas robustas sobre a autoria, como impressões digitais do suspeito preso no veículo da vítima, marcas de sangue nas roupas do suspeito e também ouvimos uma testemunha fundamental, que foi quem produziu a barra de ferro utilizada — revela Schmitt.

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    A polícia sustentou, na época, que o suspeito comprou a barra de ferro utilizada para matar pai, mãe e filho pouco antes dos assassinatos. Um livro com capa escura e anotações sobre uma dívida que o suspeito tinha com a família também foi apreendido.

    Mateo Tuneu, 8 anos, aguardava o ônibus para ir à escola no momento do crime
    Mateo Tuneu, 8 anos, aguardava o ônibus para ir à escola no momento do crime
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    Segundo informações dos investigadores, o suspeito teria ido ao sítio na tentativa de eliminar os papéis assinados na noite anterior ao crime, em que reconheceu sua dívida com a família. Os policiais acreditam que a mulher resistiu para entregar os documentos, motivo porque foi atacada. Já o filho, morreu por ter testemunhado o assassinato.

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    Defesa vai apontar outro nome pela autoria de triplo homicídio 

    A defesa do comerciante preso em flagrante por triplo homicídio em Alfredo Wagner há pouco mais de um ano sustenta que o cliente não foi o responsável pelos assassinatos e afirma ter testemunhas e provas documentais suficientes para comprovar a inocência de Arno Cabral Filho:

    - Há uma testemunha que viu Arno no sítio dele às 11h30min (horário dos dois primeiros homicídios, segundo apontou a perícia) e outras duas que afirmam, categoricamente, terem visto ele em Bom Retiro, a 1h da tarde, onde teria ido trocar um cheque. Não teria como ser o autor, seria humanamente impossível. 

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    Segundo o criminalista, o sítio do suspeito fica a cerca de 10km da propriedade onde mãe e filho foram encontrados mortos e a mais de 3km do local em que o argentino foi assassinado. 

    - Nesse caminho, entre um sítio e o outro, existem mais de 14 casas entre o local onde o a família foi morta e nenhum morador foi questionado pela polícia para saber se Arno passou por ali - pontua o advogado.

    Argentino foi morto no caminho de casa; esposa e filho estavam no sítio
    Argentino foi morto no caminho de casa; esposa e filho estavam no sítio
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    > MP denuncia suspeito por assassinato de família em Alfredo Wagner

    Ainda, segundo Moretti, o mesmo caderno com anotações sobre a dívida do comerciante com a família morta também guardava registros de outros dividendos, entre eles, um antigo funcionário da família, teria atacado Loraci com pauladas cinco dias antes do crime:

    - No caderno das vacas existe um monte de dívidas deste homem (ex-funcionário) com a família e há um boletim de ocorrência contra ele, feito por Loraci dias antes. 

    > Polícia encontra registros sobre dívida de suspeito de matar família em Alfredo Wagner

    A defesa ainda deve usar as conclusões da perícia, sobre as diferenças entre a arma usada no crime da Loraci para a usada na morte de Mateo (filho) e a ausência de sangue nas roupas e no carro do réu.

    Família morava em Alfredo Wagner há seis anos

    Pouco depois do crime, outra filha do casal, Ana Paula Matthes Tuneu de 31 anos, chegou ao sítio onde moravam. Ela se instalou na casa secundária, onde ficaria com marido e filho, onde ficariam a partir de então.

    Na época, a familiar contou à reportagem do Diário Catarinense que os pais e o irmão se mudaram para a propriedade de Alfredo Wagner há seis anos, aproximadamente, quando o caçula ainda era criança de colo. O casal morava em Buenos Aires, na Argentina, na época e procurava por uma propriedade mais tranquila, conta a filha Ana Paula:

    — O pai (de criação) tinha descoberto o Mercado Livre (site de vendas) e achou esse sítio para venda. Ele ficou encantado e foi procurar onde ficava Alfredo Wagner. Viu que era perto de Florianópolis, gostou e decidiram comprar.

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