A cadela Pretinha, que vivia junto com o cão Orelha na Praia Brava, em Florianópolis, segue sob acompanhamento veterinário em Florianópolis. Segundo o profissional que agora acompanha o caso junto da médica veterinária Fernanda Oliveira, Pretinha foi diagnosticada com dirofilariose, doença que é mais conhecida como verme do coração. O animal também desenvolveu anemia por conta da medicação utilizada para tratar a quadro de insuficiência renal crônica, que ela já apresentava desde a última semana. (entenda mais sobre o diagnóstico abaixo)

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Após a morte de Orelha, no dia 5 de janeiro, Pretinha já havia passado três dias sob cuidados médicos. Ela foi liberada no dia 24, mas precisou ser hospitalizada novamente no dia 26. Desde então, segue com os tratamentos.

Veja fotos de Orelha e Pretinha

Apesar dos diagnósticos, Pretinha apresenta um quadro estável e só está “um pouco debilitada”, de acordo com o médico veterinário Pedro Risolia. Ele acompanha o caso após o Petlove, plano de saúde voltado a animais domésticos, “apadrinhar” Pretinha e assumir os custos do tratamento do animal.

— A dirofilariose é uma doença transmitida por mosquito, e é comum nas regiões litorâneas do país. Isso acabou causando algumas complicações na insuficiência renal de Pretinha. Por conta da medicação, acabou agravando uma anemia, que a gente também está acompanhando — disse ele ao NSC Total.

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O profissional conta que ela está passando por hemodiálise dia sim, dia não. No procedimento, uma máquina filtra e limpa o sangue, fazendo parte do trabalho que o rim doente não pode fazer.

Além disso, Pretinha está sendo medicada com antibióticos para tratar a doença do verme do coração, e tomando anti-inflamatório para possíveis dores.

— Ela está evoluindo devagar, mas bem. Não é uma paciente jovem, então é natural que a evolução não seja tão rápida assim. Mas ela tem mostrado bons resultados. Cada dia mais, ela está levantando, aceitando comida, tomando água normalmente e sozinha, sem necessidade de sonda. E deixou de usar sonda para se alimentar também. Ela está melhorando — explicou.

Cuidadora dos cães percebeu mal-estar após morte de Orelha

A cuidadora Carolina Bechelli Zylan sempre tratou Pretinha e Orelha juntos. Após o ocorrido com o cão, Pretinha foi levada para casa dela, momento em que foi observada uma leve incontinência urinária. As investigações clínicas foram iniciadas imediatamente.

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A veterinária Fernanda Oliveira explicou que, na rotina clínica, mudanças bruscas na vida de um animal — como alterações no ambiente ou na convivência — podem impactar aspectos alimentares e imunológicos. No entanto, não é possível afirmar com certeza que o estado de saúde de Pretinha tenha piorado em decorrência da perda do companheiro.

Neste momento, o foco da equipe veterinária é a recuperação do animal.

— Estamos esperançosos, mas com os pés no chão — concluiu a veterinária.

Morte do cão Orelha completa um mês e deixa vazio em bairro

Orelha tinha uma rotina definida: todos os dias, às 17h, ia a uma clínica veterinária da Praia Brava, no Norte de Florianópolis, bairro em que vivia, para brincar com outros cães que estavam no local. Cheio de energia, o cão comunitário gostava de correr atrás de carros e não ficava feliz em ter que passar remédio na ferida que tinha no rosto.

— Ele saía correndo, danado. Então a gente fazia sempre medicação oral — conta a médica veterinária Fernanda de Andrade ao NSC Total.

Descrito como dócil, carinhoso e querido por moradores e turistas, o cão tinha orelhas grandes e pontudas, que sempre estavam de pé. A característica marcante é o que dava nome a ele. 

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Nesta quinta-feira (5), completa um mês desde que Orelha parou de correr atrás de carros e de brincar com outros cães. O animal morreu no dia 5 de janeiro, em uma clínica veterinária, após ser brutalmente espancado. Segundo a Polícia Civil, um adolescente é o principal suspeito de cometer o crime.

