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Política

Relembre como foi a votação por bairros para prefeito de Joinville nas Eleições 2016

Cientista político analisa se o cenário pode ter reflexos no resultado da disputa em 2020

19/10/2020 - 06h43

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Hassan
Por Hassan Farias
Vista aérea da cidade de Joinville
Vista aérea da cidade de Joinville
(Foto: )

As eleições de 2016 em Joinville foram marcadas pela disputa no segundo turno entre Darci de Matos (PSD) e Udo Döhler (MDB). Na ocasião, o empresário saiu vencedor com 55,6% dos votos e assegurou a reeleição. Mas será que essa fotografia de quatro anos atrás pode ter reflexos na corrida pela prefeitura nas Eleições 2020?

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Nas últimas eleições municipais, Döhler conquistou a vitória com a maioria dos votos em 23 dos 40 bairros com locais de votação em Joinville. Os dados são do Tribunal Regional Eleitoral (TRE). O domínio aconteceu em bairros centrais e da zona Norte, como América, Glória e Saguaçu.

A vitória emedebista também aconteceu em bairros de outras regiões, como Aventureiro, Boa Vista e Vila Nova, que têm expressivo número de eleitores. No Costa e Silva, o prefeito conseguiu a maior diferença sobre o adversário, com 10.577 votos contra 3.955 de Darci de Matos.

Por outro lado, o candidato do PSD conquistou a maior vitória no Paranaguamirim, com 10.978 votos contra 4.733 do opositor. Dez dos 17 bairros em que Darci de Matos teve mais votos são da zona Sul. Além disso, foram outros três da zona Leste, três da zona Norte e um da zona Oeste.

Em outros bairros, a diferença entre os concorrentes não ultrapassou cem votos. Foi o caso de Petrópolis e Rio Bonito, por exemplo. A disputa também foi acirrada no Aventureiro — o mais populoso de Joinville — onde os dois candidatos receberam mais de dez mil votos e a vantagem de Udo foi inferior a 700.

> Saiba quem são os candidatos a prefeito em Joinville nas Eleições 2020

Obs.: os bairros em cinza (Atiradores, Zona Industrial Norte e Zona Industrial Tupy) não têm locais de votação na divisão do TRE.

Cenário de imprevisibilidade em 2020, diz cientista político

Desde o resultado em 2016, o cenário político brasileiro mudou e houve reflexos no comportamento do eleitor de todo o país. O cientista político Jeison Giovani Heiler relembra que nas últimas eleições municipais o presidente ainda era Michel Temer (MDB), após o impeachment de Dilma Rousseff (PT) que causou um forte sentimento de rejeição ao Partido dos Trabalhadores e um otimismo com os rumos da Lava Jato.

Na época, vivia-se a polarização PSDB e PT, e o resultado eleitoral mostrou o recuo de partidos tradicionais em todo o país. Em Santa Catarina, por exemplo, o PT perdeu 57,4% das prefeituras, o PDT caiu 57,1%, enquanto o PSDB cresceu 46%, o PSD subiu de 52 para 59 municípios e o MDB se manteve com o maior número de prefeituras.

No cenário local, o segundo turno foi protagonizado pelos candidatos do MDB e do partido do governador, o PSD. Eles superaram Marco Tebaldi (PSDB) e Carlito Merss (PT), que eram os nomes dos partidos que polarizavam a política nacional naquele momento.

— As eleições de 2020 sobrevém em um cenário muito distinto. Certamente a grande marca destas eleições será a imprevisibilidade e a incerteza do resultado — indica Heiler.

