Tem um cofre no Centro Histórico de Blumenau que já guardou o dinheiro de um banco e, hoje, abriga linhas de crochê. Não longe dali, há uma casa onde uma ex-atriz dos palcos de Viena enterrou os amados gatos de estimação com cerimônia e cortejo pelo quintal. Mais à frente, um museu em que o cheiro de malte é onipresente, os guias falam com paixão sobre cerveja e o visitante sai com o paladar diferente de como entrou.
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Blumenau tem museus sobre cerveja, sobre morte, sobre uma marca famosa e centenária de camisetas e sobre o dia a dia de uma colonização que fincou raízes profundas no Vale do Itajaí. Apesar das diferenças, todos têm em comum uma coisa: nenhum é exatamente o que parece ser antes de entrar.
Museu da Cerveja
Não há silêncio de biblioteca, nem placa pedindo para não encostar. O Museu da Cerveja é uma das poucas visitas em Blumenau onde o visitante sai com o paladar diferente de como entrou. Há guias que falam com paixão sobre o assunto, projeções sensoriais nas paredes, amostras de cervejas geladas que surpreendem o paladar e o cheiro característico de quem leva a bebida a sério.
Ao longo de oito salas temáticas, a exposição funciona como uma porta de entrada para entender por que Blumenau carrega o título de Capital Brasileira da Cerveja.

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O acervo inicial veio de equipamentos da antiga Cervejaria Feldmann e da Brahma, que era a cerveja oficial da Oktoberfest, mas foi uma reforma após 2020 que transformou o lugar no espaço sensorial que é hoje.
O museu fica na Rua XV de Novembro, 160, na Praça Hercílio Luz, bem no coração do Centro Histórico. Foi inaugurado em 24 de setembro de 1996 e, após um processo de concessão privada, passou por uma ampla reforma que renovou toda a proposta de visitação.

Em janeiro, o ingresso custa R$ 60. A partir de fevereiro, o valor retorna à tarifa de média temporada, fixada em R$ 40. Há meia-entrada para idosos, para menores de idade de 12 a 18 anos, doadores de sangue, estudantes e professores, mediante apresentação de documento comprovante. Menores de 12 anos não pagam.
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Os ingressos podem ser comprados on-line, pelo site do museu, ou diretamente na bilheteria. Para quem quer se organizar antes, o telefone de contato é (47) 3326-7714. Vale também conferir o perfil oficial no Instagram.
Museu Haas
Do lado de fora, as paredes já contam uma história. São nomes, datas e rostos de uma família que chegou à colônia Hammonia, hoje Ibirama, em 1904, e passou mais de um século fazendo o que a maioria das pessoas prefere não pensar: cuidar dos mortos.

Dentro do local, começa o acervo histórico. São ornamentos tumulares, ferramentas de marmoraria, fotografias, negativos de vidro, catálogos, recibos e máquinas que ainda parecem guardar o peso de tudo que ajudaram a construir.
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O Museu Haas é o primeiro do Brasil dedicado à preservação do patrimônio cultural funerário. O local tem o mérito raro de transformar um tema que causa estranheza em algo que convida à reflexão sobre finitude, história e trabalho.
Antigamente chamado de memorial Funerário Mathias Haas, foi inaugurado em 20 de julho de 2017. O espaço ocupa a antiga moradia dos sogros de Rolf Haas, em um terreno da família. Foi escolhido justamente por ser mais seguro do que a sede da funerária na Rua São Paulo, que historicamente sofre com as enchentes.

O museu fica na Rua José Deeke, 751, no bairro Escola Agrícola, e conta com estacionamento próprio e diversos recursos de acessibilidade. A visita é mediada, gratuita e acontece com agendamento prévio. O horário de funcionamento é de segunda a sexta-feira, das 13h às 17h, e aos sábados, das 8h até 12h.
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O contato pode ser feito pelo e-mail contato@haas.museum, pelo telefone fixo (47) 3222-9918, pelo WhatsApp (47) 99122-8532 ou até pelo site oficial.

Museu de Arte de Blumenau
Quem passa pelo Centro Histórico com frequência sabe que, de tempos em tempos, o Museu de Arte de Blumenau (MAB) muda. As obras saem, chegam outras, e o prédio de 1875 na Rua XV de Novembro parece sempre ter algo novo para oferecer a quem entrou pela última vez há apenas dois meses.

