O ano de 2026 começa com uma mudança que mexe diretamente com o orçamento das famílias brasileiras. A nova tabela do Imposto de Renda, estabelecida pela Lei 15.270/2025, elevou o teto de isenção para R$ 5.000 mensais. Na prática, isso significa que cerca de 16 milhões de pessoas deixam de ter parte do salário retida pelo “Leão” todos os meses.
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Passo a passo da nova economia: o que muda no seu bolso
O impacto direto na renda disponível
Essa mudança altera a forma como o imposto é calculado na fonte. O governo passou a utilizar um desconto fixo mensal (o redutor) para garantir que quem ganha até R$ 5 mil tenha o imposto zerado, enquanto quem ganha acima disso sinta uma redução proporcional em comparação ao ano passado.
Veja as projeções de como isso reflete no bolso:
- Salário de R$ 4.500: a retenção mensal de R$ 225 deixa de existir. No acumulado de um ano, o contribuinte mantém R$ 2.700 extras que antes ficavam com o governo.
- Salário de R$ 6.000: mesmo acima da faixa de isenção total, o valor retido cai de R$ 412 para R$ 195 por mês. No ano, o alívio passa dos R$ 2.600.
Fluxo de aplicação: quando o ajuste chega ao contribuinte
Para quem trabalha com carteira assinada ou é beneficiário do INSS, a aplicação das novas regras da Lei 15.270/2025 é automática na folha de pagamento:
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- No rendimento mensal: as empresas devem aplicar o novo cálculo desde janeiro. Para quem se enquadra no novo teto, a ausência do desconto do IR já deve ser notada nos contracheques de fevereiro.
- Na declaração anual: a partir de 1º de março, começa o prazo para o ajuste anual. De acordo com orientações da Receita Federal, o uso da declaração pré-preenchida facilita a conformidade com os novos limites e pode acelerar o processamento de eventuais restituições.
A origem dos recursos e a compensação fiscal
A sustentabilidade dessa desoneração para a média renda é viabilizada por uma mudança na tributação do topo da pirâmide econômica. A legislação agora prevê o Imposto Mínimo sobre Alta Renda, focado em contribuintes com rendimentos superiores a R$ 600 mil anuais.
Pela primeira vez, lucros e dividendos desse grupo — historicamente isentos — podem sofrer taxação de até 10%. Essa engenharia fiscal busca a neutralidade arrecadatória: o governo reduz a cobrança sobre a renda do trabalho e compensa o fôlego financeiro de milhões de brasileiros por meio da nova tributação sobre o grande capital.
Perspectivas para o planejamento financeiro
Com a retenção menor no contracheque, economistas observam uma tendência de reorganização das finanças domésticas. O valor que retorna ao bolso do trabalhador pode ser um aliado no equilíbrio de contas ou na formação de reservas.
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Para aqueles que permanecem nas faixas tributáveis (acima de R$ 7.350), a manutenção da organização de comprovantes de despesas dedutíveis, como saúde e educação, continua sendo o caminho previsto em lei para reduzir a carga tributária final no ajuste anual.
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*Editado por Luiz Daudt Junior.









