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Carolina Bahia

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O olhar de Santa Catarina no dia a dia da política nacional. O que acontece em Brasília e os feitos no Estado das decisões tomadas na capital do país.

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Salve-se quem puder

Por Carolina Bahia

23/04/2018 - 07h00

O país está a menos de seis meses das eleições, e o quadro não é nada animador. Nas conversas em Brasília há sempre uma incógnita: o que se esperar dessa eleição. Nunca um cenário esteve tão confuso e embaralhado. Os principais nomes da disputa à Presidência enfrentam ações na Justiça. Levantamento da Folha de S. Paulo aponta que dos 20 pré-candidatos, pelo menos 15 são responsáveis por 160 casos em tribunais brasileiros. Um triste retrato da realidade da política brasileira, na qual muitos dos parlamentares estão mais preocupados em se reeleger para manter o foro privilegiado do que legislar pelo país. O Congresso está praticamente parado. A pauta de segurança, anunciada aos quatro ventos como prioridade do ano, caminha a passos lentos. A MP que ajusta a reforma trabalhista perde a validade hoje porque não foi votada. A cada dia que passa o presidente Michel Temer se vê as voltas com mais algum escândalo, tendo que desviar o foco da administração para o da própria defesa. E é a partir dessa realidade que o brasileiro terá que escolher seus candidatos. Tomara que não seja pelo critério da exclusão. Bate e rebate  A polêmica entre o PT e a senadora Ana Amélia (PP-RS) não tem fim. Em entrevista recente, o ex-ministro Gilberto Carvalho mandou um recado: "Que ela reflita sobre o papel de pregação de ódio que está fazendo". Em resposta, Ana Amélia afirma que a esquerda tenta criar factoides para manipular a verdade: "Em nenhum momento incitei o ódio e compactuei com ações violentas, tampouco comparei a Al Jazeera, principal canal de comunicação no mundo árabe, com a Al Qaeda".  Estratégia O diretório nacional do PT volta a se reunir hoje em Curitiba. O ex-ministro Alexandre Padilha disse à coluna que estão sendo organizados atos nas capitais para 1º de maio e que, ao final deste dia, uma caravana com líderes sindicais irá para Curitiba, onde Lula está presto. De acordo com o deputado Paulo Pimenta, na reunião também será reafirmado o nome de Lula como candidato do PT.  Arrecadação Em duas semanas o PCdoB conseguiu arrecadar cerca de R$ 30 mil para as viagens da pré-candidata à Presidência Manuela D´Ávila. A campanha contou com a doação de 191 pessoas até sexta-feira. No vídeo, que apresenta a vaquinha virtual, Manuela pede contribuições para que possa apresentar as propostas pelo Brasil. Frase "O Ministério Público Federal não pode continuar a ser medido pela régua imunda de Janot."  Renan Calheiros (PMDB-AL), senador que responde a 17 inquéritos no STF ao criticar a decisão do ex-procurador Rodrigo Janot de concorrer ao Conselho Superior do MPF.

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Quando o Judiciário manda no espetáculo

