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Vira jacaré?

Efeitos colaterais da vacina contra Covid-19

"Vou virar jacaré? Vai mudar meu DNA?" Essas são dúvidas frequentes sobre o que a vacina conta a Covid-19 pode causar. Confira quais são os efeitos colaterais

20/05/2021 - 13h36 - Atualizada em: 11/06/2021 - 20h21

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Redação
Por Redação DC
Efeitos colaterais da vacina contra Covid-19 são esclarecidos
Efeitos colaterais da vacina contra Covid-19 são esclarecidos
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Com milhões de pessoas sendo vacinadas no mundo diariamente, é comum ouvir relatos de efeitos colaterais da vacina contra a covid-19, como febre, calafrios e outros incômodos após receber uma dose. No entanto, especialistas afirmam que essas "consequências" podem ser a prova de que o sistema imunológico está fazendo o papel dele, de criar anticorpos.

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Ou seja, ainda que alguns efeitos possam ocorrer, grande parte deles já é esperada. Afinal, é a resposta do organismo sobre a produção de anticorpos que vão defendê-lo da doença. Continue a leitura para conhecer melhor os efeitos colaterais da vacina contra Covid-19, e os mitos a respeito deste assunto.

Vacinas aprovadas

No momento, inúmeras vacinas contra a Covid-19 estão sendo estudadas e desenvolvidas no mundo, como forma de avançar no combate à pandemia causada pelo novo coronavírus. As principais vacinas aprovadas para uso emergencial pela Organização Mundial de Saúde (OMS), são:

Pfizer e BioNTech (BNT162): norte-americana e alemã, vacina que apresentou 90% de eficácia;

Moderna (mRNA-1273): norte-americana, a vacina com 94,5% de eficácia;

Instituto de Pesquisa Gamaleya (Sputnik V): a vacina russa apresentou 91,6% de eficácia contra a COVID-19;

AstraZeneca e Universidade de Oxford (AZD1222): inglesa, vacina demonstrou eficácia de 70,4%;

Sinovac (Coronavac): vacina chinesa desenvolvida em parceria com o Instituto Butantan, que demonstrou uma taxa de eficácia de 78% para casos leves e de 100% para infecções moderadas e graves;

Johnson & Johnson (JNJ-78436735): vacina norte-americana com taxa que varia entre 66 a 85%, de acordo com o país onde é aplicada.

Além delas, as vacinas NVX-CoV2373, da Novavax, a Ad5-nCoV, da CanSino ou a Covaxin, da Bharat Biotech, também estão sendo usadas em países como a China e a Índia.

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Vacinas utilizadas no Brasil

No Brasil, as vacinas usadas contra a Covid-19 são da Pfizer e BioNTech, a Coronavac, a vacina da Johnson & Johnson, e a vacina da AstraZeneca. Os efeitos colaterais da vacina contra a Covid-19 variam de acordo com cada vacina, visto que cada uma das utilizadas no país apresentam diferentes tecnologias.

Coronavac é uma das vacinas contra a Covid-19
Coronavac é uma das vacinas contra a Covid-19
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Tecnologia genética do RNA mensageiro (Pfizer e Moderna)

A tecnologia genética o RNA mensageiro utiliza células saudáveis do corpo como forma de produzir a mesma proteína usada pelo Novo Coronavírus para entrar nas células. Dessa forma, o sistema imunológico produz anticorpos que, durante a infecção, neutralizam a proteína do verdadeiro coronavírus, impedindo que a infecção se desenvolva no organismo.

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Adenovírus modificados (AstraZeneca, Sputnik V e J&J)

A vacina desenvolvida por meio do uso do adenovírus, inofensivo ao corpo humano, consiste em modificá-los geneticamente para que assim, possam atuar de forma parecida com o vírus. Contudo, sem riscos para a saúde. Dessa forma, o sistema imune produz anticorpos capazes de eliminar o vírus, em caso de infecção.

Uso do vírus inativado (Coronavac)

A forma inativada do vírus também é utilizada no desenvolvimento das vacinas. Por não provocar a infecção nem problemas à saúde, a versão inativada do vírus contribui para a produção de anticorpos necessários para combater o vírus.

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Os efeitos colaterais da vacina contra Covid-19

Os efeitos colaterais são impactos que diferem dos considerados como principais de um medicamento, tratamento ou vacina. O termo deve ser distinguido de efeito adverso, referente a um efeito colateral que não é desejado.

Os efeitos colaterais da vacina contra Covid-19 mais apontados até o momento foram dores no braço, dores no corpo, fadiga, dores de cabeça, náusea e, em alguns casos, até mesmo febre baixa. Observados principalmente após a aplicação da vacina da Pfizer/BioNTech e AstraZeneca, especialistas explicam os efeitos colaterais como uma potente indução da resposta imune.

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Porque os efeitos colaterais da vacina contra Covid-19 são maiores na segunda dose

Considerando que os efeitos colaterais são resultados do desenvolvimento de uma ação de defesa do organismo, algumas pessoas relataram efeitos colaterais da vacina contra Covid-19 mais fortes após a segunda dose.

