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TÓQUIO 2020

Atletas olímpicos podem beber álcool?

Veja se o happy hour de comemoração é permitido para os atletas

04/08/2021 - 09h03 - Atualizada em: 04/08/2021 - 10h30

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Redação
Por Redação Hora
Atletas olímpicos podem beber álcool, no entanto, a prática foi proibida na edição de Tóquio
Atletas olímpicos podem beber álcool, no entanto, a prática foi proibida na edição de Tóquio
(Foto: )

Uma das maiores dúvidas em relação às olimpíadas é se os atletas olímpicos podem consumir álcool. No início de junho, a organização dos Jogos de Tóquio 2020 afirmou que os atletas teriam permissão para consumir bebidas alcoólicas dentro dos quartos na vila olímpica.

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Contudo, poucos dias depois o Comitê Organizador dos Jogos Olímpicos de Tóquio voltou atrás na decisão, anunciando que era vetado aos atletas olímpicos beber álcool durante os eventos como forma de conter a transmissão do Novo Coronavírus durante as competições e proteger a população. Afinal, a venda de bebidas alcoólicas exigiria o contato com comerciantes dentro da vila.

Mas afinal, não fosse pela prevenção da Covid-19 os atletas poderiam beber? A resposta é sim. O plano era que os atletas olímpicos pudessem consumir álcool dentro dos quartos da vila, evitando somente interação em áreas públicas e comuns. Atualmente, o álcool não é mais considerado uma substância proibida.

Atletas olímpicos podem beber álcool? E o exame antidoping?

O doping é caracterizado pela utilização de substâncias não naturais ao corpo como forma de melhorar o desempenho de forma artificial. Em grande parte do tempo, o doping é realizado por pessoas que buscam potencializar seu rendimento, agilidade, força ou perda de peso.

Em 1967, o Comitê Olímpico Internacional (COI) formou uma comissão para conseguir classificar, controlar e proibir as substâncias utilizadas, aplicando suas devidas punições. Atualmente, as substâncias proibidas são divididas em 5 grupos principais:

Narcóticos;

Agentes anabolizantes;

Estimulantes;

Diuréticos;

Hormônios.

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Com a criação do COI e definição das punições na utilização dessas substâncias, houve um controle rígido nos exames para sua devida identificação. O exame de doping pode ser realizado pela coleta da urina ou sangue, sendo que os controles podem ser realizados nos períodos de competições e fora delas.

Ainda que seja mais utilizado por atletas de alto rendimento, não é incomum presenciar o uso entre pessoas que praticam esportes apenas por lazer. O doping é realizado principalmente quando o indivíduo atingiu fisiologicamente seu limite, desejando aumentar sua performance em força, tolerância à fadiga, melhorar a velocidade de recuperação, e mais.

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Além de substâncias estimulantes que induzem o aumento da atividade cardíaca e metabolismo, diminuindo as dores e alcançando o efeito da adrenalina, hormônio normalmente produzido pelo corpo. Alguns atletas de esportes como o vôlei, basquete, boxe e futebol são historicamente conhecidos por utilizá-las.

Outras substâncias que também são consideradas não naturais e caracterizam o doping são analgésicos e narcóticos, como a morfina e a petidina. Estas atuam na diminuição da sensação da dor, e em alguns casos, utilizadas por atletas de esportes de resistência, como maratonistas.

Já os esteróides anabólicos são substâncias derivadas do hormônio masculino, a testosterona. Elas são responsáveis por induzir o aumento dos músculos, força e potência muscular, e costumam ser usadas por lutadores e atletas de esportes que envolvam força explosiva.

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Mas e o álcool?

Por incrível que pareça, a primeira eliminação da história dos jogos olímpicos por doping foi devido ao consumo de álcool. Nos Jogos de 1968, sediados pela Cidade do México, o pentatleta sueco Hans-Gunnar Liljenwall foi eliminado após apresentar resultado positivo para álcool.

Diferente de hoje, na época os atletas olímpicos não podiam consumir álcool. Atualmente, a eliminação por consumo de bebidas alcoólicas só acontece caso o competidor apresente a concentração maior que 0,1 g/l e, mesmo assim, somente em esportes em que a embriaguez pode ser considerada perigosa, como o tiro com arco.

Foi em 2018 que a Agência Mundial Antidoping surpreendeu com a ausência de duas substâncias que caracterizavam o doping: além do álcool, um dos derivados da maconha, o canabidiol, também foi retirado da lista.

Contudo, após essa decisão, alguns atletas olímpicos ainda não podiam consumir álcool em certas modalidades. Entre elas, estavam os esportes aéreos, motorizados como o automobilismo e power boating (corrida de lanchas) e o tiro com arco. Segundo os dirigentes, os atletas do tiro com arco acabam tendo benefícios com o consumo ao perder a inibição.

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Quais as consequências para o atleta pego no antidoping?