Por Carolina Bahia

21/04/2018 - 08h00

Na semana que terminou com um pronunciamento em cadeia nacional do presidente da República, Michel Temer, as atenções em Brasília estiveram mesmo voltadas para o Judiciário. O protagonismo dos tribunais no mundo político tem explicação: é consequência do acúmulo de processos envolvendo os poderosos enrolados e da fragilidade dos outros poderes. Situação que levou o embate político para o coração das cortes superiores.     Leia também: Não há político ingênuo   Praticamente paralisado, o Congresso vive de momentos folclóricos – como o bate-boca entre as senadoras Ana Amélia Lemos (PP) e Gleisi Hoffmann (PT) – e das articulações envolvendo as eleições. A Medida Provisória da reforma trabalhista caduca na próxima segunda-feira, sem que tenha sido votada na Câmara ou Senado, e a privatização da Eletrobras tem tudo para ficar no papel.  Já o governo Temer entra em mais um capítulo da luta pela sobrevivência.  Na esteira do tradicional café frio em final de mandato, os marqueteiros da Presidência trabalham na campanha do balanço dos dois anos, enquanto o desafio do peemedebista é encerrar o ano sem o desgaste de uma terceira denúncia. Com a impopularidade cristalizada em 70%, Temer sustenta o discurso das conquistas na área econômica, como controle de inflação e redução no juro básico, a taxa Selic. O lema do presidente é “O Brasil voltou”. Mas sem crédito na praça, com juros de mercado nas alturas e ainda com a taxa de desemprego em alta, os brasileiros não sentem as mudanças no bolso.  Enquanto isso, enfadonhas sessões do Supremo Tribunal Federal (STF) passaram a chamar a atenção. Afinal, os destinos de figuras populares da política do país estão sendo definidos nas cortes superiores. Do habeas corpus de Lula (PT), passando pela denúncia de corrupção contra Aécio Neves (PSDB-MG), à prisão domiciliar de Paulo Maluf (PP-SP), tudo passa pela avaliação dos ministros, mobilizando a audiência. Até as definições sobre o cenário das eleições 2018 dependerá de encaminhamentos do Ministério Público e de questões a serem resolvidas nos tribunais. De uma hora para outra, os brasileiros passaram a opinar a respeito da prisão ou não depois de condenação em segunda instância.      Pelo Whatsapp Governo Temer faz campanha junto a deputados aliados para convencê-los a votar a privatização da Eletrobras. No grupo de WhatsApp dos parlamentares com o Planalto, deputados receberam um card. A mensagem, no entanto, não sensibiliza as bancadas. Às vésperas de eleição, o termo “privatização” é encarado como um palavrão. No texto da campanha, o verbo usado é “capitalizar”.    Frase  "O que deu errado é que o Rio de Janeiro faliu."  José Mariano Beltrame, ex-secretário de Segurança Rio de Janeiro ao analisar a situação da violência no Estado.   Leia também as colunas de Moacir Pereira e Upiara Boschi

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Joaquim Barbosa se apresenta ao PSB

Por Carolina Bahia

20/04/2018 - 04h55

Joaquim Barbosa ainda é um mistério para o próprio partido, o PSB. Novato na legenda, filiado há apenas 15 dias, ele começou uma série de reuniões para se apresentar, afinar o discurso e vencer as resistências. A primeira rodada, realizada ontem em Brasília, foi para quebrar o gelo, com as principais lideranças da legenda. Apesar do bom resultado na última pesquisa Datafolha, a candidatura à Presidência do ex-ministro do STF não é uma unanimidade dentro do PSB. Conhecido pela personalidade intempestiva, Barbosa não tem traquejo político. — Mas para quem já fez campanha para o Garotinho, por que não Joaquim Barbosa? – desdenhava um deputado do PSB, no café da Câmara. A comparação reflete os problemas que Barbosa ainda enfrentará na bancada, mas é exagerada e até injusta. Candidato do partido em 2002, Garotinho está hoje no nanico PRP e enfrenta escândalos em série. Conhecido nacionalmente como relator do Mensalão, pelo discurso de combate à corrupção, Barbosa tem potencial de atrair votos do campo de centro-direita. Na prática, porém, ainda falta convencer o próprio partido.  Veja também:Marcelo Fleury: Joaquim Barbosa mais perto CAPENGA O Planalto prepara uma campanha para comemorar os dois anos de governo Temer, destacando a chamada pauta positiva. A reforma trabalhista, no entanto, já está capenga. Na segunda-feira, caduca a medida provisória que corrigia falhas do texto original.  CAMPANHADisposta a não perder apoiadores, a equipe de João Rodrigues (PSD-SC) segue atualizando as redes sociais do deputado, preso desde fevereiro. Postagens de obras como a Arena Condá e do aeroporto de Chapecó são acompanhadas da hashtag #JOAOJAFEZ. Na semana passada, a Justiça do Distrito Federal negou pedido da defesa para que Rodrigues pudesse trabalhar na Câmara durante o dia. Veja também: Exclusivo: a vida de João Rodrigues na prisãoCARTÃO POSTAL As frentes Brasil Popular e Povo Sem Medo estão em campanha para pressionar Rosa Weber sobre a prisão após condenação em segunda instância. Eles estão enviando cartões-postais para o gabinete da ministra do STF, em Brasília, com a inscrição Lula Livre! e a foto do ex-presidente. Em julgamentos sobre o tema, Rosa tem manifestado que vota de acordo com a decisão do colegiado. Em 2016, o Supremo aprovou a prisão após segunda instância. Na época, Rosa Weber foi voto vencido.    FRASE "Não podemos ficar indiferentes aos mais de 60 mil homicídios por ano; à banalização da corrupção; à impunidade; à insegurança ligada ao crescimento do crime organizado; e à ideologização dos problemas nacionais."  General Eduardo Villas-Bôas, Comandante do Exército ao afirmar que esses são exemplos das reais ameaças à democracia Veja todas as publicações de Carolina Bahia