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São cinco salas, exposições temporárias que se renovam a cada 45 dias e uma programação que alterna artistas locais, catarinenses e de todo o Brasil. O museu se define pela “socialização da arte em todos os níveis”, e não é uma declaração vazia. As noites de abertura reúnem entre 150 e 200 pessoas só naquelas horas, misturando blumenauenses com visitantes de outras cidades.

O Museu de Arte de Blumenau abriu as portas em dezembro de 2004 em um prédio histórico de 1875, na Rua XV de Novembro, no Centro. É o terceiro museu de arte de Santa Catarina, depois dos de Florianópolis e Joinville, e tem apenas 22 anos de existência, como conta a gerente Mia Ávila.
A temporada atual, a primeira deste ano, fica aberta até este domingo (26) com obras de artistas de Santa Catarina e Paraná. No total, 24 projetos foram selecionados para as temporadas deste ano, com temáticas diversificadas. O funcionamento é das 10h às 16h, de terça a domingo, e a entrada é sempre gratuita. A visitação pode ser espontânea ou guiada para grupos nas terças a sextas-feiras, agendadas pelo telefone (47) 3381-6176 ou pelo e-mail gerenciamab.smc@blumenau.sc.gov.br.
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Museu Hering
A maioria das pessoas que conhecem e que, literalmente, vestem a camiseta não sabem quem é o homem ou a história por trás, mesmo tendo uma rua com o nome dele e a fábrica estando logo ali. A casa feita de madeira e barro que marca a entrada do complexo Hering, no bairro Bom Retiro, já tem mais de 100 anos, mais do que qualquer pessoa viva que visitou o lugar em Blumenau.

Há peças que remontam a 1878, quando Hermann Hering chegou a Blumenau com 43 anos, comprou um tear circular e levou um tempo para aprender a operá-lo. Dois anos depois, o irmão Bruno chegou e os dois fundaram a empresa. O nome, aliás, carrega uma curiosidade que poucos sabem: “Hering”, em alemão, é a palavra para o peixe arenque. Por isso, o logotipo da companhia tem dois peixinhos, um para cada irmão.
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O Museu Hering é o mais visitado da cidade, segundo dados do Observatório de Turismo. Nos 10 primeiros meses de 2025, passaram pelo espaço 11.917 pessoas. Hoje, a Cia. Hering conta com 146 anos de existência e é uma das empresas mais antigas do Brasil ainda em atividade. Dizer que a história da Hering é, também, a história de Blumenau não chega a ser exagero.
O Museu Hering fica na Rua Hermann Hering, 1.740, no bairro Bom Retiro, dentro do complexo da empresa. A entrada é gratuita e há recursos de acessibilidade. Para o Museu Hering Experience, é necessário agendamento prévio pelo site da Fundação Hermann Hering através deste link. O museu funciona de segunda-feira a sábado, das 10h às 16h. O complexo inclui ainda um jardim suspenso no telhado projetado por Burle Marx.

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Museu da Família Colonial
Os cômodos são pequenos e as paredes guardam os registros históricos. Um vestido de casamento que nunca mais foi usado, uma máquina de costura que um dia foi novidade, móveis de madeira que viram gerações nascerem e morrerem dentro daquela casa. Quem entra em uma das casas do Museu da Família Colonial, na Alameda Duque de Caxias, no Centro de Blumenau, faz uma viagem no tempo.
O museu existe desde 1967 e, mais de meio século depois, continua sendo uma das visitas mais procuradas por quem quer entender como Blumenau virou Blumenau. Três casas construídas nos séculos 19 e 20, um acervo bem cuidado com 6.200 peças, um parque botânico, uma atriz viajante que virou uma reclusa apaixonada por natureza e gatos e um cemitério destes mesmos felinos contam a história da propriedade no Centro Histórico.

É a história de Edith Gaertner, sobrinha-neta do fundador da cidade, que atuou nos palcos de Viena e Leipzig, voltou ao Brasil quando os irmãos adoeceram e nunca mais partiu. Passou o resto da vida naquelas paredes, criando gatos e sepultando cada um com cerimônia e cortejo em um cemitério que ainda existe nos fundos do terreno, com lápides de concreto e nomes gravados: Pepito, Mirko, Bum, Peterle, Musch, Schnurr, Sittah, Putze e Mirl.
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O museu fica na Alameda Duque de Caxias, no Centro Histórico, e existe desde 1967, quando Edith morreu e a prefeitura transformou a propriedade em espaço cultural. São três casas tombadas pelo IPHAN, a mais antiga delas datada de 1858 e considerada a edificação mais antiga de Blumenau ainda de pé. O museu está aberto ao público de terça-feira a domingo, das 10h às 16h.

