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Carolina Bahia

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O olhar de Santa Catarina no dia a dia da política nacional. O que acontece em Brasília e os feitos no Estado das decisões tomadas na capital do país.

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Partidos sem coerência, eleitores desiludidos 

Por Carolina Bahia

18/08/2018 - 01h05

Raros são os partidos que demonstram alguma coerência nas alianças fechadas para as eleições deste ano. Em nome do poder e sem qualquer constrangimento, lideranças políticas deixam de lado rixas antigas e estão abraçadas em acordos regionais, dando um nó na cabeça do eleitor. Um exemplo claro é a situação do PT, que declarou guerra aos apoiadores do impeachment, mas agora está de braços dados com quem chamou de golpista. Em Alagoas e Ceará, o PT fechou com os senadores emedebistas Renan Calheiros e Eunício Oliveira. No Piauí, o senador Ciro Nogueira (PP) não esconde a parceria com os petistas. Será que a mágoa acabou?   Por trás do pragmatismo da cúpula nacional do partido está a certeza de que a militância é incapaz de questionar as decisões do ex-presidente Lula. A incoerência programática, no entanto, não é exclusividade do PT. O PSDB, que na campanha nacional faz de tudo para se afastar do presidente Michel Temer está na chapa do MDB em Santa Catarina. A Rede, apresentada por Marina Silva como a pureza em forma de partido, está unida com o DEM no Amapá. É difícil explicar para o eleitor a lógica dos partidos que aparecem com uma cara no palanque presidencial e com outra nos Estados. Bagunça que ajuda a explicar o desalento de quem se prepara para ir às urnas.   VOZES DO CÁRCERE  Não só Lula dá as cartas na política brasileira de dentro da cadeia. Também o ex-presidente da Câmara, Eduardo Cunha, tenta influenciar na candidatura da filha, Danielle Cunha. Condenado na Lava-Jato e preso em Curitiba, Cunha divulgou uma carta à nação em que se diz vítima de perseguição e abriu seu apoio ao candidato Geraldo Alckmin (PSDB).     RETORNO  Demóstenes Torres (PTB) está oficialmente de volta à política e irá tentar uma vaga de deputado federal pelo Estado de Goiás. A ideia inicial era tentar voltar ao Senado, local que ele deixou em 2012 quando foi cassado. Mas quando saiu a decisão do Supremo Tribunal Federal, que o liberou para concorrer, os dois candidatos ao Senado já estavam consolidados. O STF entendeu que Demóstenes não poderia ser considerado inelegível, pois as provas que embasaram a cassação foram anuladas pela Justiça.   FRASE  Nosso problema não é ter leis boas ou más, é saber aplicá-las. Não partilho dessa visão de que a Constituição Federal previu direitos em excesso.  Cármen Lúcia, presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), durante palestra em São Paulo.   Leia outras publicações de Carolina Bahia

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(NELSON ALMEIDA, AFP)

