Ar-condicionado, “minhocão”, tarifa livre: as propostas dos candidatos de Blumenau para os ônibus

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Transporte coletivo será um dos temas de destaque da campanha (Foto: Patrick Rodrigues)

Pauta recorrente nas eleições municipais de Blumenau, o transporte coletivo ganhou capítulo à parte na maioria dos planos de governo dos 12 candidatos a prefeito da cidade. E nem poderia ser diferente nas Eleições 2020: em um ano marcado por uma pandemia que mudou hábitos das pessoas, incluindo aí o deslocamento urbano, o atual sistema de ônibus foi colocado em xeque.

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Em linhas gerais, há muitas promessas de ampliação de horários e integração com demais modais de transporte. São pontos que soam como música aos ouvidos dos passageiros, mas que precisam ser debatidos com um olhar mais detalhado sobre o impacto financeiro que eles causariam em uma operação que vem sofrendo com queda de usuários nos últimos anos. Espera-se que a campanha cumpra esse papel.

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Há também propostas antigas, como a implantação do VLT, e outras ousadas, que se levadas adiante mexeriam substancialmente na estrutura do modelo – e que dependeriam de estudos mais aprofundados de viabilidade econômica e operacional. Entre elas estão a criação de uma empresa pública para gerir o sistema, tarifa zero, extinção da função do cobrador e implantação de ar-condicionado nos ônibus.

Os planos de governo já estão disponíveis no site do Tribunal Superior Eleitoral (TSE). O documento é um pré-requisito para o registro das candidaturas, mas não é escrito em pedra. Serve como ponto de partida e costuma sofrer alterações a partir de contribuições e observações colhidas ao longo da campanha.

Abaixo um resumo das principais propostas dos candidatos sobre o tema. As informações foram extraídas dos documentos que haviam sido cadastrados na página do TSE até o meio-dia de quarta-feira (30).

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Ana Paula Lima (PT)

Uma das ideias de Ana Paula Lima é resgatar o Domingo Livre, legado da gestão do marido, Décio Lima. Os ônibus de Blumenau já chegaram a circular um domingo por mês sem cobrança de passagem, mas o benefício foi extinto há anos. Outra proposta é a implantação do chamado Bilhete Único, alternativa que já existe em grandes cidades. Normalmente, nestes casos, o usuário paga uma única tarifa e pode usar o transporte coletivo várias vezes dentro de uma janela de tempo.

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Débora Arenhardt (Cidadania)

A candidata do Cidadania propõe integrar meios de transporte não motorizados, com ciclovias com trajetos e pontos de ônibus. Débora Arenhardt também defende a possibilidade de estruturar a cidade para alternativas como scooters elétricas, além de sugerir a implantação de novos corredores exclusivos de ônibus. É uma das que prometem reavaliar as condições do atual contrato de prestação do transporte público.

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Georgia Faust (PSOL)

A socialista Georgia Faust defende o fim do convênio com a Agir, a agência reguladora que fiscaliza a atual concessão, e a criação de uma empresa pública para gerir o transporte coletivo. Outra proposta é reduzir de maneira progressiva o preço da passagem para garantir tarifa zero ao final dos quatro anos de mandato. Essa conta seria paga, sugere o plano de governo, por meio de um fundo municipal para a mobilidade urbana, abastecido com valores arrecadados com multas de trânsito, propagandas em ônibus e contribuição empresarial.

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Ivan Naatz (PL)

Além da ampliação de linhas e de uma reavaliação do atual contrato, Ivan Naatz defende ônibus com melhor qualidade de sinal wi-fi e ar-condicionado. Também cita no plano de governo a necessidade de se testar projetos-pilotos de veículos leves sobre trilho, os VLTs – alternativa que nunca vingou, embora sempre seja lembrada em campanhas eleitorais. O atual deputado estadual também promete fazer um estudo para implantação de vans de transporte entre os terminais.

