Imagens de câmeras de segurança ajudaram a Polícia Civil de Santa Catarina a identificar uma contradição no depoimento do adolescente indiciado pela morte do cão comunitário Orelha, na Praia Brava, em Florianópolis (assista abaixo). O inquérito da investigação foi concluído nesta terça-feira (3), e a polícia pediu a internação provisória do adolescente apontado como agressor do Orelha. Com informações do g1 SC.
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O jovem, concluiu a polícia, cometeu ato infracional equivalente ao crime de maus-tratos. O delegado Renan Balbino afirma que ele “se contradisse em diversos momentos e omitiu fatos importantes para a investigação”.
O vídeo divulgado pela Polícia Civil mostra o adolescente saindo do condomínio onde estava hospedado às 5h25min do dia 4 de janeiro. Ele voltou às 5h58min, acompanhado de uma amiga. À polícia, ele tinha dito que ficou na área da piscina durante todo o tempo.
Orelha foi agredido por volta das 5h30min.
— O adolescente não sabia que a polícia possuía as imagens dele saindo do local e disse que havia ficado dentro do condomínio. As imagens, roupas e testemunhas confirmam que ele estava na praia — disse o delegado.
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Assista às imagens das câmeras de segurança
O caso Orelha
Orelha foi encontrado agonizando na praia no dia 5 de janeiro por moradores. Ele foi levado ao veterinário, mas, devido aos ferimentos, não resistiu. Derli Royer, responsável pelo socorro emergencial, contou que o animal tinha lesões graves na cabeça e no olho esquerdo, além de forte desidratação.
O laudo da Polícia Científica mostra que Orelha levou um golpe forte na cabeça, possivelmente causado por um chute ou por um objeto rígido, como madeira ou uma garrafa.
Ao todo, 24 testemunhas foram ouvidas e oito adolescentes chegaram a ser investigados ao longo do processo.
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Peças de roupa foram “chaves” na investigação
A roupa usada pelo adolescente também foi importante para a investigação. Segundo a delegada Mardjoli Valcareggi, ele estava fora do Brasil até 29 de janeiro, e a polícia acompanhou a antecipação do voo para abordá-lo no desembarque. A atitude de familiares do adolescente levantou suspeita sobre um moletom e um boné rosa.
— Durante a abordagem, chamou atenção que um familiar tentou esconder um boné rosa na sua bolsa particular. Na revista da mala, esse mesmo familiar apresentou comportamento suspeito ao afirmar que o moletom havia sido adquirido durante a viagem — disse a delegada.
As roupas foram apreendidas e comparadas com imagens reunidas pela investigação, o que permitiu identificar as peças usadas no dia da agressão.
Mais de mil horas de imagens de 14 câmeras de segurança
A investigação analisou mais de mil horas de imagens de 14 câmeras de segurança, além de depoimentos de testemunhas e suspeitos. A polícia também usou uma ferramenta de localização geográfica de um software francês.
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— Como se tratava de um adolescente fora do país, ele poderia empreender fuga ou se desfazer de elementos importantes de prova, como a roupa utilizada e o aparelho celular — afirmou a delegada.
A polícia também finalizou o inquérito sobre a tentativa de afogamento do cachorro Caramelo, na mesma região. Quatro adolescentes foram responsabilizados por atos infracionais análogos a maus-tratos.
O NSC Total e todas as plataformas da NSC não divulgam o nome, nem a identidade dos adolescentes suspeitos em total respeito e consonância ao que determina o artigo 143 do Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA), que veda a “divulgação de atos judiciais, policiais e administrativos que digam respeito a crianças e adolescentes a que se atribua autoria de ato infracional”.
Diz o ECA: “Qualquer notícia a respeito do fato não poderá identificar a criança ou adolescente, vedando-se fotografia, referência a nome, apelido, filiação, parentesco, residência e, inclusive, iniciais do nome e sobrenome.”
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