Voto impresso: veja como funciona e entenda a polêmica

As urnas eletrônicas fazem parte das eleições no Brasil há 25 anos

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Urnas eletrônicas são usadas desde 1996 no Brasil. (Foto: Cristiano Estrela, Arquivo Diário Catarinense)

A polêmica por trás do pedido que solicita a volta do voto impresso tem feito com que um movimento se alastre pelo Brasil. O presidente Jair Bolsonaro (sem partido) e os apoiadores tem defendido o voto impresso para as próximas eleições, em 2022, que vão eleger governadores, deputados estaduais e federais, e o próximo Presidente da República.

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De acordo com Bolsonaro, o voto impresso traria mais confiança do que os votos através das urnas eletrônicas. O presidente ainda alega que houve fraude nas eleições de 2018, quando foi eleito.No entanto ainda não apresentou prova de que isso realmente possa ter ocorrido.

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As urnas eletrônicas fazem parte das eleições no Brasil há 25 anos e já elegeu inúmeros prefeitos, vereadores, governadores, deputados estaduais e federais, senadores e claro, presidentes. A tecnologia usada nelas é conhecida mundialmente pela rapidez e confiança na apuração dos votos.

No entanto, Bolsonaro quer que nas próximas eleições a atitude de votar funcione diferente. Segundo ele, os números que cada eleitor digita na urna eletrônica devem ser impressos e tais papéis devem ser depositados de forma automática numa urna de acrílico. A ideia dele é que, em caso de acusação de fraude no sistema eletrônico, os votos em papel possam ser apurados manualmente.

A PEC pelo voto impresso

Uma Proposta de Emenda à Constituição (PEC) trâmita na Câmarade Deputados e deve ser votada na quinta-feira (5). De acordo com a Agência Senado, Em maio, a Câmara dos Deputados criou uma comissão especial para estudar uma proposta de emenda à Constituição que institui o mesmo modelo de voto impresso pregado pelo presidente da República. A PEC 135/2019 foi redigida pela deputada federal Bia Kicis (PSL-DF) e tem como relator o deputado Filipe Barros (PSL-PR), ambos integrantes da base governista. Barros acaba de apresentar seu parecer, favorável à aprovação da PEC.

O Tribunal Superior Eleitoral (TSE), responsável pela organização das votações brasileiras, refuta as acusações de vulnerabilidade do sistema eletrônico. Em nota enviada à Agência Senado, diz que utiliza o que há de mais moderno em tecnologia para garantir “a integridade, a confiabilidade, a transparência e a autenticidade do processo eleitoral”.

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Segurança da urna eletrônica

A segurança das urnas eletrônicas é reforçada a cada eleição. Uma nova “camada de segurança” é adicionada pelo Tribunal Superior Eleitora (TSE) para que a confiabilidade da tecnologia seja cada vez mais irrefutável.

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Partidos políticos, órgãos do poder público e entidades da sociedade civil são de tempos em tempos convidados a acompanhar e fiscalizar a tecnologia. Especialistas em segurança da informação são chamados a tentar invadir o sistema. Caso se detecte alguma falha, os técnicos da Justiça Eleitoral a corrigem, como explicou a Agência Senado.

A história da urna eletrônica

A origem do equipamento tem DNA catarinense. Foi em 1989, em Brusque, que a votação eletrônica foi testada pela primeira vez no país. Três décadas depois, o sistema mais ágil do mundo dá sinais de avanço.

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O Tribunal Superior Eleitoral (TSE) já anunciou que vai comprar até 180 mil novas urnas eletrônicas para as eleições de 2022 e ainda busca parcerias para desenvolver uma nova modalidade de voto: pelo celular.

Quais são os perigos do voto impresso

Devido à confiabilidade das urnas eletrônicas, existem alguns perigos e inconvenientes que podem ocorrer se os votos voltarem a ser impressos. Segundo o TSE, são pelo menos três grandes problemas que podem ocorrer.

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Mais chances de fraude

Segundo o TSE e a Agência Senado, um dos grandes problemas do voto impresso é a maior chance de fraude, já que pessoas manusearão os papéis.

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Logística

O segundo problema observado é o logístico, já que a cada dois anos precisará ser montado um grande esquema para garantir o transporte e o armazenamento seguro dos votos dos 148 milhões de eleitores brasileiros.

Judicialização das eleições

O terceiro grande possível problema é o risco de judicialização das eleições. De acordo com a Agência Senado, isso significa que candidatos derrotados poderão alegar fraude na votação eletrônica e pedir a contagem dos votos impressos apenas para pôr em dúvida a legitimidade da vitória dos adversários e, assim, fragilizá-los politicamente. Na época do voto em cédulas de papel, isso era comum.

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O que precisa para o voto impresso valer

Para valer, o voto impresso proposto pela deputada Bia Kicis precisa ser aprovado pela Câmara e também pelo Senado. Como se trata de emenda à Constituição, é necessário haver duas votações em cada Casa e o voto favorável de pelo menos três quintos dos parlamentares. Além disso, as votações precisam ocorrer até o dia 2 de outubro de 2021, um ano antes do primeiro turno.

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Em junho, presidentes de 11 partidos políticos — incluindo siglas da base governista — fizeram uma reunião em que decidiram orientar seus deputados federais a rejeitar o voto impresso. Os presidentes avaliaram que o atual modelo de votação e apuração é seguro. Os 11 partidos têm votos suficientes para derrubar a proposta.

Desde a implantação da urna eletrônica em 1996, três tentativas já foram feitas para a implantação do voto impresso. Em 2015, o Supremo Tribunal Federal considerou um projeto semelhante ao que será votado nesta quinta-feira (3) inconstitucional.

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* Com informações de Agência Senado

Entenda o processo para garantir a segurança da urna eletrônica no Brasil

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