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Pandemia

Preços das vacinas contra coronavírus podem variar entre R$ 15 e R$ 185; entenda os valores

Contratos firmados pelas farmacêuticas com governo brasileiro e de outros países indicam valores aproximados dos imunizantes

26/11/2020 - 05h00 - Atualizada em: 01/07/2021 - 12h38

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Jean
Por Jean Laurindo
Entenda as possíveis faixas de preço das vacinas contra coronavírus, que continuam em testes
Entenda as possíveis faixas de preço das vacinas contra coronavírus, que continuam em testes
(Foto: )

O preço das vacinas contra a Covid-19 foi uma das dúvidas que cercou o processo de desenvolvimento dos imunizantes. Com o avanço da vacinação pelo mundo e também no Brasil, os contratos firmados entre as farmacêuticas e os governos deixaram mais claros quais os valores praticados pelos principais imunizantes usados no combate ao novo coronavírus.

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Ao menos quatro vacinas estão sendo usadas no Plano Nacional de Imunização (PNI) aplicado no Brasil: Astrazeneca/Oxford, CoronaVac, Pfizer e, mais recentemente, Janssen. A vacina russa Sputnik V também continuava em fase de análise até junho deste ano e pode ser um novo reforço ao esquema de vacinação do país.

O fator preço ainda varia nos contratos firmados com as farmacêuticas. No entanto, estimativas e valores divulgados em alguns dos acordos firmados, principalmente no Brasil, mostram que os imunizantes podem custar de R$ 15 a R$ R$ 185 por dose (valores atualizados com base na cotação do dólar em 21 de junho de 2021).

As vacinas mais caras pelas estimativas até agora são as desenvolvidas pela farmacêutica norte-americana Moderna e pela parceria entre a também norte-americana Pfizer e o laboratório alemão BioNTech. Essas vacinas têm valores de US$ 10 a US$ 37, o que em moeda brasileira pode representar um custo de R$ 50 a R$ 185 por dose. Elas usam a tecnologia de RNA mensageiro, ou mRNA.

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Em vez de vírus enfraquecido, inativado ou parte do vírus como as proteínas, para “preparar” o sistema imunológico contra a doença, como as vacinas usuais, utilizam uma sequência genética que “ensina” as células do corpo a produzirem proteínas semelhantes à do novo coronavírus e, com isso, permite ao sistema imune reconhecer a ameaça e criar uma resposta.

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Este tipo de vacina também exige congelamento a até -70ºC, o que aumenta a dificuldade com logística para distribuição das doses pelo mundo. Recentente, adaptações que permitem maior tempo das doses em refrigeração de 2°C a 7°C permitiram o envio e a aplicação das vacinas da Pfizer também em cidades do interior do país - até maio, estavam restritas às capitais por necessitarem de ultracongeladores.

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A vacina desenvolvida pelo laboratório AstraZeneca e pela Universidade de Oxford, que teve os resultados de eficácia divulgados nesta semana, tem preço estimado até o momento entre US$ 3 e US$ 5 (de R$ 15 a R$ 26, na cotação de junho de 2021), os menores até aqui.

Confira abaixo informações sobre preços e eficácia de algumas das vacinas contra a covid-19 mais avançadas até aqui:

Preços

Oxford/AstraZeneca: R$ 15 a R$ 26 (US$ 3 a US$ 5)

Reportagem do Financial Times divulgou esta estimativa de valor para a vacina do laboratório AstraZeneca e da Universidade de Oxford, na Inglaterra, citando acordos de fornecimento a países firmados ainda em 2020. O vice-presidente de produção e inovação em saúde da Fiocruz, Marco Krieger, afirmou em comunicado no site da Fiocruz, que a vacina custaria US$ 3,16 (R$ 20, na cotação da época do anúncio, e R$ 15,85, na conversão em 21 de junho de 2021) no acordo firmado entre a Fiocruz e a AstraZeneca, em setembro de 2020. O contrato formalizou a transferência de tecnologia para a produção no Brasil e fornecimento de doses ao Ministério da Saúde.

No início da campanha de imunização no Brasil, o Ministério da Saúde adquiriu 2 milhões de doses importadas da vacina da Astrazeneca/Oxford, feitas na Índia. Nesta negociação, as doses custaram mais caro: US$ 5,25 cada, conforme informou a Fiocruz em nota no site (R$ 26,33, na cotação de 21 de junho de 2021) A vacina é aplicada em esquema de duas doses e é a responsável pela maior quantidade de imunizados no Brasil.

Sputnik V: menos de R$ 50 (US$ 10)

Comunicado oficial do Fundo de Investimentos Diretos da Rússia (RDIF), que financia a pesquisa do Instituto Gamaleya, foi publicado no site da Sputnik V ainda em 2020 informando este valor inferior a US$ 10 (R$ 55, na época do anúncio) para a vacina russa em mercados internacionais. Na Rússia, as doses serão gratuitas.