Com a primeira dose da vacina, a resposta imunológica é desenvolvida a partir do zero. O corpo produz anticorpos e gera células imunes para a criação de anticorpos direcionados. Assim, as células estão aguardando para o desenvolvimento imediato da resposta imune intensa, ação que ocorre ao receber a segunda dose da vacina.

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Porque você não deve ter medo dos efeitos colaterais da vacina contra Covid-19

Apesar dos efeitos colaterais da vacina contra Covid-19, a imunização contribui para a proteção contra uma doença que já matou mais de 440 mil pessoas no país. Dessa forma, os benefícios superam em muito os efeitos colaterais da vacina contra Covid-19. Principalmente porque as vacinas garantem que nenhuma pessoa morra devido à doença após a imunização correta. Contudo, ainda que vacinadas, as pessoas devem continuar mantendo as recomendações contra a contaminação por Covid-19, como forma de evitar o desenvolvimento da doença, ainda que de forma branda.

4 mitos sobre a vacina contra Covid-19

Desde o início da vacinação, muitas informações incorretas foram compartilhadas, levando insegurança e dúvidas para grande parte da população. Por isso, reunimos os principais mitos sobre o assunto para que você não tenha hesitações em relação à vacina.

1- A vacina não é segura

Uma vez que aprovadas para seu uso em massa, as vacinas são seguras e eficazes. Desenvolvidas baseadas na necessidade da proteção, as vacinas aumentam a expectativa de vida, evitam mortes relacionadas às doenças fatais, incapacitação, e é a grande responsável pela diminuição da mortalidade infantil no mundo.

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2- Quem já teve Covid-19 não precisa tomar a vacina

A orientação atual da Organização Mundial de Saúde é para que todos os adultos sejam vacinados. Não excluindo aqueles que já foram infectados anteriormente pela Covid-19. Ainda que os estudos possam apontar a criação de anticorpos contra o vírus após 90 dias, a imunização deve ser realizada, como forma de aumentar a proteção.

É preciso lembrar que a imunidade da vacina é considerada ativa somente após receber às duas doses, contando 14 dias depois da aplicação da segunda dose. Esse é o tempo indicado para que o organismo possa criar anticorpos suficientes para combater o vírus em caso de exposição.

3- Não preciso me vacinar se outras pessoas se vacinaram

Outro mito relacionado ao assunto, a vacinação em massa, ou seja, quando atinge grande número de pessoas, é a única forma de proteção a pessoas saudáveis ou vulneráveis contra doenças e infecções que possam atingir crianças, idosos, adultos e imunossuprimidos.

Chamada de imunidade coletiva, essa proteção se torna eficaz somente quando boa parte da população é imunizada, com a cobertura vacinal atingindo um número médio de 92% a 95% das pessoas do país. Assim, é fundamental que todos que possam ser vacinados adquiram esse direito para proteger não só a si, mas também outras pessoas.

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Ao atingir o número necessário para a imunidade coletiva, é possível evitar a circulação do Novo Coronavírus também onde as pessoas não puderam ter acesso à imunização. Em outras palavras, quando mais pessoas receberem a vacina da Covid-19, menores serão as chances de surto e nova ocorrência da doença naquela população.

4- Vacinas de tecnologia genética alteram nosso DNA

Essa informação incorreta foi muito propagada em relação às vacinas quando uma osteopata norte-americana, Carrie Madej, afirmou na internet que a tecnologia usada seria capaz de criar uma espécie, destruindo a nossa.

A realidade é que, vacinas desenvolvidas a partir de DNA e RNA não são capazes de alterar o material genético do organismo, muito menos alterar espécies. Vacinas a partir do DNA apresentam apenas um pedaço mínimo do código, denominado plasmídeo, e responsável pela modificação e inserção de genes do próprio agente causador da doença, e não do organismo.

Com a introdução da vacina desenvolvida a partir do DNA, este pedaço será reconhecido e lido pelo sistema celular no núcleo das células do paciente, produzindo a proteína codificada por esse gene para que seja reconhecida como estranha pelo sistema imune. Essa ação, induz a produção da imunidade contra a proteína e, consequentemente, contra a doença.

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Para vacinas desenvolvidas a partir de RNA, o mRNA (RNA mensageiro) é incorporado com nanopartículas lipídicas, ou seja, gorduras, que são responsáveis pelo carregamento da fita de mRNA para dentro da célula. Seguindo princípios semelhantes às vacinas de DNA, contudo, sem a necessidade de ser inserida no núcleo da célula. Afinal, o mRNA realiza a tradução da molécula no citoplasma, parte que circunda o núcleo.

Dessa forma, não existe nenhuma possibilidade de que as vacinas desenvolvidas por DNA e RNA possam alterar nosso DNA, visto que não são inseridas no genoma humano. Por isso, quando chegar à sua faixa etária, vá até à unidade de saúde indicada para receber a imunização. Ainda que alguns efeitos colaterais da vacina contra Covid-19 possam estar presentes, nenhum deles será capaz de alterar sua espécie para, por exemplo, um jacaré!

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