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    Com dois apagões em 20 dias, Hospital Regional de São José improvisou alicate para manter energia elétrica

    Estado e direção da unidade afirmam que empresa foi contratada para reforma na parte de geradores e que reparos serão feitos nesta terça-feira (30)

    29/03/2021 - 17h34 - Atualizada em: 29/03/2021 - 19h09

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    Por Jean Laurindo
    Alicate de pressão foi utilizado para segurar disjuntor após primeiro apagão, diz documento
    Alicate de pressão foi utilizado para segurar disjuntor após primeiro apagão, diz documento
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    O Hospital Regional de São José sofreu dois apagões em menos de 20 dias no mês de março. O caso mais recente ocorreu na noite deste domingo (28), quando a unidade teria ficado de 20 a 30 minutos sem energia elétrica, segundo a direção, por conta de uma queda da rede externa em alguns bairros da cidade.

    O primeiro episódio foi em 12 de março e deixou o hospital sem luz por quase duas horas, conforme o sindicato de trabalhadores da saúde. Nas duas situações, os geradores não teriam funcionado como o previsto, de forma automatizada.

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    Após o primeiro blecaute que afetou o hospital, a gerência administrativa do Hospital Regional de São José enviou um ofício para a Superintendência de Hospitais Públicos Estaduais (SUH), que integra a Secretaria de Estado da Saúde, com um relato do ocorrido e alertas sobre problemas na rede elétrica da unidade.

    Um dos pontos que mais chama a atenção no documento é o fato de que naquela ocasião o problema só foi resolvido com um improviso: um alicate de pressão foi usado para manter um disjuntor ligado. O ofício enviado três dias após o apagão, em 15 de março, afirmava que o alicate permanecia até aquele momento segurando o disjuntor de parte da rede elétrica do hospital.

    A direção da unidade informou à reportagem que, desde então, já foram feitos ajustes e manutenções que dispensaram o uso improvisado da ferramenta.

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    A gerência administrativa da unidade também manifestou preocupação por fatores citados no ofício, como não haver um esquema elétrico do prédio, haver somente um eletricista para todo o hospital e a estrutura elétrica ter mais de 34 anos de uso, com “disjuntores extremamente antigos e obsoletos”, segundo o texto.

    Ao fim do documento, o hospital pede uma lista de 11 melhorias, como troca de disjuntores e da chave de comutação, que alterna a energia da rede para os geradores, compra de baterias para os geradores, contratação de eletricistas e outras medidas.

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    O que diz o Estado

    No sistema de gestão de documentos do governo de SC, o processo aparece como sigiloso e não permite consulta pública para identificar se o Estado respondeu ou providenciou alguma das ações solicitadas pelo hospital.

    A reportagem questionou a Secretaria de Estado da Saúde, por meio da assessoria de imprensa, mas o órgão não comentou a situação de improviso com alicate relatada no documento. Também não informou se as solicitações feitas pelo hospital foram atendidas.

    A secretaria enviou uma nota em que informa apenas que a falta de energia no hospital neste domingo ocorreu por uma “breve queda de luz no bairro” e que o gerador foi acionado e funcionou manualmente. Afirmou também que nesta segunda-feira (29), uma empresa que vai executar uma reforma no gerador iria visitar o hospital para fazer o orçamento das peças necessárias para a automatização do equipamento. Não foram repassados detalhes sobre esta reforma.

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    O diretor do Hospital Regional de São José, Daywson Koerich, confirmou que o gerador funcionou na queda de energia do domingo e que o acionamento dele precisou ser feito de forma manual. Isso ocorre, segundo ele, por conta de um problema na peça chamada chave comutadora, que alterna a fonte de energia para o gerador quando há quedas na rede externa. Uma empresa irá trocar essa peça nesta terça-feira (30), às 13h, de acordo com o diretor. O serviço deve exigir três quedas de energia programadas durante a tarde. O hospital será abastecido pelo gerador.