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Marcello Casal Jr., Agência Brasil

Em clima de denúncia

Por Carolina Bahia

19/04/2018 - 02h35

Deputados da base de apoio do governo comentam pelos corredores da Câmara que, de uma hora para outra, os ministérios voltaram a dar atenção aos parlamentares. Respostas aos pedidos de liberação de recursos, cargos, audiências estão mais ágeis, a exemplo do que ocorria na época da apresentação das duas denúncias da Procuradoria-Geral da República (PGR) contra o presidente Michel Temer. Não há indicativo concreto da PGR de que uma terceira denúncia esteja sendo gestada. Mas para se vacinar, o governo prepara uma campanha sobre o desempenho da economia. O presidente também planeja um pronunciamento, ressaltando o chamado legado. Com a impopularidade cristalizada em 70% de reprovação, se de fato ocorresse uma terceira denúncia, Temer teria imensas dificuldades para se salvar. O que conta a favor dele é o tempo curto antes das eleições, o que pode comprometer um movimento consistente da PGR.

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O PSDB sangra junto com Aécio

Por Carolina Bahia

18/04/2018 - 02h00

Réu no Supremo Tribunal Federal, o senador Aécio Neves (PSDB-MG) está politicamente acabado e, junto com ele, o PSDB também sangra. Ex-presidente nacional do partido e candidato à Presidência da República, ele fez um breve pronunciamento logo depois do julgamento sem a companhia de colegas da legenda.  Embora outros tucanos também estejam enrolados, Aécio será o fardo a ser carregado pelos candidatos da sigla nas eleições deste ano. A 1ª Turma do Supremo Tribunal Federal (STF) aceitou a denúncia por corrupção passiva por unanimidade. As provas, fruto da delação premiada da JBS, foram consideradas consistentes pelos ministros. E nem poderia ser diferente. A gravação em que o senador pede dinheiro ao empresário Joesley Batista não deixa dúvidas do clima do encontro. Protegido pelo manto do foro privilegiado, Aécio sabe que será um longo caminho até o julgamento final no Supremo. Neste meio tempo, tentará se eleger deputado federal porque não tem mais condições políticas de concorrer à reeleição ao Senado.   O fator JBS Às vésperas de fechar um ano, a polêmica delação da JBS volta a deixar Brasília sob tensão. Ao aceitar a denúncia, o STF reconhece a validade das provas apresentadas por Joesley Batista. De acordo com o advogado do empresário, André Callegari, ele segue repassando informações aos investigadores, detalhando o pagamento de propina a vários políticos. Joesley continua, inclusive, falando o que sabe sobre o PMDB e o presidente Michel Temer.   ALERTA A 2ª Turma do STF rejeitou ontem o pedido de denúncia feito pela PGR contra dois deputados federais do PP na Lava-Jato. O ministro-relator, Edson Fachin, considerou que a denúncia foi baseada apenas na delação de um ex-diretor da Petrobras e que nenhuma outra prova foi apresentada pela PGR. Advogado de uma das partes, o ex-ministro José Eduardo Cardozo falou à coluna que esse julgamento é emblemático, que demonstra que existem muitas denuncias do MP que são frágeis em termos de provas.   RETORNO O ex-senador Demóstenes Torres poderá concorrer nas eleições deste ano. A 2ª Turma do Supremo manteve uma decisão liminar do próprio STF na qual ele não poderia ser mais considerado inelegível, pois as provas que embasaram sua cassação foram anuladas. Em conversa com a coluna, Demóstenes confirmou que agora vai trabalhar para ser o candidato do PTB ao Senado, por Goiás.   FRASE “Reconhecida a validade das gravações feitas de conversas nada republicanas com autoridades da República.” Rodrigo Janot, ex-procurador-geral da República, comemorando que o STF aceitou a denúncia que o próprio Janot apresentou contra Aécio Neves.   Leia também as colunas de Moacir Pereira e Upiara Boschi