O tempo como fator principal no caso Lula

Por Carolina Bahia

17/08/2018 - 01h35

As eleições ocorrem em menos de dois meses, e o eleitor ainda não tem um quadro definitivo sobre todas as candidaturas à Presidência da República. O fator Lula é a grande incógnita para a população. Na letra fria da lei, o ex-presidente não poderia ter sua candidatura homologada. Mas até isso ocorrer há uma batalha jurídica liderada pelo PT, que pretende prolongar pelo máximo de tempo possível o nome de Lula como candidato. Para os dirigentes do partido, toda essa exposição ajudaria o substituto Fernando Haddad na chamada transferência de votos. Do outro lado, estão os adversários do petista que tentam tirá-lo da jogada o quanto antes, afinal ele seria um dos candidatos favoritos. Não à toa que até o final da tarde de ontem, seis pedidos de impugnação da candidatura de Lula haviam sido protocolados no Tribunal Superior Eleitoral. E é justamente no TSE que todas as atenções estarão voltadas nos próximos dias. Na eleição mais atípica dos últimos anos, o eleitor merece uma decisão célere e bem embasada, respeitando os prazos legais. Qualquer atropelo pode ser usado como justificativa pelo PT para fortalecer o discurso de perseguição.   Faca na bota “Ciro não é briguento, ele é brigão. E eu também sou, por princípios, valores, ideias. Somos veementes”. A frase é da senadora Kátia Abreu ao defender seu colega de chapa à Presidência, Ciro Gomes (PDT), conhecido pelo temperamento, às vezes, explosivo. A senadora ainda comentou que os eleitores estariam cansados de político educadinho, anjinho e que fala tudo certinho.   Veja também as publicações de Moacir Pereira e Upiara Boschi   Contra caixa 2  O eleitor pode fazer denúncias de suspeitas de doações ilegais para candidatos e irregularidades nas campanhas eleitorais pelo aplicativo Contra Caixa 2, da OAB Nacional. Depois de analisadas, as denúncias são remetidas ao TRE do Estado correspondente para, se for o caso, um processo ser instaurado.     Catarinafest  Começa hoje em Brasília a 2ª edição do Catarinafest com uma apresentação da escola de teatro Bolshoi no Brasil, de Joinville. Até o dia 26 de agosto o turismo e a cultura de Santa Catarina serão divulgados no evento que contará com apresentações de grupos folclóricos, bandas alemãs e mini Oktoberfet, entre outros.      Saúde Presidente da Frente Parlamentar de Prevenção do Câncer da Câmara, Carmen Zanotto (PPS-SC), participa hoje de audiência para tratar do assunto na Câmara de Vereadores de Balneário Camboriú. A ideia é analisar se está sendo cumprida na região a lei que obriga atendimento pelo SUS em até 60 dias após o diagnóstico do câncer. A implantação do tratamento de radioterapia em Itajaí, que pode acabar com a necessidade de pacientes irem a Florianópolis, também será discutida.   Leia outras publicações de Carolina Bahia

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(EVARISTO SA, AFP)

Haddad: o avatar de Lula

Por Carolina Bahia

16/08/2018 - 01h25

O PT transformou um simples registro de candidatura em um ato político pró-Lula, mas na prática o caminho está sendo preparado para Fernando Haddad assumir a candidatura. Objetivo, o ex-ministro Jaques Wagner avisou que se a candidatura for barrada pela Justiça Eleitoral “o jogo está jogado”. Quer dizer, Haddad veste a camisa de titular e tentará vender a imagem de avatar do ex-presidente. Continua a dúvida sobre a capacidade de transferência de votos de Lula para o afilhado. Com o segundo maior tempo de TV, atrás do tucano Geraldo Alckmin, o PT apresentará uma campanha feita sob medida para grudar a imagem de Lula em Haddad. O ex-prefeito de São Paulo já prepara agenda para percorrer o país, apresentando-se como porta-voz. Enquanto isso, na Justiça Eleitoral o que não faltam são recados aos petistas sobre a possibilidade de impugnação do registro. Na carta divulgada à militância, Lula afirma que vai lutar até o fim para concorrer. Não se esperava outra declaração. A frase alimenta a estratégia de manter o ex-presidente sob holofotes. Por falar nisso, o Ministério Público resolveu questionar como ele está comandando o partido de dentro da prisão.    Pressão   Em reunião fechada, antes do ato em favor da candidatura de Lula, governadores petistas cobraram que Fernando Haddad e Manuela D'Ávila comecem logo a viajar pelo país. Eles reclamam que a mobilização está muito centrada em gabinete e pouco nas regiões do país.  Barrada   A candidata do PT ao governo do Rio de Janeiro, Márcia Tiburi, foi barrada na entrada do diretório nacional do partido, em Brasília. Ela não foi reconhecida quando chegou ao local. Passado o constrangimento, Márcia participou da marcha a favor de Lula.   Comemoração O deputado João Rodrigues (PSD-SC) comparou a suspenção de sua condenação como ganhar sozinho na Megasena. Em vídeo, o parlamentar comentou que foi como nascer de novo e recuperar a cidadania. A decisão do ministro do STJ Rogerio Schietti Cruz, no entanto, é liminar, o que significa que ainda precisa ser confirmada pelos outros ministros. Mas não há data para isso acontecer.  Veja também: Em liberdade, deputado João Rodrigues retorna à Câmara Federal Alto custo 383 deputados viajaram a Brasília para o esforço concentrado da Câmara na segunda e na terça-feira. Foram apenas duas sessões de votações e só um projeto aprovado, o que agiliza a adoção de medidas de proteção às mulheres. De SC, cinco deputados faltaram na sessão de segunda e três na de terça. Um parlamentar estava de atestado médico.   Leia outras publicações de Carolina Bahia Veja também as publicações de Moacir Pereira e Upiara Boschi

