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    Eleições 2020

    Construir UPAs e aumentar o repasse ao Santo Antônio: o que propõem os candidatos em Blumenau na saúde

    Na primeira reportagem da série sobre as propostas dos candidatos à prefeitura de Blumenau, o tema é saúde; confira o que dizem os prefeituráveis

    09/10/2020 - 15h51 - Atualizada em: 10/10/2020 - 09h51

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    Desafogar o pronto-socorro do Hospital Santo Antônio é objetivo comum entre os candidatos à prefeitura de Blumenau.
    Desafogar o pronto-socorro do Hospital Santo Antônio é objetivo comum entre os candidatos à prefeitura de Blumenau.
    (Foto: )

    Construir unidades de pronto atendimento (UPAs), desafogar o pronto-socorro dos hospitais Santo Antônio e Santa Isabel, e aumentar o repasse às unidades de saúde da cidade — seja pelo governo municipal, estadual ou federal. Essas são algumas das propostas dos candidatos à prefeitura de Blumenau nas Eleições 2020.

    Outras questões que envolvem os Ambulatórios Gerais (AGs) e até o Hospital Misericórdia, na Vila Itoupava, também foram abordadas pelos candidatos. O Santa entrevistou por telefone todos os 12 aspirantes à cadeira de prefeito de Blumenau, e publica até o fim da próxima semana uma série de reportagens sobre as propostas nas áreas da saúde, educação, lazer, economia e mobilidade urbana.

    O primeiro tema é saúde. As perguntas foram:

    1) No início deste ano, o Hospital Santo Antônio confirmou ter um prejuízo mensal de R$ 1 milhão, situação tratada dentro da unidade como “preocupante”. O que o(a) senhor(a) vai fazer para amenizar o déficit enfrentado por um dos principais hospitais do Vale do Itajaí?

    2) A estrutura do Hospital da Furb é subaproveitada? O senhor pretende, de alguma forma, utilizar o espaço tanto para a capacitação de estudantes quanto para ampliar o atendimento à comunidade?

    Confira o que disseram os candidatos a respeito dos questionamentos e as propostas de cada um deles. As respostas estão em ordem alfabética do nome dos candidatos.

    Ana Paula Lima (PT)

    1) O governo do Estado precisa aumentar o repasse para o Hospital Santo Antônio, porque ele não atende somente a população de Blumenau, ele é um hospital regional. E já que não temos um hospital regional aqui, o Estado tem como obrigação aumentar esse repasse. Temos de cobrar do governo de Santa Catarina essa pactuação, porque não é justo Blumenau arcar com essa despesa toda. Mas também dentro do orçamento da prefeitura nós vamos fazer o repasse, sim, até porque ele é mantido pela prefeitura de Blumenau.

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    2) No nosso plano de governo nós colocamos uma UPA (Unidade de Pronto Atendimento) 24 horas. Se houver espaço, até para não ter de fazer uma nova construção, e puder usar aquele espaço que está subaproveitado, seria interessante alocar a UPA ali, sim. Porque o Norte do município fica um pouco distante dos nossos hospitais, está crescendo muito e há uma necessidade urgente de fazer um atendimento naquela região, até para desafogar o pronto-socorro do Hospital Santa Isabel e Santo Antônio, que a gente sabe também que é um gargalo e tem um gasto muito grande.

    Débora Arenhart (Cidadania)

    1) O município de Blumenau tem uma arrecadação significativa. Muitos gastos são desnecessários, como com publicidade. Se for ver, os R$ 17 milhões gastos com publicidade dariam para resolver muita coisa nos nossos hospitais. Visitei o Hospital Misericórdia e eles precisariam de menos de R$ 1 milhão para melhorar uma ala e iriam colocar 800 cirurgias por mês, cirurgias eletivas, que não ficariam só concentradas no Santa Isabel e no Santo Antônio. Não é um dinheiro impossível de ser repassado, o município de Blumenau tem essa condição, nós temos esse dinheiro, eu tenho certeza. A saúde é uma prioridade do nosso grupo. Os hospitais não sofrerão mais.

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    2) O hospital da Furb é subutilizado, os nossos alunos e médicos estão lá. Conheço muitas pessoas que vão lá para fazer pequenos procedimentos, isso pode ser ampliado, a universidade tem essa condição de parceria. O hospital está num local excelente, que a gente pode drenar todo o fluxo. Está precisando melhorar um pouco os equipamentos, ter uma aparelhagem de raio-x e ultrassom, que isso também não muito dinheiro. Eu conheço, porque meu marido é professor de Medicina na Furb, e ele sempre vem me dizendo: 'os computadores são antigos, não estão interligados com o sistema público'. Está tudo sucateado lá, tudo parado.

