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Natal de Blumenau quer fazer frente ao de Gramado

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Por Pedro Machado
23/01/2022 - 07h00
Secretaria de Turismo promete "maior área coberta com temática natalina do Brasil" em 2022
Secretaria de Turismo promete "maior área coberta com temática natalina do Brasil" em 2022 (Foto: Prefeitura de Blumenau, Divulgação)

Um spoiler da programação do Natal em Blumenau 2022, divulgado nesta semana pela prefeitura, revela um objetivo ambicioso. Ao prometer “a maior área coberta com temática natalina do Brasil”, a Secretaria de Turismo e Lazer deixa clara a intenção de consolidar a cidade como um dos principais destinos turísticos do país para esta época do ano. E mesmo que o discurso oficial trate de evitar comparações, a meta é fazer frente ao Natal de Gramado (RS), referência no assunto. Não necessariamente superar ou ser maior do que o evento gaúcho, mas tornar-se alternativa a ele.

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— Ninguém vai no mesmo evento de Natal sempre — entende o secretário Marcelo Greuel, que admite que Gramado é fonte de motivação.

Se dentro de 11 meses a Covid-19 permitir – a pandemia já tratou de derrubar muitas previsões de que estaria próxima do fim –, a ideia dos organizadores é ampliar a programação dentro da Vila Germânica. Os setores 1 e 2 se somariam ao Biergarten como palco de atrações, totalizando 20 mil metros quadrados de área natalina. Com a área externa, seriam 30 mil metros quadrados dedicados ao Natal, que mais uma vez começará na primeira quinzena de novembro (dia 11) e se estenderá até janeiro (dia 6).

Além de manter as atuais atrações – Mercado de Natal, pista de patinação no gelo, oficinas, parque de diversões e experiências com neve –, há novidades no radar. Entre elas, uma mini-fábrica de cristais, a ser montada em parceria com a empresa Mozart, e um palco para apresentações de dança, teatro e música erudita, além do retorno dos desfiles na Rua Alberto Stein. Internamente, avalia-se até a possibilidade de os pavilhões adicionais terem praça de alimentação. Seria uma alternativa aos restaurantes do empório, que ficaram pequenos em muitos fins de semana e em alguns casos registraram fila de espera de mais de uma hora.

Fora do alcance do complexo, a revitalizada Rua Curt Hering também deve ganhar desfiles. As apresentações das Cantatas de Natal não ficariam restritas à prefeitura e seriam levadas a outros locais da cidade. Escolas nos bairros também devem ter novas atrações. Novidade na edição de 2021, o Show das Águas, no Rio Itajaí Açu, será triplicado de tamanho. E pode ser instalado na Prainha, se até lá as obras de revitalização do espaço ficarem prontas.

A área de lazer na curva do rio, aliás, é vista pela Secretaria de Turismo como importante agregadora na programação, assim como as novas praças da Estação e Dr. Blumenau e o Frohsinn, todos previstos para serem entregues em 2022. A conferir se o cronograma dessas obras será cumprido.

Dentro da prefeitura, a edição 2021 do Natal é considerada um sucesso absoluto. A conjuntura, é verdade, favoreceu. O evento aconteceu numa janela de relativa tranquilidade da pandemia, com vacinação avançada e números baixos de transmissão do vírus. Também preencheu uma lacuna deixada pelo cancelamento da Oktoberfest – demanda reprimida – e acabou de certa forma compensando a a não realização da Sommerfest.

A ampliação das atrações já estava nos planos. A avaliação é de que é preciso aproveitar a boa exposição que a programação teve, inclusive nacionalmente. Mesmo que ainda não seja a hora, as comparações com Gramado inevitavelmente virão.

Objetivo é ter um "Natal que se paga"

Greuel insiste na tecla de que o Natal tem potencial semelhante ao da Oktoberfest. Embora a prefeitura não consiga mensurar o público – ao contrário da festa de outubro, não há controle do fluxo de pessoas – e tampouco o impacto na economia, algumas percepções corroboram a tese. Lojas e restaurantes da Vila Germânica tiveram semanas de faturamento alto e hotéis comemoraram os altos índices de ocupação no período. Tanto que, a pedido de empresários do ramo, a decoração natalina de 2021 foi estendida por quase uma semana além do previsto.

O secretário acredita que dentro de dois ou três anos o Natal em Blumenau possa ter autossuficiência financeira, assim como a Oktoberfest. Ou seja, com geração de receitas suficientes para cobrir todas as despesas. Inclusive já há conversas com patrocinadores. Até lá, no entanto, o investimento será maior.

— O Natal é caro, mas está claro que ele tem um retorno fantástico para a economia, para o marketing e para o turismo da cidade — atesta Greuel.

O município trata de montar um estoque próprio de decoração. A confusão na prestação de contas do evento Magia de Natal de 2019 fez com que a Associação Blumenauense de Turismo, Eventos e Cultura (Ablutec), até então responsável pela organização, entregasse parte do acervo da entidade, com o qual o município esperava contar, a uma empresa para pagamento de dívidas.

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