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Qual sua relação com seu trabalho?

Uma máxima dentro da Indústria 4.0 é que tudo aquilo que for atividade repetitiva e previsível será automatizada

20/07/2021 - 06h32 - Atualizada em: 20/07/2021 - 14h33

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Por Redação NSC
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Cenário do futuro do trabalho nos coloca frente a várias questões
(Foto: )

Qual o significado do trabalho? Por que você vai trabalhar todos dias? Para pagar as contas ou para algo mais?

O trabalho pode ser uma das fontes de realização mais ricas de uma pessoa. Ao mesmo tempo, vemos muito esvaziamento no trabalho. Trabalhos sem sentido, significado, que reduzem pessoas a braços e apertadores de botões. Dentro do cenário de futuro do trabalho e transformação digital, muitas vezes se fala do fim do emprego.

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Emprego até sim, trabalho não.

Uma máxima dentro da Indústria 4.0 é que tudo aquilo que for atividade repetitiva e previsível será automatizada. É só dar uma olhada a sua volta: muitas delas já foram, de máquinas pesadas fazendo funções em indústrias, a autoatendimento e robôs de atendimento, somente para citar algumas.

O cenário do futuro do trabalho nos coloca frente a várias questões. Uma delas é o que é trabalho humano?

O último relatório do Fórum Econômico Mundial sobre o Futuro do Trabalho, publicado em outubro de 2020 (esse relatório é atualizado a cada dois anos), trouxe uma estimativa sobre a taxa de automação. Em 2020, 33% do trabalho era executado por máquinas e 67% por pessoas. A previsão é que em 2025 essa proporção se altere para 45% de máquinas e 53% de pessoas.

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E que tipo de habilidades esse cenário pede?

Também, segundo as pesquisas do Fórum Econômico Mundial, pendem habilidades que podem ser agrupadas em 4 categorias:

- Solução de Problemas;

- Autogerenciamento;

- Trabalhar com pessoas;

- Uso e desenvolvimento de tecnologia.

Ou seja, o mundo do trabalho está saindo de um cenário iconizado no filme ainda em preto e branco “Tempos Modernos”, de Chaplin (se você não assistiu, sugiro assistir até o momento que ele é “engolido” pela máquina), onde apenas se precisava de mãos e braços para apertar botões para um mundo que precisamos de cérebro e coração.

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Seja para aprender, resolver problemas, seja para criatividade, inovação e relacionamento com outras pessoas, estamos passando para um momento em que precisamos de pessoas... pessoas inteiras.

O cenário futuro versus o cenário passado (estamos bem no meio da transição) pede mudança nas formas de relações de trabalho. Ao invés de comando controle, microgerenciamento, para construção de relação de confiança, abertura, fluidez, aprender a confiar ao invés de controlar. Sim, existe uma grande diferença entre acompanhar e controlar.

Você pode estar lendo e talvez pensando “ah, mais uma vez esse papo de ser mais humano é só para bonito!”. Não, não é só para “bonito” é para resultado. Ambientes complexos e voláteis pedem muito mais recursos cognitivos e emocionais. O trabalho tem consumido recursos internos de cada pessoa que nem todos tiveram chance de desenvolver. Logo, existe queda no desempenho.

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Efeitos psicológicos e psicossomáticos

Outro fator é toda uma gama de efeitos psicológicos e psicossomáticos que já estão ocorrendo e fazendo muitas organizações perderem ótimos profissionais, bem como profissionais perderem ótimas carreiras por adoecimento mental.

Ainda na pré-pandemia, a Organização Mundial da Saúde (OMS) reconheceu como prioridade em relação a questões de saúde mental ligada ao trabalho: a prevenção à Síndrome de Burnout ou Síndrome do Esgotamento.

De maneira simplista, Burnout é esgotamento. É um stress que não passa, um cansaço que não vai embora. É gradativo e acumulativo. Tem origem no trabalho e impacta outras áreas da vida. Muitas vezes se tem comentários de que "é frescura", ou "coisa de gente fraca"... não é. É uma síndrome que compromete o psicológico, o corpo e as relações.

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Esgotamento ocorre quando se está constantemente em estado de luta ou fuga e isso não é administrado de forma adequada. Detalhe: isso não passa sozinho. Precisa de mudanças na forma de trabalhar e, em casos mais avançados e graves, até mudança de trabalho, acompanhamento psicológico e médico.

Profissionais que se sentem constantemente sobrecarregados, não conseguem desligar um minuto do trabalho, não largam o celular nem para beber água, que começaram a ter pensamentos mais negativos em relação aos relacionamentos profissionais e resultados, ou ainda que começam a ter diversos sintomas físicos aparentemente sem relação (dor de cabeça, dor muscular, disfunções gastrointestinais, entre outras), têm vários sinais de alerta de que algo de negativo está ocorrendo... com possibilidade de ser Burnout.

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Equilíbrio recursos x demandas

Como reconhecer ambientes de potencial risco para Burnout? Empresa que não equilibra recursos X demandas, cria ambientes psicologicamente inseguros (ambientes onde não há confiança nem liberdade mínima de expressão), não tem um mínimo de equilíbrio de bem-estar e saúde. Esses são ambientes potencialmente geradores de Burnout. Lembrando: é uma síndrome ocupacional, ou seja, ocorre em função do trabalho.

E em sua vida? Como está sua relação com o trabalho? Como sua empresa tem se organizado para lidar com o bem-estar?

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Isso não é papo só para “bonito”. Além de ser respeitoso, ajuda a desenvolver pessoas inteiras e fortalecidas para que possam encarar os desafios dos cenários voláteis e incertos que as diferentes empresas enfrentam, além de ser motor de inovação e resultado.

Se por um acaso você se identificou como indo para um caminho não muito saudável, não tenha vergonha, busque ajuda. Você não está sozinho e merece estar inteiro, saudável e produtivo!!!

*Por Cibele Sanches, Multi Especialista em Gestão de Pessoas, Especialista em 4ª Revolução Industrial e participante do Programa Gene Experts do Instituto Gene.

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