    Geórgia Faust (PSOL)

    1) O PSOL como partido, nacionalmente, tem como prioridade o fortalecimento da saúde, então tudo o que diz respeito à saúde pública é prioridade para o partido e para o nosso plano de governo também. O Hospital Santo Antônio, por atender prioritariamente pacientes do SUS, também está na nossa lista de prioridades. Defendemos priorizar em todos os sentidos possíveis o atendimento do SUS em detrimento de convênios, o fortalecimento do SUS em detrimento das redes particulares. Fortalecer, ajudar, prestar assistência ao Hospital Santo Antônio, entram nessa pauta de fortalecimento da saúde pública.

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    2) Nós temos como prioridade o atendimento de saúde para a população mais vulnerável e o Hospital da Furb também entra nesse pacote. Tanto o hospital quanto o hospital veterinário precisam ser otimizados e mais bem utilizados para o atendimento da comunidade, tanto da comunidade humana quanto da comunidade animal. Temos esse entendimento de que, de fato, o Hospital da Furb é subutilizado e poderia ser mais bem também pela comunidade acadêmica, com os alunos de medicina, veterinária e das outras áreas da saúde tendo essa possibilidade de trabalho, de estágio e de aprendizado junto com a comunidade.

    Ivan Naatz (PL)

    1) Nossos hospitais recebem uma carga de serviço muito grande, atendendo cidades vizinhas. O que o governo federal repassa é insuficiente. Precisamos fazer as habilitações, principalmente do Santo Antônio, na radioterapia e quimioterapia, que o hospital faz e não é habilitado junto ao Ministério da Saúde, o que faz com que o HSA faça um serviço pelo qual ele não é remunerado. Isso vai permitir equilibrar as contas. É preciso também fortalecer o hospital da Vila Itoupava, para que algumas cirurgias eletivas possam ser retiradas do Santo Antônio para aproveitar espaços ociosos no Misericórdia.

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    2) Não sinto interesse da universidade em ser parceira desse projeto. Há uma resistência. A universidade tem um déficit muito grande na conta. Tenho uma proposta que é de transformar o Hospital da Furb em um centro de traumatologia de baixa complexidade. Por exemplo: alguém que caiu de moto, quebrou uma perna, quebrou um dedo. Isso auxiliaria a universidade a se especializar nessa área, para desafogar os hospitais Santo Antônio e Santa Isabel. Mas a universidade parece que tem muito interesse de criar uma referência, pelo que sinto.

    Jairo Santos (PRTB)

    1) Nós temos que buscar verbas junto aos governos federal e estadual, mas principalmente o federal, haja vista que eu sou do mesmo partido do vice-presidente da República e tenho fácil acesso com o general Mourão. Blumenau também pode fomentar essa verba, com a própria cidade dedicando um recurso maior ao Santo Antônio, buscando parcerias, tendo um contato muito próximo com a Câmara para que eles possam repassar parte das receitas que todos os anos sobra para o HSA. Mas não focar apenas no Santo Antônio. É desafogar a demanda, ampliando o AG da Velha e da Itoupava Central e buscando uma parceria, que será incansável no meu governo, junto com o Hospital da Furb.

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    2) É subaproveitado, sim. Se a gente for ali no loteamento do Piske e olhar por cima, que é uma visão quase que global, nem precisa de helicóptero, drone, nada, a gente consegue perceber claramente que não tem uma demanda para o tamanho físico, para a estrutura física que tem o hospital da Furb. E obviamente vamos buscar essa parceria, com uma equipe podendo trabalhar com os estudantes, não só de medicina, mas os de enfermagem, e trabalhar também com técnicos da enfermagem da nossa região. Nós podemos atender muito melhor principalmente a população da Região Norte, que está muito mais próxima dali, sem precisar cruzar a BR-470 para o atendimento.

    João Natel (PDT)

    1) A primeira questão importante seria junto com HSA ver a origem desse déficit. Nós já sabemos disso porque eu fiz parte, quando reitor, do conselho de administração do hospital. Basicamente 70% do que o pronto-socorro atende não são, de fato, emergências. É bem importante que a gente defina uma criação de rede de urgência e emergência em Blumenau nos AGs e adiantando a questão do hospital na região Norte para dividir essa sobrecarga, digamos assim. Então é o poder público atacar a razão do déficit e buscar um aumento do valor do custeio, porque de uma certa forma ele funciona como um hospital regional.

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    2) A região Norte de Blumenau é a que mais cresce. Quando a BR-470 estiver duplicada e a SC-108 também, vai acelerar muito a urbanização daquela área. A proposta que nós temos é a de construção de um hospital onde está o da Furb, vocacionando para atendimento de urgências e emergências, importante para desafogar os hospitais da cidade. Há um hiato em Blumenau na questão das cirurgias de média complexidade. Nesse hospital os cursos da Furb poderiam ter treinamento em urgência, emergência e neste tipo de cirurgia. Como é um hospital universitário, haveria uma gestão mista (para conseguir recursos).