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(Carlos Macedo / Agencia RBS)

O plano B do PT sempre existiu 

Por Carolina Bahia

15/08/2018 - 01h25

A partir do registro da candidatura do ex-presidente Lula no Tribunal Superior Eleitoral (TSE), o PT compra mais uma briga com a Justiça, o que favorece o partido neste início de campanha. Condenado em segunda instância, Lula tem grandes chances de ter a candidatura impugnada em razão da Lei da Ficha Limpa. Os advogados do petista sabem disso, mas o que vale é levar a queda de braço até o fim. A ideia é fortalecer a narrativa da injustiça e da perseguição política, legitimando a substituição do candidato. Com isso, o PT cumpre exatamente o roteiro desenhado por Lula em abril, quando foi preso em Curitiba. A partir daquele momento, a presidente nacional da legenda, Gleisi Hoffmann, baixou uma ordem proibindo qualquer especulação interna sobre o chamado plano B. No Salão Verde da Câmara, o líder da bancada, deputado Paulo Pimenta (RS) repetia a mesma versão. A ordem era manter a militância mobilizada e o nome do ex-presidente nas pesquisas eleitorais. Enquanto isso, o ex-prefeito de São Paulo Fernando Haddad viajava pelo país, falando a respeito do plano de governo. Depois de tantos escândalos, tudo o que resta ao PT é a popularidade de Lula e o discurso da perseguição política. Portanto, essa estratégia favorece os candidatos a governador, os deputados e senadores que batalham pela reeleição. O ato político da militância em Brasília integra esse plano. O próximo passo de Lula é anunciar Haddad candidato, oficializando o que todos já sabem desde o início do ano.  Veja também: 2ª Turma do STF retira de Moro trechos de delações da Odebrecht que citam Lula   Viagem ao Paraguai Os presidentes do Senado, Eunício Oliveira (MDB-CE), e da Câmara, Rodrigo Maia (DEM-RJ), disseram não ao convite do presidente Michel Temer para viajarem ao Paraguai. Temer irá participar da posse do presidente Mario Abdo Benítez. E não é por terem alguma agenda oficial. Para não se tornarem inelegíveis, eles precisam deixar o país e vão juntos para a Argentina. Em época de campanha, Temer não tem sido um bom cabo eleitoral.        Confira também as publicações de Moacir Pereira e de Upiara Boschi   Paulo Maluf A Mesa Diretora da Câmara mais uma vez não decidiu sobre a cassação do mandato de Paulo Maluf (PP-SP). Na quarta reunião marcada para analisar a decisão do ministro do Supremo Tribunal Federal Edson Fachin, que determinou a perda do mandato, o encontro foi suspenso quando surgiu a informação de que Maluf pretende renunciar. Ficou decidido que a Câmara irá aguardar até terça-feira a formalização do pedido do parlamentar. Maluf está em prisão domiciliar após ter sido condenado por lavagem de dinheiro.     Frase Todos querem virar um Moro, ganhar um minuto de celebridade. (...) Não precisamos de corregedores, mas de psiquiatras. Porque é um problema sério. Quer dizer, os estrupícios se juntam e produzem uma tragédia! Produzem uma tragédia! É constrangedor!    Gilmar Mendes, Ministro do Supremo Tribunal Federal durante sessão na 2ª Turma da Corte que confirmou decisão que liberou o empresário Juarez José de Santana, preso durante a Operação Carne Fraca.   Leia outras publicações de Carolina Bahia

