O herdeiro da Dudalina que quer resgatar a tradição da família com camisas

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João Vitor é neto dos fundadores da tradicional camisaria (Foto: Patrick Rodrigues)

O sobrenome entrega a origem: João Vitor Hess de Souza tem a camisaria no DNA. Neto de Rodolfo de Souza, o Duda, e Adelina Hess de Souza, casal que juntou mais do que os próprios nomes para criar a Dudalina, o jovem de 31 anos estabeleceu uma missão: resgatar a tradição da família com camisas. Mas em voo solo e com identidade própria, já que a empresa criada pelos avós em 1957, na cidade de Luiz Alves, já não é mais comandada pelos herdeiros desde a venda em 2014 para a varejista Restoque.

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Há dois anos João Vitor se dedica à J. Hess, que produz camisas masculinas sob medida feitas de linho e algodão egípcio e com botões de madrepérola. O ateliê fica em um charmoso endereço na Rua Hermann Hering, em Blumenau – coincidência ou não, praticamente ao lado da antiga casa dos avós. O negócio ainda é pequeno: conta com apenas uma funcionária, costureira com mais de uma década de experiência na Dudalina. Por outro lado, a estrutura enxuta proporciona um serviço intimista e exclusivo. É o próprio dono quem tira as medidas da freguesia.

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— Eu acho que existe uma carência de camisas sob medida, uma coisa que hoje é vista até como algo mais antigo. Acho que esse prazer de se vestir bem tem que ser mais acessível — idealiza.

Assim como muitos de seus tios e primos, João Vitor cresceu em meio aos negócios da família. Entrou na Dudalina em 2011 como estagiário, período em que a empresa vivia o auge e estava em forte expansão, impulsionada pelo lançamento de uma linha feminina de camisas em 2008. Do estágio passou a vendedor em uma loja conceito da marca em São Paulo e mais tarde virou assistente na produção executiva de campanhas fotográficas.

Com um ano de empresa, foi convidado a passar uma temporada em Milão, na Itália, onde a marca abriria seu primeiro showroom na Europa. Lá teve o primeiro contato com a alta-costura. E saiu maravilhado com a elegância italiana na confecção de uma camisa personalizada, com caimento perfeito e atenção aos detalhes, com as iniciais do nome bordadas.

A volta às origens

João Vitor já havia retornado ao Brasil quando a Dudalina foi vendida, primeiro, a dois fundos de investimento americano, em 2013. Desanimado com as perspectivas de futuro da empresa, decidiu investir em reflorestamento de eucalipto com o pai. Apesar da experiência válida, sentia que ainda não estava realizado. Foi em 2018, quando teve dificuldades para achar um bom alfaiate para fazer a camisa do próprio casamento, que viu uma oportunidade para retornar às origens.

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A J. Hess nasceu no ano seguinte, após 10 meses de pesquisas e preparação. A nostalgia não ficou restrita à origem familiar. Além da própria costureira com anos de Dudalina, João Vitor trouxe para o negócio o know-how e até mesmo antigos modelistas e fornecedores de tecidos da empresa. E adicionou uma pitada de tecnologia. Praticamente todo o processo de desenvolvimento e programação de corte é digital.

— A gente brinca até que é como se fosse uma Dudalina sob medida — conta.

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Por ser um produto mais exclusivo, a produção também é mais restrita. Atualmente são cerca de 60 peças sob medida feitas por mês, com tecido, cores, colarinhos e punhos escolhidos pelos clientes. O prazo de entrega é de em média 15 dias úteis a partir do pedido e os preços variam de R$ 529 a R$ 599, dependendo do tipo de tecido.

Embora esteja focado no ateliê, o herdeiro da Dudalina sonha em seguir trajetória semelhante à da empresa da família um dia. Isso inclui o lançamento, no futuro, de uma linha de camisas prontas.

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