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    Preços das vacinas contra coronavírus podem variar entre R$ 20 e R$ 197; entenda as estimativas

    Divulgação de resultados de eficácia de imunizações contra a Covid-19 despertam dúvidas sobre valores a serem praticados nas negociações das doses

    26/11/2020 - 05h00 - Atualizada em: 18/01/2021 - 13h29

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    Por Jean Laurindo
    Entenda as possíveis faixas de preço das vacinas contra coronavírus, que continuam em testes
    Entenda as possíveis faixas de preço das vacinas contra coronavírus, que continuam em testes
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    As últimas duas semanas marcaram avanços significativos na corrida mundial pela vacina contra o novo coronavírus. Uma das dúvidas que ganham força neste momento de evolução das novas vacinas é o preço.

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    Ao menos quatro vacinas tiveram os resultados de eficácia da fase 3 divulgados pelos desenvolvedores, o que parece abrir caminho para pedidos de registros junto às agências de saúde dos países e planejamento das primeiras vacinações.

    O fator preço ainda não é uma certeza no processo de avanço das vacinas. Mas estimativas mostram que os imunizantes podem custar de R$ 20 a R$ 197 por dose. Oficialmente, apenas a vacina russa Sputnik V teve o preço confirmado – abaixo de US$ 10 para mercados internacionais.

    No entanto, no caso das outras vacinas em desenvolvimento, valores estabelecidos em acordos de compra com países e manifestações de líderes das farmacêuticas e instituições ligadas ao desenvolvimento permitem estimativas sobre o preço das doses.

    As vacinas mais caras pelas estimativas até agora são as desenvolvidas pela farmacêutica norte-americana Moderna e pela parceria entre a também norte-americana Pfizer e o laboratório alemão BioNTech. Essas vacinas devem ter valores de US$ 20 a US$ 40, o que em moeda brasileira pode representar um custo de R$ 100 a R$ 200 por dose. Elas usam a tecnologia de RNA mensageiro, ou mRNA.

    Em vez de vírus enfraquecido, inativado ou parte do vírus como as proteínas, para “preparar” o sistema imunológico contra a doença, como as vacinas usuais, utilizam uma sequência genética que “ensina” as células do corpo a produzirem proteínas semelhantes à do novo coronavírus e, com isso, permite ao sistema imune reconhecer a ameaça e criar uma resposta.

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    Este tipo de vacina também exige congelamento a até -70ºC, o que aumenta a dificuldade com logística para distribuição das doses pelo mundo.

    A vacina desenvolvida pelo laboratório AstraZeneca e pela Universidade de Oxford, que teve os resultados de eficácia divulgados nesta semana, tem preço estimado até o momento entre US$ 3 e US$ 4 (de R$ 16 a R$ 20, na cotação atual), os menores até aqui.

    Atualmente, 11 vacinas estão na última fase de testes em humanos e pelo menos quatro já divulgaram os resultados de segurança e eficácia desta etapa final. Após esta etapa, os desenvolvedores podem avançar para o pedido de registro junto a agências sanitárias dos países, que autorizaria o uso dos imunizantes.

    Confira abaixo informações sobre preços e eficácia de algumas das vacinas contra a covid-19 mais avançadas até aqui:

    Preços

    Oxford/AstraZeneca: R$ 20 (US$ 3 a US$ 4)

    Reportagem do Financial Times divulgou esta estimativa de valor para a vacina do laboratório AstraZeneca e da Universidade de Oxford, na Inglaterra, citando acordos de fornecimento. Oficialmente, a empresa ainda não se posicionou sobre preços. O vice-presidente de produção e inovação em saúde da Fiocruz, Marco Krieger, afirmou em comunicado no site da Fiocruz, que a vacina custará US$ 3,16 no acordo firmado entre a Fiocruz e a AstraZeneca, para transferência de tecnologia visando a produção no Brasil e fornecimento de doses ao Ministério da Saúde. A farmacêutica desenvolvedora, AstraZeneca, alega que irá vender as doses a preço de custo para países em desenvolvimento. Os testes finais foram aplicados com uma dose e meia e duas doses.

    Sputnik V: menos de R$ 55 (US$ 10) para mercados internacionais

    Comunicado oficial do Fundo de Investimentos Diretos da Rússia (RDIF), que financia a pesquisa do Instituto Gamaleya, foi publicado no site da Sputnik V informando este valor para a vacina russa em mercados internacionais. Na Rússia, as doses serão gratuitas. Mais barata que outras vacinas mRNA, como Pfizer e Moderna (essas, acima de R$ 100). São necessárias duas doses, então o custo por pessoa é de US$ 20 (R$ 106).

    Pfizer/BioNTech: R$ 105 (US$ 19,50)

    O preço ainda não foi divulgado pela empresa, mas este foi o valor acordado em compromisso de compra firmado em julho pelo governo dos Estados Unidos, segundo a agência Reuters. O valor equivale a US$ 39 para o tratamento, já que ele prevê a aplicação de duas doses para alcançar a imunização. A farmacêutica norte-americana Pfizer e o laboratório alemão BioNTech também assinaram acordo a União Europeia, que segundo a agência Reuters irá pagar menos que os US$ 19,50 por dose acordados pelos Estados Unidos. O preço a ser pago em eventuais negociações com o Brasil ainda não é conhecido.

    Moderna: R$ 133 a R$ 197 (US$ 25 a US$ 37)

    A estimativa de valor foi informada pelo CEO da farmacêutica norte-americana Moderna, Stéphane Bancel, em entrevista ao jornal alemão Welt am Sonntag publicada no dia 22 de novembro. O preço foi mencionado ao citar negociação para venda da vacina à União Europeia – segundo a agência Reuters, o acordo tinha previsão de ser firmado nesta quarta-feira.

    CoronaVac: R$ 55 (US$ 10,30)

    A única destas cinco vacinas que ainda não teve os resultados de eficácia da fase 3 divulgados, a vacina chinesa desenvolvida pelo laboratório Sinovac também não tem preço oficializado. Em compromisso de compra firmado no fim de outubro entre Ministério da Saúde e Sinovac, foi estabelecido o preço por dose de US$ 10,30 – equivalente a R$ 55, na cotação atual. O acordo, entretanto, foi desfeito no dia seguinte após o presidente Jair Bolsonaro desautorizar o ministro Eduardo Pazuello.

    * Valores com base na cotação do dólar em 25 de novembro de 2020.

    Eficácia

    Oxford/AstraZeneca: até 70%

    A vacina teve 90% de eficácia quando foi administrada meia dose e, um mês depois, uma dose completa, e 62% de eficácia quando aplicada uma dose completa e, também um mês depois, uma segunda dose. Na média, o laboratório informou que a eficácia contra o novo coronavírus foi de 70,4%

    Sputnik V: mais de 95%

    Os resultados da vacina russa foram divulgados no dia 24 de novembro e indicaram mais de 95% de eficácia após a aplicação da segunda dose.

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    Moderna: 94,5%

    A norte-americana Moderna divulgou no dia 16 de novembro os resultados da fase 3 e informou haver 94,5% de eficácia

    Pfizer/BioNTech: 95%

    Pfizer e BioNTech divulgaram no dia 18 de novembro os resultados da fase 3 e informaram que o imunizante tem 95% de eficácia contra o novo coronavírus.

    CoronaVac: ainda não divulgada

    A vacina chinesa, desenvolvida pela farmacêutica Sinovac e que conta com parceria do Instituto Butantan para testes no Brasil e transferência de tecnologia para produção de doses, ainda não teve os testes de eficácia da fase 3 divulgados. A expectativa é de que isso ocorra no início de dezembro.

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