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Evaristo Sa / AFP

Rosa Weber: linha dura no TSE

Por Carolina Bahia

14/08/2018 - 02h35

A troca de comando no Tribunal Superior Eleitoral ocorre em um momento tenso. Nesta semana, encerram-se os registros das candidaturas, e o PT promete mobilizar a militância, transformando o momento em um ato político pró-Lula. A partir de hoje, quem assume o TSE no lugar de Luiz Fux é a ministra Rosa Weber. Os rumos do tribunal não devem mudar. A ministra do STF já votou a favor da constitucionalidade da Ficha Limpa e deve também trabalhar para que a Justiça Eleitoral resolva pendências antes de iniciar os programas eleitorais de rádio e TV. Quem conhece o TSE aposta que a homologação ou não da candidatura de Lula será mesmo resolvida o quanto antes.   Desembargador-geral em SC O governador Eduardo Pinho Moreira participa da posse da ministra Rosa Weber como presidente do TSE e do ministro catarinense Jorge Mussi, que assume a função de desembargador-geral da Justiça Eleitoral. Também participa do evento o presidente do Tribunal de Justiça do Estado, Rodrigo Collaço.  Suplentes ao Senado em SC Além do aumento de candidatas ao Senado no Estado, os partidos também ampliaram as vagas para mulheres na suplência: de três em 2014 para cinco. Suplente não tem voto, mas faz campanha para o titular. Além disso, as legendas estão de olho em fatias da cota do fundo eleitoral para mulheres. Há três consultas ao TSE sobre o uso da verba por candidaturas majoritárias e se a suplente pode ajudar a chapa. Desperdício público Santa Catarina tem 63 obras paralisadas e gastou R$ 688,2 milhões com empreendimentos interrompidos na fase de construção. O levantamento é da Confederação Nacional da Indústria (CNI), que defende melhorias no planejamento e nos projetos para que recursos públicos não sejam desperdiçados.    Frase do dia Leis eleitorais, nacionais, da maior importância, são de iniciativa popular. A chamada Lei da Ficha Limpa foi um conjunto de cidadãos que levou ao Congresso Nacional aquilo que lhe parecia próprio. Uma lei considerada pela ONU como uma das melhores leis que existem.  Cármen Lúcia,  presidente do STF durante seminário em Brasília sobre a democracia e as eleições.    Leia outras publicações de Carolina Bahia

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Esforço concentrado, mas de leve