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Não há político ingênuo

Por Carolina Bahia

17/04/2018 - 03h00

Depois de quase um ano nos escaninhos do Supremo Tribunal Federal, finalmente a denúncia da Procuradoria-Geral da República contra o senador Aécio Neves (PSDB-MG) será julgada. A tendência é de que ele se torne réu no caso da JBS, no qual é acusado de receber R$ 2 milhões em propina. Em um patético artigo, o tucano tenta se defender, afirmando que foi ingênuo e que é vítima de uma narrativa que tende a considerar todos os políticos culpados de antemão. Experiente liderança no Congresso, ex-presidente do PSDB, candidato à Presidência da República, Aécio pode ser tudo, menos bobo. Quando se reuniu com o um empresário do perfil de Joesley Batista sabia onde a conversa poderia chegar. Quanto ao argumento de que é um injustiçado, ele apenas repete o que outros políticos investigados, de diferentes partidos, têm propagado. Mas ao contrário do ex-presidente Lula (PT), por exemplo, o tucano conta com uma grande vantagem: o foro privilegiado. Está, portanto, protegido pela morosidade da Suprema Corte.   Factóides Um dia é a invasão relâmpago do tríplex pelo MTST, no outro, visita de 14 senadores da Comissão de Direitos Humanos à cela do ex-presidente Lula. Aliados do petista vão preenchendo os dias com factóides para que a militância não desanime.   Tartaruga A bancada catarinense no Congresso tem reunião com o diretor-geral da ANTT, Mário Rodrigues Júnior, no dia 25 para pressionar pelo contorno viário de Florianópolis. A obra deveria ter sido entregue em 2012, mas segue com impasses. A intenção é fazer uma reavaliação dos problemas, incluindo os contratos, para acelerar os trabalhos que, de acordo com o deputado Jorginho Mello (PR-SC), “ainda estão a passos de tartaruga”.   Veja bem A tropa de choque do Planalto na Câmara solicitou aos líderes dos partidos aliados que substituam os integrantes da Comissão Especial da Privatização da Eletrobras que sejam resistentes ao projeto do governo. Em ano de eleições, deputados costumam manter distância de temas polêmicos. Integrante da comissão, o deputado Ronaldo Benedet (PMDB-SC), por exemplo, disse à coluna que ainda está avaliando o assunto: — Estou estudando bem para formar as minhas convicções. Vou ouvir os dois lados para depois passar a minha posição.   Frase “Não há qualquer sentido na existência do foro privilegiado.” Raquel Dodge, procuradora-geral da República, durante palestra nos Estados Unidos.     Leia outras publicações de Carolina Bahia Veja também: O fato novo da eleição Mais uma edição da operação abafa Casa caindo

