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MEMÓRIA DO CARNAVAL

A ferro e a amor

Tatiane Cristina Barbosa guardou a camiseta que o pai, Antônio Carlos Barbosa, usou no carnaval 2020 na confecção dos carros alegóricos da Embaixada Copa Lord

15/02/2021 - 06h00

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Por Ângela Bastos
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Tatiane Barbosa recorda do pai, Antônio, um dos líderes da Copa Lord
(Foto: )

A família Barbosa sofreu duas perdas para a Covid-19. Em 25 de novembro, morreu Jaci Carlos Barbosa, 65 anos, que foi diretor e conselheiro da Embaixada Copa Lord. Em 4 de janeiro, Antônio Carlos Barbosa, 66 anos, irmão de Jaci, e ex-presidente da amarelo, vermelho e branco também foi vencido pela doença. Duas pessoas negras, e com forte presença na comunidade Monte Serrat. O desespero tomou conta dos Barbosa, que temiam novas despedidas já que outras pessoas também foram infectadas.

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– A doença bateu à nossa porta. Foi uma agonia muito grande – conta Tatiane Cristina Barbosa, filha de Antônio, comandante da Embaixada Copa Lord em diferentes momentos, como em 1990, quando a agremiação conquistou o título de campeã.

Entre faixas, troféus e placas, uma peça foi retirada da gaveta para homenagear Antônio:

– O pai fez de tudo na escola. Mas era no barracão, era na confecção dos carros alegóricos, entre ferro e solda, que ele se realizava. Por isso, escolhi esta regata que ele usou em 2020 como símbolo maior do nosso Antônio – conta. 

Tatiane brinca com a imagem do pai, que tinha cara de zangado. Considera um privilégio ter convivido com ele e descoberto um coração generoso. E um amor sem limites pelo Carnaval. Ainda criança ela aprendeu que não adiantava cobrar presença no período dos preparativos. 

– Ele nem voltava para casa, ficava no galpão, virava a noite trabalhando, com a regata, bermuda e chinelos.

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Tatiane considera o isolamento do paciente como a parte mais dolorosa da Covid-19. Assim, diz, os familiares não conseguem mostrar para a pessoa que estão do outro lado, torcendo, rezando para que tudo dê certo, esperando pelo retorno: 

– Meu pai teve uma melhora, e nós conseguimos fazer uma transmissão de vídeo. Eu, minha mãe e irmãos conseguimos dizer o quanto o amávamos. Ele pouco conseguiu falar, mas a leitura labial permitiu ver que dizia também nos amar. Depois, o quadro se agravou até que fomos informados da morte por telefone. 

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Tatiane tinha sete anos quando desfilou pela primeira vez. Como os pais eram da diretoria, saiu de mãos dadas com a mãe. Lembra de Antônio, andando de um lado para o outro, acompanhando a evolução da escola. Vez que outra, passava por elas. Não dizia nada, apenas olhava. Depois disso, Tatiane saiu em alas diferentes alas. Até na bateria. 

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Com a vacina para todos, a esperança é de que em 2022 a passarela volte a se iluminar. Mas como será sem Antônio? 

– Acho que será como sempre foi. Ele olhando para nós, para a escola que era a sua religião.

Familiares e amigos relembram personagens do Carnaval vítimas da Covid-19 em vídeo:

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