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Entrevista

Movimento de compra e venda de empresas de Blumenau continuará forte, avalia especialista

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Por Pedro Machado
03/10/2021 - 07h44
Para Flávio Pinheiro Neto, momento da economia é propício para fusões e aquisições
Para Flávio Pinheiro Neto, momento da economia é propício para fusões e aquisições (Foto: Patrick Rodrigues)

O mercado de fusões e aquisições (M&A) nunca esteve tão aquecido. Levantamento recente da KPMG apontou que o Brasil registrou 375 operações desse tipo nos três primeiros meses de 2021, volume recorde para um único trimestre nas últimas duas décadas.

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Em Blumenau, somente neste ano, empresas centenárias, como Cia. Hering e Hemmer, além do Hospital Santa Catarina, anunciaram que terão novos donos. Para o advogado Flávio Pinheiro Neto, que atua na área, esses movimentos não terminarão tão cedo.

> 14 grandes empresas de Blumenau que foram vendidas e o que aconteceu com elas

Essa alta no mercado de M&A é momentânea ou esses movimentos serão mais frequentes?

São duas coisas a se analisar. Primeiro, o momento agora é muito propício por causa da economia. A vacinação se mostrou eficiente na retomada dos negócios. Isso faz com que as empresas acreditem novamente que podem se expandir, crescer e se movimentar, tanto no que diz respeito a compra e venda como na abertura de novas operações, para empresas estrangeiras que vêm ao Brasil. Outro ponto é que o mercado de startups, que parecia ser de movimentos menores nos anos anteriores, está muito em alta, com algumas fazendo IPO (oferta pública de ações, na sigla em inglês). Eu acredito que no ano que vem vamos ter um movimento de M&A muito forte também. Não é algo que vai ser só agora em 2021.

Para a parte envolvida, o que mais costuma pesar na hora de comprar ou vender uma empresa?

Os principais motivos normalmente são crescer, ou o medo de perecer, e ter maior eficiência, enxergar em outro player sinergias. As vezes é possível ver vantagens tributárias. Para quem está vindo de um mercado externo para o Brasil, a porta de entrada pode ser uma empresa já estabelecida, com valores e cultura da região, da cidade e do país. Pode ser por conhecimento tecnológico, trazer uma startup que tem uma tecnologia que a empresa não tem. E muitas vezes é para ter acesso a um determinado mercado regulado. É diferente um pouco dos fundos, que olham muito a capacidade de geração de caixa das empresas e o quanto elas podem crescer recebendo aportes. Eles entram por um determinado período para sair depois. E às vezes a saída é a IPO. Participam das operações para levá-las à Bolsa e sair com a venda de ações.

Como avalia esse grande volume de aquisições de empresas de Blumenau?

Os movimentos aconteceram nesse ano, mas sobre a Hemmer já era sabido no mercado de M&A que havia conversa. Essa negociação Heinz-Hemmer não aconteceu somente em 2021, é um diálogo que vem de longo tempo. Eu acredito que, somado à qualidade da empresa, o portfólio, além desse namoro, é algo que se concretizou agora. No que diz respeito à Hering, é um movimento mais forte. A companhia já tinha passado por um processo de M&A antes. E agora vem uma compra muito considerável da Soma. Mas a Hering já não era uma empresa local há muito tempo. Era um grande player do mercado e que por sorte nossa está sediada em Blumenau. E temos ainda o Hospital Santa Catarina. Esse mercado de saúde vai continuar numa crescente. Pequenos players da nossa região estão sendo assediados quase que diariamente. E outra área que vai refletir muito aqui em Blumenau é a de tecnologia. Temos grandes startups que sofrerão assédio muito forte nos próximos 12 meses, com certeza. Acredito que vamos ter o anúncio de uma venda, ainda em 2021, de uma startup bem importante da cidade, que já está em processo bem adiantado de ser adquirida por um grande player do mesmo ramo dela no Brasil.

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