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O fato novo da eleição

Por Carolina Bahia

16/04/2018 - 16h53

Lideranças do PSB ficaram animadas com a pesquisa Datafolha e apostam que era o empurrão que faltava para confirmar Joaquim Barbosa como candidato do partido à presidência da República. Oficialmente, o partido quer uma definição em maio. Dependendo do cenário, ele aparece com 8% ou 10% das intenções de voto, um resultado positivo para quem não está em pré-campanha escancarada.  Integrantes do PSB já começaram, inclusive, a divulgar nas redes sociais um vídeo de um minuto com um resumo da biografia do ex-ministro do Supremo Tribunal Federal.  Se confirmada a candidatura, Barbosa será o fato novo da eleição, o chamado outsider. Relator do Mensalão, poderá carregar a bandeira do combate à corrupção sem qualquer constrangimento. O programa de governo está definido: será o mesmo que Eduardo Campos – morto em uma acidente de avião – apresentava em 2014, com algumas adaptações. O problema de Joaquim Barbosa é o próprio PSB, que continua dividido. A turma do Nordeste prefere defender o ex-presidente Lula que, apesar de estar preso, lidera as preferências. Quando o nome de Lula é retirado da consulta, os brancos e nulos sobem, em especial nesta região. O PT afirma que manterá o nome do ex-presidente como candidato, mas há pressão interna para tentar viabilizar o ex-prefeito de São Paulo Fernando Haddad. EMPURRÃO Quem ganha com a saída de Lula da disputa eleitoral é Marina Silva (Rede). Líder da Rede na Câmara, João Derly , conta com esses números para a retomada das negociações de alianças com partidos que possam garantir o aumento de tempo de TV para Marina. A Rede tem apenas três deputados federais, o que não assegura a participação da candidata nos debates. FIASCO É pífio o desempenho de candidatos ligados ao governo federal na pesquisa presidencial. Os peemedebistas Michel Temer, Henrique Meirelles e o presidente da Câmara, Rodrigo Maia (DEM-RJ) fazem marola, viajam e falam dos resultados da economia, mas não empolgam. CONGELOU Ao contrário do que apostavam os tucanos catarinenses, o ex-governador de São Paulo Geraldo Alckmin não consegue decolar nas pesquisas. Mesmo longe do governo, ele patina entre 7% e 8%. Há ainda temor que Paulo Preto, o operador do PSDB, alvo da Lava-Jato, possa fechar uma delação premiada. FRASE "A corrupção corrói tecidos sociais, compromete a gestão pública e privada, tira recursos valiosos da educação, saúde e segurança", disse o presidente Michel Temer, em discurso na Cúpula das Américas, no Peru. Temer é investigado por suspeitas de irregularidades na edição do decreto dos portos e pelo chamado quadrilhão do PMDB. Leia outras publicações de Carolina Bahia Veja também: Mais uma edição da operação abafa Casa caindo Senadores e a desculpa esfarrapada

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Mais uma edição da operação abafa