De acordo com o Comitê Olímpico do Brasil (COB), quando é encontrada uma substância proibida na urina ou sangue do atleta olímpico, o laboratório de análise emite um laudo de resultado analítico adverso. Isso porque, a presença da substância pode ser devido a uma autorização de uso terapêutico (AUT).

No entanto, caso o atleta não possua uma autorização válida para a substância que foi encontrada na amostraele deverá responder por uma violação da regra antidoping. A autoridade de gestão do resultado notifica o esse atleta e aguarda sua explicação.

O competidor terá três alternativas: poderá concordar com o resultado e aceitar a punição proposta pela autoridade de gestão de resultados, concordar com o resultado e pedir que seja julgado por um Tribunal, ou então, poderá, também, discordar do resultado e solicitar a análise da amostra B.

No Brasil, os casos de doping são encaminhados pela Autoridade Brasileira de Controle de Dopagem (ABCD), ao Tribunal Antidopagem (TJ-AD). Este será responsável por conduzir todo o julgamento.

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O atleta olímpico terá direito a ampla defesa, e poderá recorrer da decisão no Tribunal Arbitral do Esporte (TAS), última instância de julgamento dos casos no mundo do esporte, localizado na cidade de Lausanne, na Suíça.

As punições para atletas que foram pegos no exame antidoping variam desde uma simples advertência até 4 anos de suspensão, caso essa seja a primeira vez. Se o atleta for pego no exame pela segunda vez, ou seja, não for primário e tiver sofrido sanções por outras violações da regra, sua pena pode ser dobrada.

Para casos mais graves ou reincidentes, o atleta ou equipe de apoio ao atleta envolvidos na violação da regra antidoping, poderão ser banidos do esporte. Enquanto cumprir a suspensão por doping, o atleta não poderá realizar qualquer atividade ligada ao esporte durante esse período. Para muitos, isso pode significar o fim da carreira.

Além do tempo de suspensão, o desgaste que o exame positivo para doping representa para a imagem do atleta é incalculável. Isso inclui a perda de medalhas e títulos, perda de resultados, devolução de premiações e quaisquer benefícios que foram conquistados sob a influência do doping.

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Além disso, a imagem do atleta passa a ser associada a trapaça, corrupção e imoralidade no esporte, fatores que resultam no afastamento de patrocinadores e fãs. Além disso, o custo de um processo, a contratação de advogados e especialistas para realizar uma defesa para o atletaem muitos casos, acaba consumindo todo o patrimônio e reservas financeiras que foram conquistadas durante toda a carreira.

Ainda que o efeito esperado ao consumir substâncias proibidas seja aumentar sua performance, acelerar a recuperação de uma lesão, melhorar o desempenho em uma prova, ou aperfeiçoar determinadas habilidades, nada disso livra o atleta de outros riscos, incluindo o de morte devido ao mal uso de substâncias.

Em muitos casos, os efeitos indesejados não podem ser controlados, afinal, não existe uma dose de segurança, mesmo quando falamos de substâncias aprovadas para uso em humanos.

Isso porque, estes medicamentos são destinados a pessoas com alguma doença ou deficiência, e não foram desenvolvidos para uso em pessoas saudáveis. Por isso, as consequências podem ser devastadoras na vida do atleta.

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Os prejuízos do álcool em atletas olímpicos

De acordo com um estudo publicado na Revista Brasileira de Medicina do Esporte, com a permissão concedida para que os atletas olímpicos possam consumir álcool, alguns realizam o uso para melhorar a função psicológica.

Mas ao assumir esse risco, o desempenho psicomotor do competidor acaba sofrendo maior prejuízo. O estudo identificou que existe uma constante piora da capacidade de processamento de informações.

A permissão concedida para que os atletas olímpicos possam consumir álcool
A permissão concedida para que os atletas olímpicos possam consumir álcool
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Dessa maneira, o desempenho do atleta é afetado. Isso pode ser percebido de maneira mais nítida em competidores que praticam esportes que envolvem reações rápidas a estímulos variados.

Estudos têm demonstrado que mesmo em quantidades pequenas e moderadas, o álcool prejudica o tempo de reação, a coordenação mão-olhos, a precisão, o equilíbrio, e a coordenação de movimentos complexos ou habilidades motoras complexas. Dessa maneira, os estudos concluíram que os atletas olímpicos que consomem álcool, acabam piorando seu desempenho psicomotor.

Além disso, a substância não mostrou nenhum benefício sobre o desempenho físico. Pelo contrário, pode levar a redução da capacidade em determinadas situações. Considerando tudo isso, a decisão de proibir que os atletas olímpicos consumissem álcool durante as olimpíadas contribui para todos eles.

Mesmo que as bebidas alcoólicas não sejam mais consideradas proibidas, nem façam mais parte da lista de substâncias que configuram o doping. Com isso, é muito mais válido esperar a competição acabar para poder beber.

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