O que esperar das restrições em SC após retorno de Moisés e André Motta

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Santa Catarina durante pandemia de Covid-19 (Foto: Luiz Carlos Souza)

Findo o período de vaivém na cadeira de governador, Santa Catarina tem pela primeira vez em dez meses a oportunidade de enfrentar a pandemia sem a sombra dos processos de impeachment. Mas, se alguém pensou que isso traria de volta a disposição de Carlos Moisés (PSL) para apertar as restrições, enganou-se.

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Fontes ouvidas pela coluna indicam que a tendência é que o Estado adote um modelo de enfrentamento, senão igual, ainda menos restritivo. Em entrevista à repórter da NSC TV, Ana Vaz, Moisés confirmou essa hipótese, ao dizer que não há “vontade” de aplicar medidas restritivas ou de “retornar” a regras do passado. O colega Raphael Faraco traz os detalhes em sua coluna

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Santa Catarina segue assolada pelo novo coronavírus. A exemplo do que havia ocorrido no fim do ano passado, o Estado perdeu, mais uma vez, a oportunidade de reduzir o impacto da pandemia de forma consistente nas últimas semanas.

Durante o período de cerca de um mês em que Daniela Reinehr ocupou o governo, o Estado, que experimentou uma melhora nos índices de contaminação e internações em março, estacionou em uma média de 20 mil casos ativos de Covid-19, como indica reportagem do colega Cristian Weiss, jornalista de dados e responsável pelo monitoramento da pandemia na NSC. O número de mortes e a demanda por UTI também segue estacionada em patamar alto, com fila de espera por leitos, desde 5 de abril.

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Carmen Zanotto, que ocupou a Secretaria de Saúde no período, manteve o conteúdo dos decretos mais recentes de Moisés e acrescentou novas liberações. Os números indicam que o afrouxamento de regras não foi reflexo de melhora efetiva nos indicadores.

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Um levantamento do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea), órgão ligado ao Ministério da Economia, divulgado em abril, comprovou que Santa Catarina não reagiu proporcionalmente à chegada da segunda onda e ao aumento no número de óbitos. O Estado adotou muitas restrições com um número baixo de óbitos, e afastou medidas restritivas quando o sistema de saúde entrou em colapso.

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O autor desse estudo, pesquisador Rodrigo Fracalossi de Moraes, recomendou a Santa Catarina que adotasse um modelo mais eficiente de gestão da pandemia, como o que funciona em estados como Rio Grande do Sul, São Paulo ou Ceará, onde a classificação de risco de cada região impõe medidas mais ou menos restritivas, com prazo definido. A mudança aumentaria a força dos decretos estaduais, a regularidade e a coerência das ações de contenção da pandemia, de acordo com o número de casos e óbitos por Covid-19.

Ao dizer que não tem “vontade” de aplicar medidas restritivas, Moisés escolheu o caminho mais fácil e rápido para tranquilizar o setor econômico, afetado pela pandemia e pelo vaivém de restrições. Seria mais prudente, no entanto, que tivesse sinalizado para o aprimoramento da classificação de risco e para a previsibilidade das ações do governo.

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