O Consórcio Nordeste firmou contrato em março de 2021 para a compra de 39 milhões de doses do imunizante Sputnik. O governador do Piauí, Wellington Dias (PT), presidente da entidade, informou o valor de US$ 9,95 por dose, conforme reportagem do UOL (equivalente a R$ 50, na cotação de 21 de junho de 2021). Segundo a mesma publicação, o Ministério da Saúde pagaria US$ 13 em contrato para compra de 10 milhões de doses da mesma vacina - ou R$ 65, na conversão para moeda brasileira).

Pfizer/BioNTech: R$ 50 a R$ 97 (US$ 10 a US$ 19,50)

Este foi o valor acordado em compromisso de compra firmado em julho pelo governo dos Estados Unidos, segundo a agência Reuters. O valor equivalia a US$ 39 para o tratamento, já que ele prevê a aplicação de duas doses para alcançar a imunização. A farmacêutica norte-americana Pfizer e o laboratório alemão BioNTech também assinaram acordo a União Europeia, que segundo a agência Reuters irá pagar menos que os US$ 19,50 por dose acordados pelos Estados Unidos.

Os valores estipulados no ano passado eram superiores aos praticados pela empresa nos acordos de 2021, incluindo com o Brasil. A Pfizer também firmou contratos para fornecer doses ao Ministério da Saúde, após longas negociações com o governo brasileiro, que são alvo inclusive da CPI da Covid.

No primeiro contrato, firmado em março para o fornecimento de 100 milhões de doses, o preço pago pelo governo brasileiro foi de US 10 (R$ 50), segundo reportagem do portal Poder 360, baseda na íntegra do contrato que foi divulgada pelo governo, apesar da existência de cláusula de confidencialidade. No segundo contrato, assinado em maio, o valor pago foi maior: US$ 12 (R$ 60), também segundo matéria do Poder 360.

Moderna: R$ 125 a R$ 185 (US$ 25 a US$ 37)

A estimativa de valor foi informada pelo CEO da farmacêutica norte-americana Moderna, Stéphane Bancel, em entrevista ao jornal alemão Welt am Sonntag publicada no dia 22 de novembro de 2020. O preço foi mencionado ao citar negociação para venda da vacina à União Europeia. Na época, a cotação indicava que o preço máximo era equivalente a R$ 197, na conversão para reais.

Em março deste ano, reportagem da CNN Brasil apontou que o preço elevado poderia ser um impeditivo para o Brasil adquirir doses do laboratório norte-americano. Apesar disso, no início de junho de 2021, o ministro da Saúde, Marcelo Queiroga, informou na CPI da Covid que o país estava negociando a compra de 100 milhões de doses da vacina da Moderna. O preço tratado na negociação não foi divulgado.

CoronaVac: R$ 51 (US$ 10,30)

A vacina chinesa desenvolvida pelo laboratório Sinovac em parceria com o Instituto Butantan, de São Paulo (SP), teve esse preço estipulado no período de divulgação dos resultados, no final de 2020. Em compromisso de compra firmado no fim de outubro entre Ministério da Saúde e Sinovac, foi estabelecido o preço por dose de US$ 10,30 – equivalente a R$ 55, na cotação da época. O acordo, entretanto, foi desfeito no dia seguinte após o presidente Jair Bolsonaro desautorizar o então ministro Eduardo Pazuello.

O acordo foi finalmente formalizado entre governo e Butantan em janeiro de 2021, para o fornecimento de R$ 46 milhões de doses. O preço pago por dose foi de R$ 58,20, conforme expresso no contrato.

* Valores atualizados com base na cotação do dólar em 21 de junho de 2021.

Janssen: R$ 50 (US$ 10)

A vacina da Janssen, que tem o diferencial de precisar de apenas uma dose, foi comprada pelo governo federal ao valor de US$ 10 a dose (equivalente a R$ 50). O acordo firmado prevê a entrega de 38 milhões de doses do imunizantes. A primeira carga, de 3 milhões, estava prevista para chegar ao Brasil na semana de 21 de junho. O restante tem entrega prevista para o segundo semestre.

Eficácia

Oxford/AstraZeneca: até 70%

A vacina teve 90% de eficácia quando foi administrada meia dose e, um mês depois, uma dose completa, e 62% de eficácia quando aplicada uma dose completa e, também um mês depois, uma segunda dose. Na média, o laboratório informou que a eficácia contra o novo coronavírus foi de 70,4%

Sputnik V: mais de 95%

Os resultados da vacina russa foram divulgados no dia 24 de novembro e indicaram mais de 95% de eficácia após a aplicação da segunda dose.

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Moderna: 94,5%

A norte-americana Moderna divulgou no dia 16 de novembro os resultados da fase 3 e informou haver 94,5% de eficácia

Pfizer/BioNTech: 95%

Pfizer e BioNTech divulgaram no dia 18 de novembro os resultados da fase 3 e informaram que o imunizante tem 95% de eficácia contra o novo coronavírus.

CoronaVac: ainda não divulgada

A vacina chinesa, desenvolvida pela farmacêutica Sinovac e que conta com parceria do Instituto Butantan para testes no Brasil e transferência de tecnologia para produção de doses, ainda não teve os testes de eficácia da fase 3 divulgados. A expectativa é de que isso ocorra no início de dezembro.

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