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Jairo Santos (PRTB)

Dono do plano de governo mais enxuto entre os 12 postulantes ao cargo de prefeito – o documento cadastrado no site do TSE tem apenas cinco páginas –, Jairo Santos se resume a dizer que vai fazer “um estudo técnico adequado para a tomada de decisões visando, além de não gerar transtornos, garantir conforto e segurança a todos os ocupantes de espaços de todos os modais”.

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João Natel (PDT)

Ao dizer no plano de governo que um dos objetivos para o transporte coletivo é promover uma maior competitividade entre os potenciais concorrentes, com o objetivo de reduzir a tarifa técnica, o ex-reitor sugere que pensa em uma nova licitação. João Natel também defende uma frota menos poluente, com fontes alternativas de energia, e ampliação dos corredores exclusivos, com ônibus biarticulados nas linhas troncais em horários de pico. Outra proposta é a integração do sistema com outros meios de locomoção, como as bicicletas.

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João Paulo Kleinübing (DEM)

João Paulo Kleinübing sugere o retorno das estações de pré-embarque em eixos troncais. As estruturas funcionavam como “mini-terminais” e chegaram a ser implementadas na época do Siga, mas foram desativadas após a prefeitura romper o contrato com o antigo consórcio. No plano de governo, o ex-prefeito também propõe ampliar os corredores de ônibus e promover ações de ampliação de outros modelos de locomoção na cidade.

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Mario Hildebrandt (Podemos)

Na condição de quem busca a reeleição, Mario Hildebrandt não tem muita margem para propor mudanças muito significativas no sistema – isso seria atestar que o atual modelo é insuficiente. Tanto que o plano de governo cita a necessidade de garantir a sustentabilidade da operação por meio do cumprimento do contrato de concessão vigente. O candidato do Podemos também fala em ampliar corredores exclusivos, finalizar a construção do Terminal Oeste, na Água Verde, e aprimorar o aplicativo destinado aos usuários.

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Mário Kato (PC do B)

A exemplo de Georgia, Mário Kato também propõe a criação de uma empresa pública municipal de transporte coletivo, além de redução da tarifa e passe-livre para estudantes. E é outro que defende uma auditoria no atual contrato, aumento de horários a partir de uma reorganização das linhas e novos corredores de ônibus. O plano de governo do PC do B ainda propõe um estudo para a implantação de um trem de superfície para conectar Blumenau com cidades vizinhas.

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Odair Tramontin (Novo)

O promotor de Justiça licenciado tem uma proposta que certamente despertará reação do sindicato dos trabalhadores do transporte coletivo: a automatização da função de cobrador. Isso, segundo o plano de governo de Odair Tramontin, permitiria a redução da passagem – o custo do cobrador na atual tarifa antecipada, de R$ 4,28, é de R$ 0,59 – e viabilizaria a climatização dos ônibus. Blumenau tem lei municipal que garante a presença desses profissionais dentro dos coletivos. Para a ideia ir adiante, ela precisaria ser revogada.

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Ricardo Alba (PSL)

O candidato do bolsonarismo também defende uma revisão do atual contrato e sugere uma ampla pesquisa com os usuários para verificar necessidades tanto nos veículos quanto nos terminais urbanos. Ricardo Alba é outro que propõe a ampliação das faixas exclusivas e o aprimoramento do aplicativo disponível para os usuários, além da necessidade de concluir a implantação do sistema integrado na região das Itoupavas e do bairro Água Verde.

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Wanderlei Laureth (Avante)

Wanderlei Laureth propõe a revisão do contrato com a Blumob, uma nova concessão e “fazer estação de pré-embarque com minhocão”, numa alusão aos ônibus articulados, que têm capacidade para transportar um volume maior de passageiros. O postulante do Avante também sugere o uso de combustíveis menos poluentes nos ônibus, como gás natural ou até mesmo a adoção de carros elétricos, e ar-condicionado em todos os veículos.

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