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Bolsonaro e Hildebrandt têm visões diferentes sobre férias e papel do gestor público

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Por Pedro Machado
06/01/2022 - 13h46
Bolsonaro, à esquerda, com apoiadores em praia; Hildebrandt, à direita, em live em que comunicou o cancelamento das férias
Bolsonaro, à esquerda, com apoiadores em praia; Hildebrandt, à direita, em live em que comunicou o cancelamento das férias (Foto: Reprodução)

Um camarão mal mastigado interrompeu precocemente as férias do presidente Jair Bolsonaro (PL) em Santa Catarina. Um novo surto de Covid-19 fez o prefeito de Blumenau, Mário Hildebrandt (Podemos), declinar da programação de descanso e tirou a vice Maria Regina Soar (PSDB) da folga já em curso. Na política, algumas coisas são mais difíceis de se digerir do que um crustáceo – ninguém perguntou, mas eu prefiro à milanesa.

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Enquanto a Bahia sofria com as consequências das chuvas, Bolsonaro passeava de jet ski pelo litoral catarinense, dava “cavalo de pau” no Parque Beto Carrero e se servia de frutos do mar. A poucos quilômetros da Praia do Forte, em São Francisco do Sul, onde o presidente se hospedou com a família, Hildebrandt fazia planos para descansar com a esposa e as filhas. A cobrança por uma pausa vinha de dentro de casa desde as eleições de 2020. Ficou para depois.

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Momentos críticos exigem presença da autoridade política. Abrir o cofre e mobilizar estruturas de governo para socorrer quem precisa são ações importantes, mas que por si só não bastam. Estar na linha de frente, matar no peito e assumir a responsabilidade contam. Qualquer manual básico de liderança ensina isso. Pelo visto nem todos pensam assim.

Quem se dispõe a disputar uma eleição deveria saber que férias tornam-se secundárias diante de uma situação de emergência. Não é ignorar o direito que cada um de nós tem de volta e meia se desligar da rotina, mas ter compreensão da altura da função que desempenha. O cargo é sempre maior do que quem o ocupa.

As diferenças de comportamento entre um e outro na gestão da pandemia são tão gritantes que a admiração que Hildebrandt diz ter por Bolsonaro soa cada vez mais um discurso conveniente – talvez para não provocar a ira de um eleitorado local que votou em peso no presidente.

De sintonia entre ambos, talvez sobre apenas a convicção de uma política liberal na economia e conservadora nos costumes. No restante, há antagonismos que passam, sobretudo, pelo modo como cada um age no combate à pandemia. Enquanto o presidente sabota e coloca em xeque a eficácia das vacinas, o prefeito apela para que as pessoas cedam o braço para a agulhada. Enquanto um passeia em meio a uma tragédia, outro abre mão do passeio por causa dela.

Tudo indica que esse distanciamento deve se acentuar. O partido de Hildebrandt, o Podemos, tem em Sérgio Moro um pré-candidato à presidência e opositor a Bolsonaro, do qual foi ministro. Passadas as férias que agora não vão mais acontecer, o prefeito se dedicaria às articulações para trazer o ex-juiz a Santa Catarina em março.

O tabuleiro eleitoral colocou Hildebrandt em xeque: manter o apoio ao presidente, muitas vezes já demonstrado, ou garantir fidelidade à própria legenda e ajudar a construir o palanque no Estado para Moro, que disputará os mesmos votos da direita almejados por Bolsonaro?

A conferir. Ao contrário dos políticos, as articulações da política nunca tiram férias.

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