O governo brasileiro trabalha com o dia 15 de julho como data-chave nas tratativas sobre a possível aplicação de uma tarifa dos EUA de 25% sobre produtos brasileiros. Integrantes da administração de Luiz Inácio Lula da Silva (PT) envolvidos no acompanhamento das negociações consideram que, até esse prazo, Washington deverá tomar uma decisão definitiva. A expectativa, entretanto, é que ainda haja espaço para avanços nas conversas em busca de uma solução que evite a medida.

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A movimentação ocorre após a divulgação, pelos Estados Unidos, de dois relatórios baseados na Seção 301 da Lei de Comércio. O primeiro documento, publicado na terça-feira (2), resultou no anúncio de uma tarifa de 25% contra produtos do Brasil.

A investigação trata de práticas consideradas desleais pelo governo de Donald Trump e abrange temas como o sistema Pix, propriedade intelectual, decisões judiciais e questões ambientais relacionadas ao desmatamento. Segundo o relatório, determinadas ações, políticas e práticas adotadas pelo governo brasileiro seriam “irrazoáveis” e criariam obstáculos ao comércio americano.

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Na quarta-feira (3), Washington apresentou uma segunda proposta tarifária, desta vez voltada a cerca de 60 países. A medida prevê cobranças de até 12,5% em razão de supostas falhas relacionadas ao combate ao trabalho forçado. No entendimento das autoridades americanas, países como o Brasil não impediriam adequadamente a entrada de produtos vinculados a esse tipo de prática. O documento também aponta irregularidades em segmentos específicos da economia brasileira.

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Especialistas em comércio exterior e economistas interpretaram a iniciativa como uma tentativa de Trump de reconstruir seu chamado “muro tarifário”, após a Suprema Corte dos Estados Unidos ter derrubado, em fevereiro, o pacote de tarifas anunciado pelo republicano em 2025.

Nenhuma das duas medidas entrará em vigor imediatamente. Ambas passarão por audiências públicas antes de uma decisão final, prevista para julho.

Prioridade de negociação nas tarifas dos EUA

Dentro do governo brasileiro, a avaliação é que há mais chances de negociar a reversão da tarifa de 25% do que da cobrança de até 12,5% ligada ao trabalho forçado. Isso porque a segunda proposta alcança diversos parceiros comerciais dos Estados Unidos, incluindo países alinhados a Washington, como a Argentina, o que reduziria a possibilidade de um tratamento diferenciado para o Brasil.

Ainda assim, a taxação relacionada ao trabalho forçado é vista por integrantes do governo como um possível elemento de negociação que poderia ser utilizado para evitar a implementação da tarifa de 25%.

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Até 15 de julho, portanto, o foco das tratativas estará concentrado na tentativa de impedir a aplicação dessa sobretaxa sobre os produtos brasileiros.

Entre os temas já identificados pelo governo brasileiro para eventual negociação estão setores considerados estratégicos pelos Estados Unidos. Segundo fontes que acompanham as conversas, há interesse americano em ampliar sua participação no mercado brasileiro de equipamentos da área de saúde e de produtos de tecnologia da comunicação, especialmente hardwares. Também está entre as possibilidades a concessão de benefícios tarifários por parte do Brasil.

Embora o governo Lula tenha reafirmado a possibilidade de recorrer à Lei de Reciprocidade, interlocutores do presidente afirmam que essa alternativa não está no centro da estratégia neste momento e permanece apenas como uma opção disponível.

Na quarta-feira, o próprio Lula indicou que pretende participar da reunião do G7. A viagem poderia abrir caminho para um eventual encontro entre os presidentes dos dois países, embora, até agora, não exista nenhuma agenda marcada nesse sentido.

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*Com informações de O Globo