Por Carolina Bahia

14/04/2018 - 06h10

Uma nova operação abafa está em curso em Brasília, tomando conta dos tribunais superiores. No Supremo Tribunal Federal, PT, PMDB e PSDB unem esforços para tentar acabar com a possibilidade de prisão após condenação em segunda instância. No Superior Tribunal de Justiça, o ex-governador Geraldo Alckmin (PSDB-SP) conseguiu que seu processo fosse encarado como caixa 2 de campanha e enviado à Justiça Eleitoral. Isso significa a vitória aos políticos que há muito tentam minimizar a gravidade dos chamados recursos não contabilizados de campanha. Na avaliação de investigadores da Lava-Jato, em muitos casos, o caixa 2 de campanha serve para lavar dinheiro de propina. Quem conhece a fundo as investigações envolvendo a Odebrecht comenta que as doações não contabilizadas para governadores e altas autoridades sempre tinham uma contrapartida.    A delação da Odebrecht, inicialmente chamada de “Fim do Mundo”, entregou à Lava-Jato uma longa lista de políticos e seus apelidos, todos beneficiados com recursos para caixa 2 de campanha. Os colaboradores repassaram informações que atingiram vários partidos, do senador José Serra (PSDB) à chapa Dilma-Temer, passando por deputados e senadores. Até o ano passado, parlamentares assustados com as consequências dessas denúncias tentaram aprovar na Câmara uma anistia ao caixa 2. A manobra não passou. Mas, pelo jeito, a interpretação da Justiça está dando uma mãozinha.  Sobre a prisão após condenação em segunda instância, emissários do ex-presidente Lula fazem peregrinação em Brasília na tentativa de garantir o julgamento das ações no STF. Uma medida que interessa também outros poderosos na mira na Lava-Jato. Apesar dos adiamentos e do desconforto da presidente do Supremo, Cármen Lúcia, mais cedo ou mais tarde essas ações terão que ser julgadas. No dia 2 de maio, no entanto, o mesmo STF voltará a analisar a ação sobre o fim do foro privilegiado e tudo indica que a prerrogativa será extinta. Uma proposta que acaba com o foro aguarda votação na Câmara há mais de um ano.    Rosa Weber Investigadores da Lava-Jato têm certeza que a ministra Rosa Weber votará a favor da prisão após condenação em segunda instância, caso as ações sejam julgadas em plenário. Em 2016, ela votou a favor do cumprimento da pena somente após os recursos às cortes superiores. Depois do voto da ministra sobre o habeas corpus do ex-presidente Lula, os procuradores ficaram mais tranquilos.    Frase "Não me procurem mais pra perguntar sobre plano A, B ou C. Eu só tinha um plano, o plano L. E agora meu plano são dois Ls: #LulaLivre! Viva @LulaPeloBrasil! Do ex-ministro dos governos petistas Jaques Wagner reafirmando que Lula é o plano A do PT.   Leia outras publicações de Carolina Bahia Veja também: Casos de Colombo e Alckmin no STJ devem ter mesmo destino​ Casa caindo  

