Como será a votação do impeachment de Carlos Moisés pelo caso dos respiradores

Sessão por teleconferência vai decidir se afasta governador de SC para julgar possível relação dele com a negociação de R$ 33 milhões ou se arquiva o caso

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Ricardo Roesler é o presidente do tribunal de julgamento, que vai decidir sobre impeachment de Moisés (Foto: Rodolfo Espínola, Agência AL)

Um novo tribunal de julgamento se reúne às 9h desta sexta-feira (26) para decidir se aceita ou rejeita um pedido de impeachment contra o governador de Santa Catarina, Carlos Moisés (PSL). Desta vez, o processo é motivado pela polêmica compra de 200 respiradores com pagamento adiantado de R$ 33 milhões pelo governo do Estado, em março de 2020. Os equipamentos nunca foram entregues e o Estado ainda não conseguiu recuperar todo o valor da negociação.

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A dinâmica da sessão deste tribunal de julgamento será semelhante à do que afastou o governador do cargo por um mês, em razão de outra acusação, em outubro de 2020. No entanto, desta vez o encontro será por teleconferência. A decisão foi tomada pelo presidente do Tribunal de Justiça (TJSC), Ricardo Roesler, que também comanda o tribunal de julgamento, por conta do avanço da pandemia do novo coronavírus no Estado e dos riscos de contágio.

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A previsão é de que a sessão possa se estender ao longo da sexta-feira. Sessão semelhante de tribunal de julgamento contra Moisés em 2020 teve mais de 16 horas de duração.

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Como será a votação

A sessão será aberta com a leitura do parecer elaborado pela relatora do caso no tribunal de julgamento, a desembargadora Rosane Portella Wolff, escolhida por sorteio. Em seguida, o presidente Roesler vai abrir prazo para a manifestação das defesas de Moisés e dos autores da denúncia, por até 15 minutos cada.

Após as defesas dos advogados, a relatora abre o julgamento com a leitura do próprio voto. Os outros membros do tribunal votam na sequência e podem concordar ou divergir das conclusões da relatora. Para que a denúncia seja aceita e Moisés seja afastado temporariamente do cargo, são necessários seis votos. Caso contrário, o processo é arquivado. Os integrantes também podem pedir vista, o que adiaria a decisão por até cinco dias. Em caso de empate, o presidente Ricardo Roesler vota para desempatar.

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Se a denúncia for aceita pela maioria dos membros, Moisés será novamente afastado temporariamente do cargo por até 180 dias. Nesse período, o tribunal misto voltaria a se reunir para fazer o julgamento final do caso, decidindo pelo impeachment definitivo de Moisés ou pelo arquivamento do caso, permitindo o retorno do governador ao cargo.

Foi este último desfecho que o tribunal de julgamento anterior tomou após analisar a denúncia que envolvia o reajuste dado aos procuradores do Estado, em 2020. Agora, a denúncia contra Moisés é sobre uma suposta responsabilidade na compra de 200 respiradores com pagamento antecipado de R$ 33 milhões. Os equipamentos até hoje não foram entregues.

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– Os deputados e desembargadores vão decidir se há indícios suficientes para abrir o processo. Se existirem indícios para isso, vai ser feita uma fase de produção de provas, oitivas de testemunhas. Ao final, se entenderem que com todas essas provas produzidas há motivos para o impeachment e o governador tenha sido culpado, votarão pela sua cassação. Mas a votação desta sexta é de admissibilidade, para indicar se o tribunal admite ou não o processo – detalha o advogado e presidente da comissão de acompanhamento do impeachment da OAB-SC, Rogério Duarte da Silva.

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A abertura do processo citada pelo advogado implica também o afastamento temporário do governador por até 180 dias, se aceita pelo tribunal de julgamento.

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Composição do tribunal

O tribunal de julgamento é composto por cinco deputados estaduais escolhidos pela Assembleia Legislativa (Alesc) e cinco desembargadores do TJSC, definidos por sorteio em outubro de 2020. A ordem de votação após a relatora vai seguir a sequência dos membros há mais tempo nos cargos de desembargador ou deputado estadual. Confira abaixo:

Desembargadora Rosane Portella Wolff (relatora)

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Desembargadora Sônia Schmitz

Deputado estadual Marcos Vieira (PSDB)

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Desembargador Roberto Pacheco

Deputado estadual José Milton Scheffer (PP)

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Desembargador Luiz Zanelato

Deputado Valdir Cobalchini (MDB)

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Deputado Fabiano da Luz (PT)

Desembargador Luiz Fornerolli

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Deputado estadual Laércio Schuster (PSB)

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O caso dos respiradores

O segundo pedido de impeachment de Carlos Moisés tem como base a polêmica compra de 200 respiradores pelo governo do Estado em uma negociação que custou R$ 33 milhões. O valor foi pago de forma adiantada, mas os equipamentos não foram entregues – apenas 50 itens chegaram ao Brasil, mas não tiveram a importação regularizada. Eles acabaram sendo retidos pela Receita Federal e doados ao Estado. Desses 50, somente 11 foram aprovados em avaliação e estão em uso, mas não em UTIs. Como os produtos só puderam ser recebidos por meio de doação, o Estado considera que nenhum dos respiradores foi entregue pelo fornecedor contratado e tenta recuperar integralmente os R$ 33 milhões pagos.

Os respiradores foram comprados pelo Estado junto à empresa Veigamed, do Rio de Janeiro, sem histórico de venda desses produtos. A negociação ocorreu ainda no primeiro mês da pandemia de Covid-19. Com o pagamento adiantado e o atraso no envio, investigações foram abertas pela Polícia Civil, Ministério Público de SC e Tribunal de Contas do Estado, além de uma ação movida pela Procuradoria Geral do Estado (PGE-SC) na 1ª Vara da Fazenda Pública da Comarca de Florianópolis. Duas fases da Operação Oxigênio foram deflagradas, com prisões temporárias de empresários e do ex-secretário da Casa Civil do governo Moisés, mais tarde revertida. O caso foi relevado em reportagem do portal The Intercept Brasil no final de abril.

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O pedido de impeachment foi apresentado por um grupo de 16 advogados e considera que o governador teria sido omisso na negociação, ao não ter tomado providências para evitar o pagamento antecipado dos R$ 33 milhões sem garantia do recebimento dos produtos. Essa conduta, segundo a denúncia, representaria crime de responsabilidade.

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Parte desses denunciantes desistiu do questionamento ao governador em fevereiro. Moisés já teve decisões favoráveis sobre o caso na Polícia Federal, que afastou a possibilidade de crime do governador, e no Ministério Público, que arquivou denúncia semelhante.

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Segundo pedido de impeachment contra Moisés

Este é o segundo pedido de impeachment a que o governador Carlos Moisés responde. O primeiro ocorreu em 2020, em uma ação sobre reajuste salarial dado a procuradores do Estado e que foi questionado na Justiça. O governador chegou a ser afastado temporariamente após o tribunal de julgamento aceitar o processo, mas voltou ao cargo um mês depois, quando a mesma corte decidiu rejeitar o impeachment na sessão final de julgamento por 6 votos a 3.

Na mesma época a Assembleia Legislativa aprovou a tramitação deste segundo pedido de impedimento, relativo à compra dos respiradores. Ao contrário do primeiro pedido, em que a vice-governadora Daniela Reinehr (sem partido) também era alvo da denúncia, neste caso o governador Moisés responde sozinho à acusação – a vice-governadora foi afastada do caso ainda na análise do caso na Assembleia Legislativa.

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