A Organização das Cooperativas do Estado de Santa Catarina (Ocesc) é uma das entidades que fizeram contas sobre quanto vai custar uma redução da carga horária de 44 horas semanais para 40 horas semanais. O presidente da organização, Vanir Zanatta, disse haverá um aumento mensal de custo salarial de R$ 69 milhões (quase R$ 900 milhões por ano) e a necessidade de contratar mais pelo menos 11.516 trabalhadores.
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Uma das primeiras preocupações, segundo ele, é como conseguir candidatos para essas vagas se o estado vive em pleno emprego. A taxa de desemprego em Santa Catarina, no último trimestre de 2025 ficou em 2,2%, mais baixa do que a da maioria dos países do mundo.
– A redução da carga horária semanal de trabalho (de 44 para 40 ou 36 horas) sem análise dos seus impactos nas diversas áreas da economia pode, sem exageros, inviabilizar setores sensíveis. Um deles é o amplo e complexo universo do agronegócio em geral e do setor primário em particular, onde a operação é contínua, incessante, sete dias por semana, 365 dias por ano. Impossível aplicar nesse universo regras de jornada reduzida quando as variáveis são o clima, o ciclo de produção, as safras, o mercado, a sanidade etc…- explica Vanir Zanatta.
Em artigo publicado nesta segunda-feira, o presidente da Ocesc alerta que os poderes da República, em Brasília, aparentam viver completamente desconectados da realidade brasileira. As dores e as mazelas de todos que trabalham e empreendem no Brasil são ignorados pelos agentes públicos dos mais altos escalões dos três poderes.
– Outro detalhe fulminante: os brasileiros trabalham em média 38,9 horas por semana, jornada inferior às de 97 países e territórios integrantes do ranking da OIT. Estão inclusos nesse cálculo (sobre o Brasil) os trabalhadores das empresas públicas e privadas e, também, aqueles que vivem na informalidade – argumenta o presidente da Ocesc no artigo.
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Na avaliação dele, a informalidade poderá ter crescimento relevante com a mudança de carga horária. Isso porque o aumento do custo formal pode levar a uma migração de postos de trabalho para a informalidade, prejudicando a seguridade do trabalhador rural.
Para Zanatta, a jornada deveria ser uma decisão de acordo coletivo, de negociação entre empresas e empregados, com mediação sindical. O presidente da Ocesc avalia que esse debate de mudança de carga horária deveria ser feito em outro momento, fora do contexto eleitoral, com análise de dados.
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