Por Carolina Bahia

13/08/2018 - 04h00

* Por Silvana Pires, interina Uma nova semana de esforço concentrado começa no Congresso Nacional. A ideia seria que Câmara e Senado tivessem um número expressivo de votações e, de preferência, de pautas relevantes. Não foi bem o que aconteceu na semana passada. Na Câmara, as votações ocorreram apenas na noite de terça-feira e na manhã de quarta-feira, resumindo-se a acordos internacionais, regimes de urgência de projetos e algumas medidas provisórias, como a que concede isenção de pedágio para o eixo suspenso dos caminhões sem carga. Poderia ser diferente se o próprio presidente da Casa, Rodrigo Maia (DEM-RJ), estivesse presente para abrir a sessão no horário marcado. Até porque os deputados só lotam o plenário quando o presidente da casa está no comando dos trabalhos. Já o Senado analisou mais de 30 assuntos, com destaque para o projeto que aumenta a pena para crimes de estupro coletivo e a proibição de cobrança por parte das companhias aéreas para a marcação de assentos. A partir de agora e até metade de setembro há uma escala entre as duas casas: uma semana há sessões na Câmara e na outra, no Senado. Bem que o presidente do Senado, Eunício Oliveira (MDB-CE), avisou que a ideia era priorizar pautas leves: “O povo está cansado de pautas pesadas. Vamos falar de coisas boas.” Na realidade, eles querem mesmo é fazer campanha e não tratar de assuntos que possam provocar perda de votos.     Recompensa   Deputados da tropa de choque de Michel Temer e que já identificaram dificuldades na reeleição mandaram um recado para a executiva nacional do MDB: eles querem integrar o pacote de negociação do partido com o próximo presidente da República, com direito a cargos na Esplanada.    Homenagem O catarinense Walter Orthmann será um dos homenageados com a Ordem do Mérito Judiciário do Trabalho, amanhã, em Brasília. O Tribunal Superior do Trabalho homenageia com a comenda personalidades que tenham se distinguido no exercício de suas profissões. Walter está há 80 anos na mesma empresa.     Financiamento O diretório nacional do MDB tem sido cobrado sobre como serão distribuídos os 30% do fundo partidário para as candidatas mulheres. As seis deputadas federais que tentam a reeleição receberão R$ 1,5 milhão cada. Outra parte será destinada às mulheres que concorrem à majoritária. Mas ainda não está claro como o restante será distribuído para as demais que disputarão a Câmara e as Assembleias Legislativas.   Frase A Polícia Federal está pronta para assumir as investigações. (...) Friso que é inaceitável não punir duramente os que covardemente mataram Marielle. Agora, repito aqui o que tenho afirmado: a equipe da Delegacia de Homicídios da Capital, da Polícia Civil do Rio, é competente e dedicada.   Raul Jungmann, Ministro da Segurança, ao afirmar ao jornal O Globo que se as autoridades do Rio solicitarem, a PF pode assumir o caso, e que inclusive já há autorização do presidente Michel Temer para isso.   Leia outras publicações de Carolina Bahia  

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Manuela D'Ávila e Fernando Haddad (Bruno Rocha/Estadão)

Estratégia do PT não resiste ao primeiro debate

Por Carolina Bahia

10/08/2018 - 20h30

*Por Silvana Pires Mesmo morno e sem propostas, o primeiro debate entre os presidenciáveis derrubou a estratégia petista de promover eventos paralelos. Como o ex-presidente Lula está preso e não pode fazer parte desses eventos, a presidente do PT, senadora Gleise Hoffmann, afirmou que tomará as medidas necessárias para que o candidato a vice na chapa, o ex-prefeito de São Paulo Fernando Haddad, seja convidado para os próximos.  Sem representante, o PT foi esquecido durante o debate. É isso que o partido não quer que se repita. Garantir uma cadeira para Haddad, no entanto, é assumir de uma vez por todas que o ex-presidente não é mesmo candidato. É acabar com o faz de conta antes de uma decisão do TSE sobre a homologação do registro de Lula.     Para a narrativa do PT, não vale a pena assumir Haddad como cabeça de chapa já no início da campanha. Candidatos a deputados e senadores precisam da bandeira do ex-presidente para dar corpo aos seus palanques. Ao mesmo tempo, ficou claro para os petistas que o trabalho intenso nas redes sociais não compensa a ausência do confronto com os demais presidenciáveis.  Para o eleitor, vale a máxima popular de quem não é visto, não é lembrado. Sem Haddad, Lula conta apenas com eventuais citações de Guilherme Goulos (PSOL), que não se mostra muito disposto a ser garoto propaganda dos outros. O desafio de Haddad é se tornar conhecido e convencer até a própria militância petista que ele pode ser o Lula reencarnado. Gleisi se deu conta que, para isso, ele precisa ficar frente a frente com os adversários. Constrangimentos Um dos trunfos do candidato Geraldo Alckmin (PSDB) é também motivo de constrangimento. Ao fechar acordo com o centrão, o ex-governador assegurou o maior tempo na TV: 5min e 32s por bloco. Formado por partidos fisiológicos e comandados por políticos enrolados com a Justiça, como Ciro Nogueira (PP-PI), Roberto Jefferson (PTB-RJ) e Valdemar Costa Neto (PR-SP), o bloco também é motivo de saia-justa para o tucano. Durante o debate, Alckmin virou o principal foco de perguntas dos adversários. A aliança com legendas que ainda estão com o governo Temer foi o tema favorito. Leia outras publicações da Carolina Bahia