Segundo o cientista político, é possível observar algumas variáveis que surgiram desde a última eleição municipal e que podem impactar no resultado de 2020. Veja abaixo:

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Primeiro turno das eleições acontece em 15 de novembro
Primeiro turno das eleições acontece em 15 de novembro
(Foto: )

Fatores que podem impactar em 2020

Pandemia

O cientista político aponta que a pandemia do coronavírus pode aumentar as taxas de abstenção eleitoral em 2020. Segundo Jeison, as pessoas não se sentem mais representadas pelo parlamento e um percentual crescente concorda que formas não democráticas seriam desejáveis para resolver problemas como insegurança ou corrupção. Além disso, escândalos de corrupção, impunidade e um período convulsionado politicamente se tornam suficientes para implodir as taxas de comparecimento às urnas, apontando um cenário com índices recordes de abstenção.

— A meu ver, o resultado mais direto e evidente seria a eleição de políticos e partidos ainda mais afastados do interesse da população de modo geral, o que poderia levar a um aprofundamento da crise de representatividade, um distanciamento ainda maior das pessoas. No longo prazo esse é um panorama preocupante. Ainda mais quando nunca se falou tanto no fim das democracias como nos dias que correm — analisa Heiler.

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Alterações eleitorais

Com as mudanças nas regras eleitorais, como o fim das coligações proporcionais, houve uma explosão de candidaturas generalizada. Heiler aponta que fica complicado para o eleitor votar de modo informado quando se tem tantos candidatos à disposição. Por outro lado, o eleitor toma atalhos para facilitar o processo decisório, como votar em um partido determinado, no candidato apoiado pelo presidente ou pelo governador, ou ainda em um candidato já conhecido.

— Da mesma forma, ante a grande polarização política que tem dividido a sociedade brasileira, escolher entre um candidato identificado ideologicamente também pode ser relevante na cabeça do eleitor nestas eleições. O antipetismo é sintoma deste aspecto.

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Cabeça do eleitor

Em 2014, o eleitor já havia indicado preferências mais à direita. No entanto, os partidos tradicionais não souberam fazer esta leitura em 2018, quando o eleitor estava mais propenso a apoiar pautas conservadoras e menos progressistas. O cientista político diz que Bolsonaro apostou em uma agenda contendo pautas morais, relativas aos costumes e crenças de parcela deste eleitorado atraindo para si estes votos. 

— Fora a pandemia, não há nada que indique que a cabeça do eleitor mudou muito de 2018 para 2020. Na verdade, a pandemia nublou os resultados econômicos de algumas das medidas mais à direita adotadas pelo governo desde 2016 para cá, como as reformas trabalhista e previdenciária, e o teto de gastos. Então, não há como saber se o desemprego e a recessão econômica se devem a estas medidas ou à pandemia.

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Bolsonaro

O resultado de 2018 implodiu todas as previsões e pegou muitos dos melhores analistas no contrapé. Heiler aponta que, desde então, o presidente tem mantido padrões estáveis de aprovação e ainda é um cabo eleitoral de peso.

— É uma variável que pode beneficiar candidatos que colem em sua imagem, diretamente, ou indiretamente encampando pautas comuns. Esse peso pode ser medido, por exemplo, no processo de impeachment do governador que, depois de romper abertamente com o governo Bolsonaro, foi abandonado à própria sorte pelos eleitores que outrora lhe sufragaram os votos para vencer em 2018.

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Governador neutralizado

Uma variável que normalmente tem peso em uma eleição é o apoio e a mobilização do governador e seu partido. Segundo Heiler, diante da situação de isolamento político de Carlos Moises em Santa Catarina, esta deve ser uma variável a ser considerada.

— Ou seja, um cenário em que o apoio do governador não deve interferir na decisão do eleitor — explica.

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Aprovação do prefeito

O cientista político aponta que as taxas de aprovação do prefeito atual sempre são uma variável que costuma ser uma excelente preditora do voto. Saber o que pensa o cidadão de Joinville sobre a atual administração pode ajudar a predizer como ele deverá se comportar nas urnas.

— A máxima é que prefeitos com taxas de aprovação elevadas costumam fazer o sucessor. Por outro lado, quando as taxas de rejeição é que são altas ganha a simpatia aquele candidato que conseguir posicionar-se como o opositor mais evidente na cabeça do eleitor - explica.

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