Na terça-feira (3), a Polícia Civil concluiu as investigações sobre a morte de Orelha e pediu a internação de um adolescente. Outros quatro adolescentes foram representados pelo caso do cão Caramelo, que também sofreu agressões, mas sobreviveu.

De acordo com a Polícia Civil, o adolescente saiu do condomínio na Praia Brava às 5h25min do dia 4 de janeiro de 2026. Perto das 6h, ele voltou ao condomínio com uma amiga, sendo esse um dos pontos de contradição no depoimento do adolescente. Ao todo, 24 testemunhas foram ouvidas, com oito adolescentes suspeitos investigados. Uma das provas que levaram até o autor do crime foi a roupa utilizada, registrada nas filmagens.

O adolescente viajou para fora do Brasil no mesmo dia em que a Polícia Civil teve conhecimento de quem eram os suspeitos do caso. Ele ficou fora do país até o dia 29 de janeiro e foi interceptado pela polícia ao chegar no aeroporto.

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Quando o adolescente chegou ao aeroporto, um dos familiares tentou esconder um boné rosa e um moletom que estava com ele, peças consideradas importantes pela Polícia Civil na investigação. O familiar também afirmou que o moletom foi comprado na viagem, mas o adolescente admitiu que já tinha a peça, usada no dia do crime.

A delegada Mardjoli Valcareggi, da Delegacia de Proteção Animal da Capital, afirmou que havia o risco de fuga enquanto o rapaz estava fora do país, ou descartar elementos que comprovassem a autoria do crime, como o celular.

Com a conclusão da extração e análise dos dados dos celulares apreendidos, também serão corroborados provas já obtidas, assim como outras informações levantadas sobre o caso. O Tribunal de Justiça catarinense afirmou ao NSC Total que, esse caso, por envolver adolescentes, está em segredo e, por isso, informações não podem ser divulgadas.

Os próximos passos da investigação

Na tarde desta quarta-feira (4), o Ministério Público confirmou que recebeu o relatório das investigações da Polícia Civil acerca dos maus-tratos dos cães Caramelo e Orelha. Agora, cabe a 10ª Promotoria de Justiça da Capital, com atribuição na área da infância e juventude, analisar a investigação para fins de cumprimento dos procedimentos previstos no Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA).  

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O Ministério Público pode:

  • Requisitar diligências complementares;
  • Conceder remissão; 
  • Representar à autoridade judiciária para aplicação de medida socioeducativa; 
  • Ou promover o arquivamento dos autos.   

Em caso de medidas socioeducativas, o caso será encaminhado ao Juízo da Infância e Juventude, que dará início à fase judicial, com a realização de audiência de apresentação, oitiva das testemunhas, alegações finais e, posteriormente, sentença. 

Paralelamente, será analisado o pedido de internação formulado de um dos adolescentes, segundo os requisitos legais. O caso, que tramita em sigilo, será analisado dentro dos princípios que regem o ECA, da forma mais breve possível.   

O que diz a defesa do adolescente

Em nota, os advogados Alexandre Kale e Rodrigo Duarte, representantes legais do adolescente apontado como responsável pela morte do cão Orelha, afirmaram que “as informações que vieram a público dizem respeito a elementos meramente circunstanciais, que não constituem prova e não autorizam conclusões definitivas”.

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Confira a nota na íntegra

Os advogados Alexandre Kale e Rodrigo Duarte, representantes legais do jovem indevidamente associado ao caso do cão Orelha, alertam que informações que vieram a público dizem respeito a elementos meramente circunstanciais, que não constituem prova e não autorizam conclusões definitivas.

A defesa atua de forma técnica e responsável, orientada pela busca da verdade real e pela demonstração da inocência, e protesta contra o fato de, até o momento, ainda não ter tido acesso integral aos autos do inquérito.

Destacamos que a politização do caso e a necessidade de apontar culpado a qualquer preço inflamam a opinião pública a partir de investigações frágeis e inconsistentes que prejudicam a verdade, infringem de forma gravíssima os ritos legais e atingem violentamente e de forma irreparável pessoas inocentes”.