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Economia da vida real fez Bolsonaro lembrar que bloqueio de estradas é mau negócio

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Por Pedro Machado
09/09/2021 - 15h20
Bloqueio nas estradas provocou corrida a postos. Alguns deles ficaram sem combustível
Bloqueio nas estradas provocou corrida a postos. Alguns deles ficaram sem combustível (Foto: Patrick Rodrigues)

O presidente Jair Bolsonaro inflamou seus fiéis seguidores e conseguiu o que queria no 7 de Setembro: manifestações expressivas de rua que garantiram a foto e irão sustentar o discurso de que todo mundo – o STF, o ministro Alexandre de Moraes, o PT, o Lula, o presidente do Senado, governadores, prefeitos, o cachorro do vizinho – é culpado pelos problemas do Brasil, menos quem ocupa o mais alto posto da nação. Acredita na retórica quem quer.

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Passado o êxtase bolsonarista do feriado da Independência, o Brasil acordou no dia 8 de setembro do mesmo jeito que foi dormir no dia 6: com 14 milhões de desempregados, inflação beirando os dois dígitos, crise hídrica, risco de racionamento de energia e pandemia ainda longe de controle absoluto. Mas tudo isso parece não ser importante para os que se regozijaram em denunciar a “iminente ameaça comunista” em faixas escritas em inglês – em alemão, em espanhol – para o mundo ver.

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Quando ainda se recuperava da ressaca do dia anterior, a quarta-feira reservou ao Brasil cenas que remontam ao caos social: estradas bloqueadas desencadearam uma corrida aos postos de combustível. Com medo de desabastecimento, motoristas fizeram fila para encher o tanque do carro. Em Blumenau, quem dirige pagou pela gasolina comum um preço médio de R$ 5,68 o litro, isso considerando a mais recente pesquisa da Agência Nacional do Petróleo (ANP), feita entre 29 de agosto e 4 de setembro. Em janeiro, o litro custava R$ 4,41.

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Em um país tão dependente do modal rodoviário, fechar estradas é um mau negócio porque tem efeito devastador na economia – e Bolsonaro sabe disso. Não é preciso ir muito longe para lembrar: em 2018, a produção industrial brasileira despencou 10,9% em maio na comparação com abril, no rastro dos 10 dias de paralisação dos caminhoneiros. A inflação mensal deu um salto à época, passando de 0,4% para 1,26%. Um tombo desses não se recupera da noite para o dia.

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São essas consequências que levaram o presidente a enviar um áudio a caminhoneiros apelando pela desmobilização de algo que ele próprio ajudou a criar. Não se engane: não se trata de um suspiro de bom senso ou de alguém que entende a relevância do cargo e está pregando a paz institucional. Bolsonaro pode até manter os que já tem, mas não ganha novos votos e adeptos às suas bandeiras ao se associar a um movimento que, além de se sustentar em causas nada republicanas, prejudica o direito de ir e vir e afeta a distribuição de gasolina, comida, remédios e vacinas. Tudo isso encarece produtos básicos a uma população que já está com o poder de compra corroído pela inflação.

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Há quem diga que um cão raivoso preso é difícil de ser domado depois de solto. Aos poucos caminhoneiros começam a desobstruir as estradas, mas dada a peculiar beligerância do presidente da República, não se sabe quanto tempo levarão para ser controlados caso novos movimentos voltem a acontecer.

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