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Por que a Polícia Federal não consegue prender Zé Trovão

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Por Dagmara Spautz
19/10/2021 - 12h39
Caminhoneiro de SC está foragido no México
Caminhoneiro de SC está foragido no México (Foto: Reprodução)

Já são quase dois meses desde que o caminhoneiro Marcos Antônio Pereira Gomes, conhecido como Zé Trovão, viajou para o México e conseguiu escapar do mandado de prisão que seria emitido contra ele pelo STF dias depois, por descumprir ordens judiciais. Ele está foragido e seu "turismo internacional" pela América Central deixa um rastro de perguntas. Entre elas, quem o mantém fora do país e por que a Polícia Federal não conseguiu detê-lo, mesmo sabendo onde ele está.

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Em setembro, a PF colocou o nome de Marcos Antônio Pereira Gomes na lista vermelha da Interpol, onde estão os brasileiros com mandado ativo de prisão. Com isso, notificou a polícia internacional de que Zé Trovão é procurado pela Justiça no Brasil e está vivendo no México. A localização dele havia sido identificada por meio de lives e vídeos que o catarinense enviava regularmente a grupos bolsonaristas pelas redes sociais. O próprio caminhoneiro confirmou em entrevistas a jornais brasileiros que estava na Cidade do México.

Quem banca o turismo internacional do foragido Zé Trovão

Sem dinheiro e foragido no México, Zé Trovão quer voltar ao Brasil

Em casos como esse, embora acompanhe os mandados de prisão a PF não tem gerência sobre o cumprimento, que cabe à polícia e à justiça mexicana. Cada país tem um modelo de atuação, e no caso do México a legislação é semelhante à do Brasil. Por aqui, se algum estrangeiro for identificado com um mandado de prisão emitido por seu país de origem, a Polícia Federal só executará essa prisão se ela for referendada pela Justiça brasileira – pelo Supremo Tribunal Federal (STF).

STF mantém prisão de Zé Trovão, que segue foragido no México

O caso de Zé Trovão, que consiste em um mandado de prisão contra um apoiador do governo Bolsonaro, investigado por incitar atos antidemocráticos, coloca o governo e a justiça do México em uma sinuca de bico. Ainda que o presidente mexicano, Andrés Manuel López Obrador, seja de esquerda e distante de Jair Bolsonaro no espectro ideológico, prender um apoiador do presidente brasileiro é uma saia-justa diplomática. Além disso, o caminhoneiro pediu político asilo ao México. 

Fontes ouvidas pela coluna avaliam que, diante desse conjunto de motivos, é pouco provável um esforço ostensivo da polícia mexicana em busca do caminhoneiro brasileiro. A tendência é o México aguarde a própria Justiça brasileira resolver o problema, seja com a suspensão do mandado de prisão, seja com o cumprimento caso Zé Trovão retorne ao Brasil.

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Quem paga a conta

Na segunda-feira (18), o STF negou mais um pedido de habeas corpus a Zé Trovão - o que indica que ele deve permanecer no México. O caminhoneiro já disse que não retornará ao Brasil enquanto tiver risco de ser preso ao desembarcar no aeroporto, mas estaria com dificuldades financeiras para se manter, confirmadas por seu advogado. 

Em setembro, caminhoneiros catarinenses ouvidos pela coluna disseram acreditar que Zé Trovão vinha sendo financiado pelo setor do agronegócio mais próximo ao presidente Bolsonaro. Isso explicaria como ele conseguiu deixar o país e se movimentar livremente no exterior.

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A defesa do caminhoneiro, no entanto, diz desconhecer qualquer financiamento via agronegócio e afirma que as contas de Zé Trovão foram pagas por meio de doações feitas por amigos e apoiadores, que são cada vez mais escassas. Segundo a defesa, o caminhoneiro está se mantendo com recursos que são enviados por amigos e conhecidos - especialmente de SC, das cidades deJoinville, São Francisco do Sul e Itajaí.

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