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"Primeira providência do governador foi se afastar de Bolsonaro", diz Jorginho Mello (PL)

Senador é um dos nomes que pretende concorrer ao comando do Estado nas eleições de 2022

27/10/2021 - 06h05 - Atualizada em: 27/10/2021 - 10h52

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Por Jean Laurindo
Jorginho Mello é um dos nomes que já se apresenta como pré-candidato ao governo em 2022
Jorginho Mello é um dos nomes que já se apresenta como pré-candidato ao governo em 2022
(Foto: )

O senador Jorginho Mello (PL) disse que o afastamento do governador Carlos Moisés (sem partido) do presidente Jair Bolsonaro após a eleição de 2018 atrapalhou uma maior reciprocidade do governo federal nos últimos anos. Ele admitiu que “merecemos mais do que temos recebido” e diz que tem cobrado a gestão participação mais efetiva em obras de SC, como as rodovias BR-470 e BR-280.

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– O afastamento do governador quando se elegeu, do presidente Bolsonaro, atrapalhou muito isso. Outros governadores que tivemos estiveram próximos. Até o governador Colombo esteve próximo da presidente Dilma para evitar que Estado perdesse qualquer tipo de benefício. O governador atual, a primeira providência dele foi se afastar do presidente Bolsonaro, achando que ele se elegeu com os votos dele, e isso prejudicou – criticou.

Jorginho foi ouvido nesta quarta-feira (27) na série de entrevistas com pré-candidatos ao governo de Santa Catarina em 2022 promovida pelo Diário Catarinense e pela CBN Diário.

Jorginho Mello foi deputado estadual, federal e atualmente é senador. Apresenta-se há vários meses como pré-candidato ao governo, e pretende contar com o apoio do presidente Jair Bolsonaro (sem partido), de quem é forte defensor no Congresso.

Jorginho foi entrevistado pelos apresentadores Mário Motta e Eveline Pôncio e pelo apresentador da CBN Diário e colunista do NSC Total, Renato Igor.

Assista à entrevista

Apoio de Bolsonaro ajuda, mas “não é tudo”

Jorginho comentou sobre a possibilidade de SC ter vários candidatos bolsonaristas a governador em 2022. Ele destacou a popularidade do presidente no Estado, que chegou a dar 74% dos votos ao atual chefe do Executivo em 2018, e que isso atrai concorrentes.

– Por ser um estado muito bolsonarista, qualquer candidato gostaria de estar na aba dele (Bolsonaro), porque ajuda. Mas também isso não é tudo. Tem que ter passado, serviço prestado, projeto. Ser candidato por ser candidato não vale a pena. Tem que ter projeto construído – defendeu.

Defesa do governo federal

Como fez nos seis meses de CPI da Covid, Jorginho fez uma forte defesa do governo Bolsonaro e das ações na gestão da pandemia no país. Disse que o presidente “tem sido correto, salvou muitos empregos” e que fez “uma limpeza ética” nos ministérios.

Sobre as acusações apresentadas contra o governo na CPI da Covid, disse que “não foi gasto um real” nas negociações suspeitas apresentadas pelos senadores. Sustentou também que a CPI foi palco político para o senador Renan Calheiros (MDB-AL), a quem chamou novamente de “picareta”.

Gestão da pandemia

O senador também defendeu a gestão da pandemia conduzida pelo presidente Bolsonaro. Disse que o ex-ministro general Eduardo Pazuello foi nomeado para “arrumar coisas que estavam erradas em logística” e que pode ter faltado habilidade no trato e na prestação de contas em entrevistas.

– A vacina, quando a Anvisa aprovou, 16 dias depois o governo comprou, em fevereiro. (...) O presidente Bolsonaro tem o estilo dele. Não vou dizer se está perfeito ou não. Eu participei, ajudei. Se um de vocês fosse presidente poderia ter feito diferente, eu poderia ter feito diferente em alguns aspectos – afirmou.

Gasto em motociatas

Questionado sobre os gastos das motociatas de Bolsonaro em SC – somente a de Chapecó gastou R$ 347 mil, segundo levantamento do Tribunal de Contas da União (TCU) –, das quais Jorginho participou, disse que “outros presidentes também faziam”, citando caravanas que teriam sido feitas por Lula.

– Claro que tudo isso tem custo. Está sendo falado na vinda dele para o PL ou para o PP, de isso ser ressarcido, daquele fundo maldito, o fundo partidário – afirmou.

Ser ministro ou concorrer a governador?

Jorginho falou sobre a possibilidade comentada várias vezes durante o governo Bolsonaro de que ele assumisse um ministério, em áreas como Indústria e Comércio ou no Turismo. No entanto, disse que preferia ficar no Senado, e que não aceitaria o convite com a condição de ficar no governo depois de abril de 2022, quando precisaria deixar o posto se quisesse concorrer a governador em outubro. Destacou projetos como o Pronampe, uma de suas principais bandeiras, que concedeu crédito a micro e pequenos empresários durante a pandemia. Disse que Santa Catarina é um estado que “anda sozinho” e que “é só o governador não atrapalhar”.

– Quero ser animador, para ajudar a despontar a potencialidade que o Estado tem. Santa Catarina é diferente. É um estado vencedor, o último que entra em qualquer crise e o primeiro que sai – afirmou.

A série de entrevistas

As entrevistas com pré-candidatos a governador de Santa Catarina ocorrem nas próximas duas semanas, sempre às 10h, com transmissão da CBN Diário e dos canais digitais da rádio, do DC e do NSC Total. Oficialmente, a definição dos candidatos só ocorre nas convenções partidárias, três meses antes da eleição. No entanto, a série de entrevistas busca permitir que o eleitores comecem a se preparar para a escolha e a se conscientizar sobre a importância do voto.

Outros nomes apontados como pré-candidatos ao governo de SC em 2022 também já foram entrevistados, como Antídio Lunelli (MDB), Décio Lima (PT), Esperidião Amin (PP), Gean Loureiro (DEM), João Rodrigues (PSD), Fabrício Oliveira (Podemos) e Napoleão Bernardes (PSD).

A NSC também promove uma rodada de entrevistas com pré-candidatos à presidência da República em 2022. Já foram ouvidos nomes como Lula (PT), João Doria e Eduardo Leite (PSDB) e Luiz Henrique Mandetta (DEM).

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