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A bomba de 2019  

Por Carolina Bahia

10/08/2018 - 01h25

O orçamento de 2019 vai cair como uma bomba no colo do novo presidente da República. Além do déficit já previsto no valor de R$ 135 bilhões, outras despesas serão criadas até o final do ano, no rastro do reajuste dos vencimentos dos ministros do Supremo Tribunal Federal. Sem qualquer constrangimento, as excelências abriram a porteira dos reajustes no topo do funcionalismo público. Se aprovada pelo Congresso e sancionada pelo presidente Michel Temer, a proposta contribuirá para inchar ainda mais a folha de pagamento, inclusive a dos inativos. Na tentativa de minimizar os efeitos da decisão, o ministro Ricardo Lewandowski ressaltou a atuação da magistratura na recuperação de recursos para os cofres públicos. Para ele, a devolução do dinheiro de ações como a Lava-Jato ajuda a cobrir o remanejamento para o reajuste. O ministro é raso na justificativa. Não há dúvida sobre a importância de juízes e procuradores nas ações de combate à corrupção e um claro reconhecimento da sociedade. Esse, aliás, é o papel que se espera do Judiciário e do MP. Mas não estamos diante de uma questão de mérito. Professores e policiais, por exemplo, também merecem reajustes salariais, mas vêm pagando a conta da crise econômica que tomou conta dos Estados. A diferença é que são categorias que não decidem o próprio aumento.     MURO   Questionado pela coluna, o senador Dário Berger (MDB) ficou em cima do muro a respeito do aumento dos vencimentos dos ministros do STF. Ele afirmou que o assunto precisa ser debatido porque o salário dos magistrados está congelado há algum tempo. Já para Dalírio Beber (PSDB) não se trata de ser contra e não adianta ser a favor de algo que o país não possa suportar. O senador lembrou que na Comissão Mista de Orçamento os parlamentares concordaram em não prever reajustes salariais para o ano que vem. Até o final da tarde de ontem, a coluna não conseguiu contato com o senador Paulo Bauer (PSDB).     SEGURANÇA  Santa Catarina será um dos 20 Estados beneficiados com a compra de 8 mil viaturas policiais pelo Ministério da Segurança Pública. Os veículos serão adquiridos por meio de um financiamento de R$ 1 bilhão com o BNDES. Ainda não há informações de quantos veículos chegarão ao Estado, mas a intenção é entregar a nova frota até o fim do ano.    ELEITOREIRO   Deputados aprovaram a anistia a multas dos caminhoneiros que fizeram greve, sabendo que o presidente da República, Michel Temer, iria vetar a medida. Às vésperas das eleições, os parlamentares optaram por deixar o desgaste para o Palácio do Planalto.    Leia outras publicações de Carolina Bahia

