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Erro em inscrição tira atletas de SC das Paralimpíadas Escolares e causa revolta

Jovens promessas do esporte correm o risco de ficar sem receber o Bolsa Atleta, que para muitas famílias é fonte de renda; Fesporte apura os responsáveis e tenta reverter

19/11/2021 - 06h51 - Atualizada em: 19/11/2021 - 10h44

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Bianca
Por Bianca Bertoli
Natação na última edição das Paralimpíadas Escolares, em 2019.
Natação na última edição das Paralimpíadas Escolares, em 2019.
(Foto: )

Dezenas de jovens paratletas catarinenses correram o risco de perder a oportunidade de atuar nas Paralimpíadas Escolares, em São Paulo, por conta de uma falha nas inscrições. A Fundação Catarinense de Esporte (Fesporte), responsável pelos registros, diz que uma sindicância interna avalia o que aconteceu. O Comitê Paralímpico Brasileiro (CPB), organizador da competição, afirma que o preenchimento foi feito fora do prazo.

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O impasse foi resolvido nesta sexta-feira após uma articulação do senador Romário (PL) e do secretário de Cultura, Esporte e Lazer de Florianópolis, Ed Pereira. O acordo foi detalhado pelo colunista Renato Igor e definiu que o Comitê Paralímpico Brasileiro (CPB) vai permitir a participação dos atletas catarinenses na competição.

Porta de entrada para alunos de 11 a 18 anos no esporte profissional, as Paralimpíadas Escolares representam uma grande oportunidade por um motivo claro e que envolve valorização financeira: isso porque os primeiros colocados ganham o Bolsa Atleta, programa federal que patrocina competidores de alto rendimento. 

Os bons índices também resultam em novas chances de aperfeiçoamento, como o Camping Escolar Paralímpico. Evento mais importante do país para a faixa etária, as Paralimpíadas servem de vitrine para as promessas dos Jogos Paralímpicos de 2024 (em Paris) e 2028 (Los Angeles).

— Para muitas famílias, o esporte significa também comida na mesa, é o trabalho desses jovens. Essa geração tem muitos atletas brilhantes, vamos perder talentos mundiais — lamenta Rolenia Almeida, mãe de um paratleta.

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Rolenia mora em Blumenau e é mãe de Joshua Almeida, um dos adolescentes que iria para as Paralimpíadas Escolares deste ano, mas que foi prejudicado pelo erro na inscrição. Não é o caso do filho dela, mas há, entre os selecionados, aqueles que já recebem recursos do programa federal e que correriam o risco de ficar sem.

Isso porque como o benefício dura um ano, é necessário participar das competições mais importantes para ter chance de renovação, a depender do resultado. Estar na Paralimpíada é também uma exigência do programa, já que o incentivo serve para preparar o atleta para momentos como este.

Apenas a delegação de Blumenau enviaria 22 atletas, três técnicos e 15 staffs. Com a falha no registro, somente 15 jovens tiveram a inscrição homologada. Porém, sem os outros integrantes da delegação, seria quase impossível a ida da maioria deles, já que muitos necessitam de acompanhamento por conta das deficiências que possuem.

SC foi vice na última edição das Paralimpíadas Escolares.
SC foi vice na última edição das Paralimpíadas Escolares.
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Erro na inscrição

A Fesporte confirmou que 27 integrantes de delegações foram inscritos e outros 56 atletas ficaram de fora, totalizando cerca de 15 municípios afetados. A Fundação garante que as inscrições estão no sistema do CPB, mas que não foram homologadas.  

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O coordenador de Desenvolvimento Esportivo do Comitê Paralímpico Brasileiro (CPB), Ramon Pereira de Souza, contesta a afirmação. Ele explica que não é possível finalizar a inscrição se faltar algum dado. 

A reportagem pediu à Fesporte os dias em que os documentos foram enviados e imagens, mas a instituição respondeu que a área técnica apura os “detalhes das datas”. 

As 27 que foram feitas dentro do prazo foram aceitas.

A data limite para o envio à organização foi prorrogada três vezes, passando de setembro para outubro. Mesmo assim, conta Ramon, dois estados cometeram o mesmo erro.

— Isso aconteceu com Rondônia e Santa Catarina. Nós lamentamos muito, foi difícil negar as inscrições feitas fora do prazo, nós sabemos da necessidade desses jovens de participar das Paralimpíadas Escolares, mas quando se pensa em parceria, os dois lados têm que ter responsabilidade — declarou o coordenador.

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Nas Paralimpíadas Escolares, cabe aos Estados enviarem as informações ao Comitê e pagar o transporte das delegações até a cidade das competições. Chegando ao local, a responsabilidade é do CPB, que custeia toda a estadia. Os prazos precisam ser seguidos por uma questão de logística e organização, destaca Souza.

Santa Catarina é atual vice-campeã das Paralimpíadas Escolares. A última edição aconteceu antes da pandemia, em 2019. 

Sonho frustrado

Para chegar às Paralimpíadas Escolares, as crianças e adolescentes precisam passar por etapas anteriores. Começa com a classificação dentro do município, que envia os melhores aos Jogos Escolares Paradesportivos de Santa Catarina (Parajesc). 

Nessa nova fase, os selecionados seguem para o Nacional, que neste ano ocorre de 23 a 26 de novembro, no Centro de Treinamento Paralímpico em São Paulo. No ano passado não houve por conta da pandemia. 

Foi por causa das restrições impostas para prevenção ao coronavírus que Santa Catarina não fez o Parajesc 2021. A seleção então foi pelas marcas e tempos de cada atleta — os chamados "índices". Uma reunião com as delegações escolheu os que estavam aptos para seguir adiante. 

Os municípios enviaram a documentação necessária à Fesporte, já que cabe ao Estado fazer as incrições, conforme o regulamento do CPB. A Fundação Informou que soube do problema no dia 16 de outubro e que desde então buscava resolvê-lo. 

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Enquanto nada acontece e a menos de uma semana para o início das Paralimpíadas, famílias como a de Joshua buscam respostas. O garoto de 14 anos estava ansioso pela oportunidade. Talento na natação, o adolescente tem o apoio da família para ir em busca dos sonhos. Tinha expectativa de ficar em uma boa colocação e ter nesta fase um pontapé inicial para a carreira. 

Ao que tudo indica, o sonho vai ter que ficar para depois. 

A Procuradoria Geral do Estado entrou com um pedido liminar nesta quarta-feira (17) para tenter reverter a situação, mas a solicitação foi indeferida. O impasse só chegou ao fim com a articulação entre o governo de SC, o senador Romário e o governo federal.

Espera

O caso gerou polêmica entre deputados estaduais, que cobraram respostas na tribuna da Assembleia Legislativa desta terça-feira (16) e nas redes sociais.

As delegações foram informadas do erro no começo de novembro e tentaram resolver a situação, mas sem sucesso. 

Em nota, a Fesporte se comprometeu a "defender os atletas juridicamente, se necessário, para que não haja prejuízo em relação às bolsas". Disse, ainda, que "foi pedido pela Fesporte, à Controladoria Geral do Estado, uma sindicância para que sejam apontados eventuais falhas no processo e seus responsáveis".

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