Perto de entrar em vigor, o acordo Mercosul e União Europeia tem relevância para a economia brasileira e, em especial a de Santa Catarina, por dois pontos: é um acordo de paz em meio à guerra de tarifas no mundo e porque abre oportunidades para criar produtos de maior valor para um mercado exigente. Esses dois pontos estratégicos de longo prazo são destacados pelo economista-chefe da Federação das Indústrias de Santa Catarina (Fiesc) e professor de Economia da Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC), Pablo Bittencourt.
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Ele avalia que o acordo, construído com mais de 25 anos de negociações, prevê uma série de regras de soluções de conflito, o que indica potencial de longevidade. Isso num período de conflitos geopolíticos em que países com grandes economias, como Estados Unidos e China, adotam guerras tarifárias que fecham oportunidades, algo como aconteceu no século XIX, entre os anos de 1801 até 1900.
Para a economia brasileira, em especial a de Santa Catarina, o economista-chefe da Federação das Indústrias destaca que a grande oportunidade é ir além do que é feito hoje, com muitas vendas de commodities para a Europa. O que é possível fazer é fabricar produtos mais elaborados nos diversos setores, o que permite melhores resultados para todos os participantes da cadeia produtiva.
– Está sendo aberta uma avenida mais estreita, exigente e com maior retorno potencial, é a da captura de valor industrial por meio da hipersegmentação de mercado, especialmente diante da demanda europeia por bens manufaturados e semimanufaturados mais sofisticados. Para trafegar por essa rota, escala e custo deixam de ser suficientes: os “veículos” precisam incorporar engenharia, padronização, certificação, rastreabilidade, sustentabilidade verificável e diferenciação de produto, atributos que dependem de decisões industriais, investimentos produtivos e coordenação ao longo das cadeias – explica Bittencourt.
Na avaliação dele, esse potencial já existe, mas está subutilizado, apesar de a logística de frio já oferecer muito mais oportunidades. Ele cita exemplos europeus desse segmento de produtos especiais, usando muita pesquisa e engenharia. A Dinamarca, por exemplo, conseguiu avançar com a elaboração de alimentos funcionais e a Áustria, com a fabricação de produtos diferenciados de madeira.
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Em Santa Catarina, negócios grandes, médios e pequenos de diversos setores estão buscando esse caminho. Além disso, será possível fazer acordos produtivos e comerciais entre empresas dos dois blocos. O que a parceria Mercosul e União Europeia oferece é um mercado que prefere esses produtos, têm recursos para pagar mais e será possível exportar com tarifa zero.
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