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Quem banca o turismo internacional do foragido Zé Trovão

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Por Dagmara Spautz
13/09/2021 - 11h31 - Atualizada em: 13/09/2021 - 19h13
Caminhoneiro Zé Trovão está foragido
Caminhoneiro Zé Trovão está foragido (Foto: Reprodução)

Follow the Money! O bordão eternizado em “Todos os Homens do Presidente” é palavra de ordem para compreender os movimentos que trancaram as estradas na semana passada, especialmente em Santa Catarina - e para entender como um desconhecido caminhoneiro catarinense, alçado a “líder” da mobilização golpista, consegue fazer turismo pela América Central enquanto é procurado pela Polícia Federal.

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Segundo informações da própria PF, Marcos Antônio Pereira Gomes, conhecido como Zé Trovão, passou ao longo das últimas semanas pelo Panamá e pelo México, onde hospedou-se em Guadalajara, Cidade do México e na idílica Cancun. Ele teria saído do Brasil ainda no fim de agosto, antecipando o mandado de prisão que veio no início de setembro. Já são pelo menos 20 dias viajando, período em que o caminhoneiro se comunicou normalmente e com regularidade com os seguidores pelas redes sociais.

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A história de Zé Trovão intriga líderes da categoria dos caminhoneiros e sindicalistas. A coluna conversou com algumas dessas lideranças em SC, entre favoráveis e contrárias aos bloqueios das estradas na semana passada. Todos disseram que nunca tinham ouvido falar do pretenso líder até a convocação para as manifestações. Ele não teve participação efetiva nem na greve de 2018, por exemplo, que mobilizou a categoria em todo o país.

- Não tem informação sobre ele. Mas tem muitos caminhoneiros influencers, que viram ‘heróis’ da noite para o dia, e têm muitos seguidores. No caso dele começou há um mês atrás, com o Sérgio Reis – afirmou um representante da categoria em SC à coluna.

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Zé Trovão apareceu ao lado do cantor em um vídeo, gravado em Brasília, onde Sérgio Reis falava em invadir o Supremo Tribunal Federal (STF). Foi o estopim de uma investigação que resultou em mandados de busca e apreensão, expedidos no dia 20 de agosto, por incitação a atos antidemocráticos. A ordem de prisão viria depois, a pedido da Procuradoria Geral da República (PGR), diante do descumprimento das determinações judiciais.

Estimulado pela popularidade repentina, Zé Trovão chegou a ensaiar um levante do movimento contra Bolsonaro após o pedido do presidente para os que os caminhoneiros deixassem as estradas e a divulgação da carta com o “mea culpa” presidencial. Horas depois, voltou atrás.

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A pecha de líder incomoda a categoria, que não vê no catarinense uma voz para as demandas dos caminhoneiros - preço do diesel, piso mínimo, políticas de frete. É comum ouvir entre representants que o catarinense é uma “liderança fabricada”, um “formador de opinião e não líder” que “usou a categoria para aparecer”.

Os caminhoneiros creditam ao setor do agronegócio mais próximo ao presidente Jair Bolsonaro o financiamento de Zé Trovão. Isso explicaria como ele conseguiu deixar o país e se movimentar livremente no exterior e deve ser um dos focos de investigação da Polícia Federal. Na última sexta-feira (11), o ministro Edson Fachin negou um pedido de habeas corpus ao catarinense, apresentado por deputados bolsonaristas. Escondido na América Central, procurado pela Interpol, Zé Trovão continua fugindo da polícia.

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