    Koerich afirma que em paralelo a essa manutenção feita de forma emergencial existe um processo administrativo para a troca de todo o quadro elétrico do hospital. Esse serviço, no entanto, ainda está em fase de licitação.

    O diretor admite que o quadro elétrico do hospital é antigo e precisa de atualização, mas tranquiliza afirmando que baterias e no breaks também permitem manter o atendimento a pacientes em caso de quedas de energia.

    – O gerador não é a única ferramenta que precisa ser acionada em questão de pane elétrica. Temos outras duas barreiras de segurança. Primeiro: todos os equipamentos ligados aos pacientes têm que funcionar com baterias. Além disso, esses setores (mais críticos) têm no breaks, equipamento que vê oscilação elétrica, também tem bateria e permite manter minimamente aquelas estruturas, principalmente de UTI, por um tempo ainda ligadas. E, além disso, tem o gerador – pontua.

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    O presidente do Sindicato dos Trabalhadores na Saúde de Santa Catarina (Sindsaúde-SC), Djeison Stein, afirma que a entidade participou de reunião na semana passada em que a direção do hospital teria reconhecido os problemas na rede elétrica e apresentado um orçamento de cerca de R$ 150 mil para os reparos.

    – Para a secretaria não é um valor exorbitante, nada que impeça o Estado de resolver esses problemas para não causar consequências, impedir qualquer paciente de vir a óbito. É uma coisa que demanda certa urgência, tem que ser feita o quanto antes. E não só ali, mas evitar que isso aconteça em outros hospitais – alerta.

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    Relembre os dois episódios

    28 de março

    O caso mais recente de falta de energia elétrica no Hospital Regional de São José ocorreu na noite deste domingo (28). O apagão foi ocasionado por um problema na rede elétrica da Celesc que abastece ao menos quatro bairros de São José, na Grande Florianópolis.

    A Celesc divulgou uma nota em que informou que a chuva e os raios que atingiram a região interromperam o fornecimento de energia elétrica para mais de 12 mil unidades consumidoras da cidade – incluindo o complexo hospitalar. Funcionários e a direção informaram que a situação teria durado de 20 a 30 minutos. Segundo a Celesc, a queda ocorreu por volta das 19h e o serviço foi reestabelecido na instituição de saúde às 19h46min.

    A Celesc afirma na nota que o grupo de geradores do hospital não entrou em operação no momento da queda de energia. A informação diverge do que foi repassado em nota pelo Estado, de que eles teriam sido ativados manualmente. A direção do hospital também sustenta que desta vez os geradores funcionaram, mas que tiveram que ser acionados de forma manual por conta no defeito na peça que deve ser trocada nesta terça. O não acionamento de geradores tinha sido relatado por funcionários do hospital no primeiro apagão, em 12 de março. 

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    12 de março

    O primeiro apagão nesse intervalo de 20 dias no Hospital Regional ocorreu em 12 de março. Funcionários contaram que a unidade teria ficado sem energia elétrica por mais de uma hora. Na ocasião, o próprio Estado admitiu que uma pane elétrica impediu o acionamento dos geradores, que deveriam atuar nestas situações para impedir que o hospital fique sem energia elétrica.

    À época, o Sindsaúde e funcionários do hospital relataram que precisaram ajudar a fazer ventilação manual de pacientes com Covid-19. Foi a partir deste episódio que o hospital relatou problemas na parte elétrica e solicitou a lista de reparos ao Estado.

    O hospital

    O Hospital Regional de São José é um dos 12 hospitais que têm administração direta do Estado. Durante a pandemia de Covid-19, a estrutura ganhou ainda mais importância porque passou a receber pacientes em estado grave com complicações da doença. Até esta segunda-feira, o painel do governo do Estado mostrava que a unidade tinha 79 pessoas internadas em leitos adultos de UTIs – 50 no hospital e 29 no Instituto de Cardiologia, que também faz parte do complexo hospitalar. Os números correspondem a 100% de ocupação das vagas disponíveis nas unidades.

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