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Pandemia

O que esperar das restrições em SC após retorno de Moisés e André Motta

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Por Dagmara Spautz
08/05/2021 - 17h40 - Atualizada em: 08/05/2021 - 18h08
Santa Catarina durante pandemia de Covid-19
Santa Catarina durante pandemia de Covid-19 (Foto: Luiz Carlos Souza)

Findo o período de vaivém na cadeira de governador, Santa Catarina tem pela primeira vez em dez meses a oportunidade de enfrentar a pandemia sem a sombra dos processos de impeachment. Mas, se alguém pensou que isso traria de volta a disposição de Carlos Moisés (PSL) para apertar as restrições, enganou-se.

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Fontes ouvidas pela coluna indicam que a tendência é que o Estado adote um modelo de enfrentamento, senão igual, ainda menos restritivo. Em entrevista à repórter da NSC TV, Ana Vaz, Moisés confirmou essa hipótese, ao dizer que não há "vontade" de aplicar medidas restritivas ou de "retornar" a regras do passado. O colega Raphael Faraco traz os detalhes em sua coluna

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Santa Catarina segue assolada pelo novo coronavírus. A exemplo do que havia ocorrido no fim do ano passado, o Estado perdeu, mais uma vez, a oportunidade de reduzir o impacto da pandemia de forma consistente nas últimas semanas.

Durante o período de cerca de um mês em que Daniela Reinehr ocupou o governo, o Estado, que experimentou uma melhora nos índices de contaminação e internações em março, estacionou em uma média de 20 mil casos ativos de Covid-19, como indica reportagem do colega Cristian Weiss, jornalista de dados e responsável pelo monitoramento da pandemia na NSC. O número de mortes e a demanda por UTI também segue estacionada em patamar alto, com fila de espera por leitos, desde 5 de abril.

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Carmen Zanotto, que ocupou a Secretaria de Saúde no período, manteve o conteúdo dos decretos mais recentes de Moisés e acrescentou novas liberações. Os números indicam que o afrouxamento de regras não foi reflexo de melhora efetiva nos indicadores.

Um levantamento do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea), órgão ligado ao Ministério da Economia, divulgado em abril, comprovou que Santa Catarina não reagiu proporcionalmente à chegada da segunda onda e ao aumento no número de óbitos. O Estado adotou muitas restrições com um número baixo de óbitos, e afastou medidas restritivas quando o sistema de saúde entrou em colapso.

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O autor desse estudo, pesquisador Rodrigo Fracalossi de Moraes, recomendou a Santa Catarina que adotasse um modelo mais eficiente de gestão da pandemia, como o que funciona em estados como Rio Grande do Sul, São Paulo ou Ceará, onde a classificação de risco de cada região impõe medidas mais ou menos restritivas, com prazo definido. A mudança aumentaria a força dos decretos estaduais, a regularidade e a coerência das ações de contenção da pandemia, de acordo com o número de casos e óbitos por Covid-19.

Ao dizer que não tem “vontade” de aplicar medidas restritivas, Moisés escolheu o caminho mais fácil e rápido para tranquilizar o setor econômico, afetado pela pandemia e pelo vaivém de restrições. Seria mais prudente, no entanto, que tivesse sinalizado para o aprimoramento da classificação de risco e para a previsibilidade das ações do governo.

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