União vai colocar à venda mais de 40 mil terrenos de Marinha em SC

Compartilhe:

Em Balneário Camboriú, prédios da Avenida Atlântica dividem terreno com a União (Foto: Diorgenes Pandini, Arquivo NSC)

O governo federal anunciou que vai colocar à venda a propriedade da União sobre os “terrenos de Marinha”, áreas demarcadas desde a época do Império que abrangem boa parte dos imóveis à beira-mar em Santa Catarina. Para os proprietários, a aquisição faz com que os imóveis deixem de pagar as taxas de Marinha. No Estado, pelo menos 48 mil imóveis pagam anualmente esses tributos.

Continua após a publicidade

Receba as principais informações de Santa Catarina pelo WhatsApp

– A possibilidade de aquisição já vem desde o governo FHC. Existia a lei, mas não estava regulamentada. Agora, tem a possibilidade de negociação dessas áreas – explica o advogado Eduardo Bastos Moreira Lima, do escritório Prade & Prade, em Florianópolis.

Continua após a publicidade

As áreas de Marinha se enquadram em duas possibilidades. A primeira delas é a ocupação, quando o terreno tem dono, mas é registrado como 100% da União. Nesse caso, quem construiu sobre a área paga um “aluguel” ao governo, chamado de taxa de ocupação. A cobrança equivale a 2% e 5% do valor da área – é como um IPTU, pago anualmente.

O segundo tipo é o aforamento, quando o proprietário obtém o registro de 83% do terreno e os outros 17% permanecem como domínio da União. É o caso, por exemplo, dos arranha-céus de Balneário Camboriú, onde a prefeitura interveio décadas atrás para que os terrenos à beira-mar não ficassem só nas mãos do governo federal. Também é assim em boa parte da Avenida Beira-Mar Norte, na Capital. Nessa situação, a taxa anual que é paga à União corresponde a 0,6% do valor do terreno.

Dona da última praia intocada de Balneário Camboriú, Caixa ainda não sabe o que fazer com terrenos

Como funciona

Para esses proprietários, o programa do governo vai permitir adquirir os 17% de área que hoje são da União. O Ministério da Economia anunciou que quem aderir terá 25% de desconto se pagar à vista, e ficará isento de outra taxa que incide sobre esses imóveis, que é o laudêmio – um tributo semelhante ao ITBI, cobrado sobre as transações imobiliárias.

Continua após a publicidade

Quem se enquadra na chamada ocupação regular – situação em que 100% da área está em nome da União – também pode fazer a aquisição. Mas, nesse caso, precisa pagar 100% do valor do imóvel.

Imóveis de Neymar em SC somam R$ 60 milhões; veja quais são

Continua após a publicidade

– É como se pagasse de novo pelo mesmo terreno, então pode não ser interessante nesse caso. Ainda não se sabe como vai funcionar, porque a Caixa terá que fazer a avaliação dessas áreas. Já para quem está no regime de aforamento, e pode comprar 17%, pode valer a pena – diz o advogado Roberto Lipmann, de Balneário Camboriú, que atua na área.

A primeira fase, que deve ser lançada em outubro, é para terrenos de Marinha que estão no Rio de Janeiro. Em dezembro é prevista a segunda etapa, quando as áreas de Santa Catarina deverão entrar no programa.

Continua após a publicidade

Balneário Camboriú proíbe navegação de embarcações na Praia Central; entenda

Além da praia

A demarcação das áreas de Marinha remonta à época do Império e tem caráter de defesa. Por incrível que pareça, não são apenas terrenos no Litoral que estão sujeitos à taxa de Marinha – qualquer área onde exista influência de maré é considerada propriedade da União. Isso inclui, por exemplo, margens de rios como o Itajaí-Açu e o Rio Tubarão, bem longe do mar.

Continua após a publicidade

As áreas de Marinha correspondem a 33 metros a partir da média das marés em 1831. Mas ainda há regiões em fase de demarcação. É o caso da área insular de Florianópolis.

Animação mostra como será feito o alargamento da praia em Balneário Camboriú

Continua após a publicidade

– Está em discussão desde 2010 nova demarcação dos terrenos de marinha. Muitos proprietários que hoje têm o título de propriedade poderão deixar de ter, se a demarcação da SPU (Secretaria do Patrimônio da União) passe a ser homologada e definitiva. A União anula a matrícula e o proprietário passa a ser ocupante ou posseiro – explica Eduardo Bastos Moreira Lima.

Segundo o especialista, a situação envolve cerca de 40 mil imóveis somente na Capital.

Continua após a publicidade

Participe do meu canal do Telegram e receba tudo o que sai aqui no blog. É só procurar por Dagmara Spautz – NSC Total ou acessar o link: https://t.me/dagmaraspautz

Leia também

Teve reação à vacina da Covid-19? Saiba o que fazer​​

Continua após a publicidade

Vídeo flagra meteoro do tamanho de uma bola de basquete no céu catarinense​​

Variante Delta: veja a eficácia de cada uma das vacinas da Covid

Continua após a publicidade

O que falta para levar Pazuello à cadeia?

Conheça os 16 animais mais estranhos e raros vistos em SC

Continua após a publicidade

As diferenças entre as vacinas da Pfizer, Astrazeneca e Coronavac

Nevascas históricas em Santa Catarina; veja fotos e quando aconteceram

Continua após a publicidade

Efeitos colaterais da astrazeneca; veja os sintomas mais relatados