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MEMÓRIA DO CARNAVAL

Violão na mão e um peito cheio de saudade

Mais velho entre os irmãos de quatro e 14 anos, Henry Cromack, 16 anos, tem o nome do pai que fazia parte do grupo musical da União da Ilha da Magia

13/02/2021 - 10h00

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Por Ângela Bastos
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Henry e o violão que era da avó e lhe foi repassado pelo pai
(Foto: )

O primeiro a chegar foi Henry Cromack, 16 anos. Violão na mão, coração apertado pela saudade, maturidade de gente grande. 

– Teria outros objetos para falar do meu pai, como as partituras e o microfone que ele cantava. Mas escolhi o violão, que é muito simbólico: foi da minha avó, passou para ele e agora é meu.

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Passaram-se sete meses desde aquele 12 de julho em que a Covid-19 silenciou o empresário Henry Ávila Cromack, 45 anos. Deixou a esposa, Eliane, e os filhos Yan, 14 anos, Maria Alice, quatro anos, e Henry, que atua como ator em teatro e cinema. 

– Meu pai era um empresário, mas tinha muito amor pela cultura. Minha avó, dona Neta, foi cantora de rádio. Meu pai herdou essa veia dela, e passou para mim. 

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Também bisneto do radialista Dakir Polidoro, Henry considera o respeito pela arte e pelos artistas o grande legado do pai. A música sempre foi um elemento forte na família Cromack.

– Era uma tradição já: o nosso pai fazia uma música para cada filho que nascia. Agora, sem ele para cantar, a gente está ensinando a letra para minha irmã de quatro anos. 

Henry Cromack tinha uma ligação forte com a União da Ilha da Magia. Foi assim desde os tempos do bloco que, em 2008, se transforma em escola de samba de Florianópolis. Com família, filhos pequenos e negócio para tocar, vez que outra Henry prometia ficar de fora do desfile. Mas a chamada “cachaça”, como se brinca nos barracões, era mais forte:

– Quando se aproximava o Carnaval, ele dizia: “Neste ano eu só vou curtir”. Que nada! Em seguida se envolvia e estava ele no coro de novo. Eu também cantei com ele lá. Foi muito legal, uma diversão entre pai e filho. Era muito bom estarmos juntos naqueles ensaios abertos, cheio de gente, tanta alegria.

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Por esse convívio tão afetuoso, acredita Henry, é que “a ficha demora a cair”. Tem outra coisa que aperta-lhe o coração: 

– Toda doença é desumana. Mas essa é mais, pois a gente não pode nem ver nosso familiar. Do dia que meu pai foi internado, até o falecimento, a gente nunca pôde vê-lo, nunca estivemos com ele. As notícias chegavam através de mensagens do hospital. 

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Consciente e maduro sobre os riscos da doença que levou a pessoa que considera “a mais generosa que irei conhecer na vida”, o garoto deixa um recado: 

– Tento passar a mensagem de que esta doença existe, que é perigosa e que a gente não pode desqualificá-la ou negar que exista.

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