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Casa caindo

Por Carolina Bahia

13/04/2018 - 04h00

*Por Silvana Pires, interina A cada dia a situação fica mais complicada em torno de Michel Temer. A bomba da vez é a reforma da casa da filha do presidente, Maristela, que teria sido paga em dinheiro vivo pela arquiteta Maria Rita Fratezi – mulher do coronel Lima, amigo de Temer e réu no quadrilhão do PMDB. Neste inquérito, a PGR denunciou também Michel Temer, Eliseu Padilha e Moreira Franco, mas a Câmara barrou a investigação. A reportagem da Folha de S.Paulo, além dos fatos dos últimos dias, deixa o clima tenso no Planalto. Na quinta-feira, Temer foi a São Paulo para agenda privada, marcada há uma semana, de acordo com o Planalto. Mas o real motivo seria uma reunião marcada às pressas com o advogado Antônio Claudio Mariz. Com amigos e integrantes do grupo político de Temer réus por organização criminosa, uma investigação sobre irregularidades na edição do Decreto dos Portos e agora a reforma na casa da filha, não é de se estranhar que Temer esteja se armando contra uma eventual denúncia ao lado de seus advogados. MISSÃO POLÍTICA  Gleisi Hoffmann (PT-PR) e Lindbergh Farias (PT-RJ) faltaram às sessões de terça-feira no Senado. Os dois estavam em Curitiba, participando de atos em defesa do ex-presidente Lula, preso na Superintendência da PF. Os senadores apresentaram ofício informando que estavam em missão política e, com isso, não terão a falta descontada. Esse é um dos motivos aceitos para isentar o parlamentar do corte no salário.  NEGADO  A Vara de Execuções Penais do Distrito Federal negou pedido do deputado João Rodrigues (PSD-SC) para exercer as atividades de parlamentar durante o dia. Para a juíza Leila Cury não há como fiscalizar o trabalho do parlamentar, pois a rotina na Câmara Federal envolve um “alto número de atividades diárias”, e não permitiria o acesso livre dos agentes penitenciários que o acompanhariam no Congresso.  PERÍCIA  Mais de 10 mil catarinenses terão até o dia 4 de maio para agendar perícia médica no INSS. A convocação saiu na edição de ontem do Diário Oficial da União porque os beneficiários não foram encontrados por alguma inconsistência no endereço. Também estão na lista aqueles que perderam a perícia marcada. São 9.060 aposentados por invalidez e 1.518 beneficiários de auxílio-doença. Quem não realizar a perícia no prazo terá o benefício suspenso ou cancelado, dependendo da situação.   FRASE   "Tecnicamente difícil de engolir essa".  Rodrigo Janot, ex-procurador-geral da República, ao comentar a decisão de enviar o inquérito contra Geraldo Alckmin (PSDB) para a Justiça Eleitoral de São Paulo, após ele perder o foro privilegiado.   Leia outras publicações de Carolina Bahia Veja também: Reforma na casa da filha de Temer foi paga em dinheiro por mulher do coronel Lima, diz jornal Amigos de Temer são réus em denúncia que aponta o presidente como "líder de organização criminosa"  

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Juíza nega pedido de João Rodrigues para voltar à Câmara

Por Carolina Bahia

12/04/2018 - 16h17

A Vara de Execuções Penais do Distrito Federal negou o pedido do deputado João Rodrigues (PSD-SC) para trabalhar durante o dia, na Câmara Federal, apesar dele estar condenado em regime semiaberto.No despacho da juíza Leila Cury, ela alega que não há como fiscalizar o trabalho do parlamentar ao longo do dia: — A fiscalização dos presos em trabalho externo é feita pelos agentes penitenciários (...) e como ocorreu recentemente em caso análogo, não têm acesso livre ao parlamentar; não têm acesso imediato ao interior do parlamento, muito menos ao gabinete de Deputado, sem antes, se submeter a rígido controle dos agentes de segurança da Casa Legislativa, os quais, por sua vez, são obviamente subordinados hierarquicamente àquele que deveria ser fiscalizado. A magistrada ressalta também que o próprio presidente da Câmara, Rodrigo Maia (DEM-RJ), informou que não tinha condições de fiscalizar as atividades de um parlamentar por conta das suas prerrogativas constitucionais, que envolvem “alto número de atividades diárias, como reuniões com a base eleitoral, assessores e autoridades”. João Rodrigues foi condenado a cinco anos e três meses de prisão no regime semiaberto. Ele é acusado de fraudar licitação na compra de uma retroescavadeira quando foi prefeito em exercício de Pinhalzinho (SC), em 1999. O deputado foi preso em 8 de fevereiro deste ano. Ele foi abordado por agentes da Polícia Federal no Aeroporto de Assunção, no Paraguai, trazido para o Brasil e ao desembarcar em Guarulhos (SP) teve o mandato de prisão cumprido. Desde 6 de março ele cumpre a pena no presídio da Papuda, em Brasília. O deputado também enfrenta processo de cassação do mandato no Conselho de Ética da Câmara por quebra de decoro parlamentar. O relatório apresentado pelo deputado Ronaldo Lessa (PDT-AL) é favorável à cassação do mandato de Rodrigues. A votação do caso ainda não foi marcada. Colaborou Lucyenne Landim.  Leia outras publicações de Carolina Bahia Veja também: Senadores e a desculpa esfarrapada Temer e seus amigões

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