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Caso Henry: aparelho israelense quebrou segurança do WhatsApp?

Polícia do Rio de Janeiro utilizou a plataforma UFED Touch 2, fabricada pela empresa Cellebrite

08/04/2021 - 18h58 - Atualizada em: 12/04/2021 - 15h58

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Por Fabrício Vitorino
UFED Touch 2
Plataforma chamada UFED Touch 2 é fabricada pela empresa israelense Cellebrite
(Foto: )

Como a polícia do Rio de Janeiro teve acesso a mensagens de WhatsApp, decisivas para resolver o assassinato do menino Henry Borel, de 4 anos? A resposta é simples: através de uma plataforma chamada UFED Touch 2, fabricada pela empresa israelense Cellebrite. Mas é importante ressaltar que a segurança do app mais popular do Brasil não foi quebrada.

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Procurada pelo Diário Catarinense, a assessoria do WhatsApp informou que não vai comentar o caso. Mas detalhes divulgados pela própria Polícia Civil do Rio nos dão pistas de que a plataforma israelense ajudou a solucionar o caso.

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O que é o UFED?

O UFED Touch 2 não é um software, mas uma plataforma. Trata-se de um dispositivo similar a um tablet – com tela XGA (1024x728), leitor de múltiplos SIM cards, conector mini display, SSD de 128GB, memória DDR3 e USB 3.1. Tudo rodando em Windows 10. Ou seja, uma plataforma sem muito brilho – mas com poderosos softwares. UFED significa “dispositivo de extração forense universal”, em tradução da sigla em inglês.

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O WhatsApp foi hackeado?

Afinal, como o dispositivo teve acesso às mensagens de WhatsApp que incriminaram os pais do menino Henry? A resposta é não teve. O UFED Touch 2 conseguiu recuperar prints (fotografias das telas) do celular da mãe de Henry, Monique Medeiros, onde ela havia sido avisada pela babá do menino sobre as agressões, cometidas pelo vereador do RJ, Dr. Jairinho, namorado de Monique. Ou seja, a criptografia (segurança) do WhatsApp segue extremamente segura – até onde se tem notícia.

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Prints conversas do caso Henry
Reprodução das conversas do caso Henry
(Foto: )

O que o UFED faz?

O UFED2 consegue desbloquear aparelhos, recuperar arquivos deletados, ter acesso a backups no dispositivo ou na nuvem. Mas não consegue violar a criptografia do WhatsApp. Desta forma, foi possível encontrar, no aparelho, os prints – que foram apagados deliberadamente após o crime. 

Apagar arquivos não é seguro? Não. Ao “apagar” um arquivo de seu aparelho, você está apenas removendo a referência a ele. É como se cada arquivo fosse uma rua: você só está removendo a sinalização. Mas ela continua lá. Com um bom software, é possível remontar as referências e reconstituir o arquivo.

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Isso acontece por um motivo simples: apagar arquivos exige esforço do aparelho – o que força o processador e gasta mais bateria.

Porém, os arquivos não ficam disponíveis para sempre. Conforme o disco vai sendo utilizado, novos arquivos vão sendo escritos sobre os antigos – cujas referências foram removidas. Voltando à analogia das ruas, é como se uma nova fosse construída sobre a velha, em outra direção. Com o tempo, não há mais rastros do que havia ali.

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Quanto custa e onde UFEDs foram usados?

A tecnologia israelense tem preço estimado no mercado a partir de US$ 15 mil – mas depende dos “opcionais” a serem contratados. A Cellebrite, claro, mantém total sigilo sobre os aparelhos que podem ser “invadidos”, bem como sobre a tecnologia utilizada. Afinal, há uma preocupação enorme em manter a integridade das provas obtidas e não revelar quais são os “backdoors”, ou brechas, que existem nos aparelhos cobertos.

UFEDs, em vários modelos, existem há anos no mercado e foram usados no Brasil, por exemplo, nas operações Lava Jato e Enterprise, bem como no caso do assassinato da vereadora do RJ Marielle Franco. Em Santa Catarina, o Instituto Geral de Perícias (IGP/SC) usa o equipamento Cellebrite desde 2015, com custo estimado em cerca de R$ 265 mil.

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