A entrada inteira custa R$ 12, mas estudantes e professores tem direito a meia-entrada, de R$ 6. Pessoas acima de 65 anos, pessoas com deficiência física (PCD), crianças abaixo de cinco anos ou quem faz parte do Plano Nacional de Educação (PNE) têm direito a gratuidade na entrada. Grupos podem agendar visitas com antecedência pelo telefone (47) 9968-9801.
Museu de Hábitos e Costumes
O cofre ainda está lá. Pesado, metálico, com aquele charme antiquado de quem já guardou o dinheiro de uma cidade inteira, ele ocupa um canto do térreo do casarão na Rua XV de Novembro. Nos outros cômodos, estão vestidos de noiva, chapéus de feltro, maletas de couro, ferros de passar roupa e até uma casinha de boneca de 1914. Tudo isso no Museu de Hábitos e Costumes, que tende a surpreender e até chocar quem visita.
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Em uma maleta feita do couro de um jacaré de estimação, numa caixa de casamento com um segredo de casal guardado por mais de cem anos e em um traje de banho da Belle Époque, está a história cotidiana de Blumenau desde o século XIX.
O acervo de cinco mil peças existe porque Ellen Vollmer passou a vida inteira prestando atenção nas coisas que o mundo costuma deixar o tempo levar. O nome do acervo é “Abriram-se as malas” por conta da forma como o acervo foi guardado pela ela. Ellen reuniu todos os objetos em 75 malas e utilizou saquinhos de pimenta do reino para conservação das peças.

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O Museu de Hábitos e Costumes fica na esquina das ruas Alwin Schrader e XV de Novembro, nº 25, no Centro Histórico de Blumenau. Funciona de terça a sexta-feira, das 10h às 16h. O ingresso custa R$ 12 e a meia-entrada é R$ 6, com as devidas isenções. O espaço conta um elevador para acessibilidade.
O local abriga exposições de longa, média e curta duração, com acervo pertencente ao museu e eventualmente de particulares. Escolares e outros grupos devem agendar previamente as visitas, não sendo cobrado ingresso nesse caso específico. O agendamento é feito pelo contato (47) 3381-7979 ou pelo e-mail museudafamiliacolonial@fcblu.com.br.
Mausoléu Dr. Blumenau
Há uma mulher de 87 anos na Alemanha que deixou escrito no testamento que quer ser enterrada em Blumenau. Jutta Blumenau-Niesel é bisneta do homem cujos restos mortais estão depositados em um memorial no coração do Centro Histórico. O pedido que ela fez à prefeitura tem uma frase que resume bem o que o Mausoléu representa para quem carrega aquele sobrenome, “o desejo do meu coração”.
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O espaço guarda os restos mortais de Hermann Bruno Otto Blumenau, o fundador da colônia que deu origem à cidade, e de outros membros da família. Ele morreu na Alemanha e foi sepultado em Braunschweig, em 30 de outubro de 1899. Em 2 de setembro de 1974, 75 anos da morte, os restos mortais retornam para Blumenau, que repousam junto aos familiares.

Do lado de fora, fica a estátua de bronze do fundador, erguida em 1940 e criada pelo escultor Francisco Andrade. O homem é descrito como um “exemplo de estrangeiro que soube amar o Brasil e bem servi-lo”, como diz a placa. Do lado de dentro, objetos, fotografias e exposições que contam quem era o homem antes de virar nome de rua, de empresa, de cidade.
Há desde uma carta de despedida escrita pelo Dr. Blumenau a Dom Pedro II até uma maquete da Ponte da Estrada de Ferro. É um lugar que as pessoas de Blumenau passam vendo da calçada sem necessariamente entrar, e que, quando entram, tendem a sair com uma noção diferente de por que a cidade é do jeito que é.
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O Mausoléu Dr. Blumenau fica na Rua XV de Novembro, 161, no Centro Histórico, integrado ao complexo da Secretaria Municipal de Cultura, a poucos metros do Museu da Cerveja e do Museu de Hábitos e Costumes. Foi inaugurado em 2 de setembro de 1974, durante o Sesquicentenário da Imigração Alemã no Brasil, e idealizado pelo professor José Ferreira da Silva. A visitação é gratuita e acontece diariamente das 10h às 16h. O telefone de contato é (47) 3381-6178.



































