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Corruptos criativos  

Por Carolina Bahia

09/08/2018 - 01h25

Os corruptos de Brasília continuam ousados. Depois de quatro anos de Lava-Jato, delações, prisões de empresários e políticos, esquemas de desvio de dinheiro público continuam a ser montados bem debaixo do nariz dos órgãos de fiscalização. É o caso das fraudes envolvendo empresas de informática. Firmas fantasmas foram criadas para o superfaturamento de serviços. Nos ministérios, funcionários indicados por políticos cuidavam dos contratos, assegurando os desvios. Quando fez um pente-fino nos contratos, o Tribunal de Contas da União (TCU) identificou pelo menos 20 fragilidades nas contratações da União na área de Tecnologia da Informação. Além dos desvios, há queixas contra o funcionamento dos sistemas. Prefeitos, que precisam acessar os programas para protocolar projetos e ter acesso a informações, reclamam da péssima qualidade dos serviços. É a mistura da falta de gestão com crime que faz com que a máquina pública não funcione.     SUPERSALÁRIOS  Aprovado pelo Senado, o projeto que limita os supersalários do funcionalismo está na Câmara há um ano e oito meses sem definições. Engavetado em uma comissão especial, o texto só deve ser analisado em plenário depois das eleições. Deputados têm recebido ligações de entidades que representam os servidores, pressionando para não votarem o tema. Ontem, o deputado Rôney Memer (PP-DF) fazia lobby para que não houvesse quórum na comissão.    CARAVANA  A caravana catarinense que vai a Brasília no dia 15 para o registro da candidatura de Lula conta com 500 pessoas, entre militantes e lideranças do PT e de movimentos sociais. A programação na capital federal ainda não está fechada, mas a ideia é fazer uma concentração na Esplanada dos Ministérios e depois seguir para o Tribunal Superior Eleitoral, onde o registro será feito.    FRASE  Você tem a necessidade de estabelecer a autoria, digamos assim, intelectual. (...) Já foram citados políticos, já foram citados membros de milícias e agente públicos também. Apenas o que dificulta é a necessidade de você fazer a comprovação de tudo isso.    Raul Jungmann, ministro da Segurança, ao falar da investigação do assassinato da vereadora Marielle Franco (PSOL-RJ) e do motorista que estava com ela, Anderson Pedro Gomes.   Leia outras publicações de Carolina Bahia

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Congresso na marolinha  

Por Carolina Bahia

08/08/2018 - 02h50

Projetos polêmicos que tramitam no Congresso vão ficar para o próximo ano. O presidente do Senado, Eunício Oliveira (MDB-CE), deu a senha no primeiro dia de trabalho do esforço concentrado ao avisar que não criem clima de atrito dentro do Congresso. Isso inclui de privatizações a questões que aumentem o gasto da União, como o pagamento das perdas da Lei Kandir a Estados e municípios. Eunício reconhece que temas ligados à saúde, educação e segurança podem ser votados, desde que não provoquem celeuma no plenário. Quem esteve no gabinete do ministro Carlos Marun (Secretaria de Governo), nos últimos tempos, ouviu ele falar em análise de reforma da Previdência depois das eleições. Pode ser um desejo do governo, mas, na prática, é outra missão que ficará para 2019. O Planalto já não tem força para emplacar qualquer pauta, e os parlamentares estão com as atenções nas eleições. Basta circular pelo cafezinho da Câmara para notar: eles só pensam em reeleição.      NO STJ   No começo da sessão de ontem do Superior Tribunal de Justiça (STJ) foi retirada da pauta a ação que analisa se o ex-governador Raimundo Colombo (PSD) fechou três contratos com empresa de advocacia por meio de licitações fraudulentas quando foi prefeito de Lages, em 2005. A assessoria do ex-governador informa que ele foi absolvido do caso tanto em primeira quanto em segunda instância.      Leia outras publicações de Carolina Bahia   SERRA   O senador José Serra (PSDB-SP) está com câncer na próstata. A doença foi descoberta após exames de rotina e, de acordo com a equipe médica, o tumor seria pouco agressivo. Serra não está em campanha, pois seu mandato vai até 2023. Ele participou da convenção nacional do PSDB e foi chamado de “eterno presidente”, embora tenha perdido as duas eleições presidenciais que concorreu.     ÚLTIMA CHANCE   Pressionado por parlamentares, governadores e prefeitos sobre a votação das perdas da Lei Kandir, o presidente da Câmara, Rodrigo Maia (DEM-RJ), passou a bomba para o ministro da Fazenda, Eduardo Guardia. O grupo terá uma reunião hoje com o ministro. Um dos problemas é a falta de origem dos recursos a serem repassados.   

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