    João Paulo Kleinübing (DEM)

    1) Parte da solução está no governo do Estado, na revisão do pagamento dos procedimentos, especialmente os de média complexidade. Com relação aos hospitais, é o tempo da gente discutir o pronto-atendimento junto com a emergência. Blumenau precisa ter dois centros de pronto-atendimento separados. Isso ajudaria a organizar o serviço. Poderíamos usar um na Região Central, e outro no Norte da cidade. Outra ação é usar as estruturas dos hospitais e gerar receita a um preço justo. Na pandemia, tivemos represamento de procedimentos que terão de ser feitos no ano que vem. Estendendo o horário de atendimento dos hospitais, no horário noturno, isso ajudaria a gerar receitas.

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    2) Aquela estrutura tem que ser o pronto-atendimento da região Norte, agregando serviço, atendendo 24 horas e organizando o serviço dos ambulatórios gerais. Entendo que essa é a primeira utilização, imediata, do hospital universitário da Furb, que está subutilizada e pode contribuir muito mais para a saúde do município. É viável, nós temos que repensar o funcionamento dos ambulatórios em função da baixa resolutividade que essas estruturas têm hoje. É rever qual o papel dos ambulatórios no sistema de saúde do município.

    Mário Hildebrandt (Podemos)

    1) No ano passado nós antecipamos o valor do extrateto, no início deste ano mais R$ 1 milhão, se não me falha a memória, e nós estamos aportando, anualmente, quase R$ 7 milhões para o Hospital Santo Antônio. Lembrando que a responsabilidade é do Estado e do governo federal, mas nem por isso a prefeitura deixou de apoiar os hospitais. Durante a pandemia fizemos uma série de ações, deixando de legado cinco leitos de UTI. Nós assumimos o compromisso ontem (quarta-feira,7 de outubro) de auxiliar nas obras de ampliação. O resumo é esse: ajudar o hospital a se vocacionar, discutindo uma política hospitalar para a cidade.

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    2) A política hospitalar é uma ação que depende mais da pactuação estadual e federal do que do município. Pode ter interesse, sim, mas isso só pode ser ampliado se houver homologação nos demais entes federados e aí precisa também entender qual é o objetivo do Hospital da Furb. Ele pode auxiliar na questão das pequenas cirurgias, por exemplo. Nós temos um desafio de demandas de retirada de próteses que a Furb poderia ceder esses espaços, mas depende mais da Furb do que de nós. Nós vamos aperfeiçoar os ambulatórios em algumas ações que são fundamentais nos primeiros atendimentos, com equipamentos de raio-x, por exemplo.

    Mário Kato (PCdoB)

    1) Compreendemos que um dos setores deficitários dentro do hospital é o pronto-socorro, um serviço essencial, mas que é um setor que muitas vezes é deficitário. Por isso que a grande ajuda que a prefeitura pode dar para questão do déficit é a a implantação de Unidades de Pronto-Atendimentos (UPAs), que diminuem bastante essa sobrecarga. A médio e longo prazos, precisamos construir o Hospital de Pronto-Socorro em Blumenau, em parceria com o Estado, para tirar essa demanda não só do HSA, como do Santa Isabel, deixando que eles façam melhor os atendimentos de alta complexidade, melhorando também as receitas.

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    2) Com certeza. É um hospital escola para uma universidade, para formação de acadêmicos e essencial para a comunidade. É uma estrutura que é subutilizada. Deveria ser ampliado o uso dela, e nós propomos nos moldes como em Porto Alegre onde o Hospital de Pronto-Socorro também tem serviços de ensino e atende a população em diversas patologias e em urgência e emergência. Pode ser um caminho para utilizar melhor o Hospital da Furb e, principalmente, com o financiamento do Estado, já que somos uma das únicas regiões de SC sem um hospital regional. Esse apoio do governo estadual é essencial para que façamos a assistência à saúde adequada.

    Odair Tramontin (Novo)

    1) A região de Blumenau é a única do Estado que não tem nenhum hospital público. Todas as outras têm. Os aportes de recursos do Estado são muito pequenos, um repasse de R$ 8 milhões por ano. Já para manter um hospital em Joinville, o aporte é de R$ 77 milhões. Temos que dialogar, mas de forma impositiva, para que o Estado aporte recursos que viabilizem os nossos hospitais locais, em especial o HSA, que tem uma característica regional. Blumenau é uma das cidades que mais gasta com saúde em SC, 30%, 32% (do orçamento), já Florianópolis só gasta 18%. É preciso que o Estado assuma a responsabilidade. Blumenau não pode pagar a conta sozinha.

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    2) O Hospital da Furb é um elefante branco que temos na cidade. O problema nosso não é espaço em Blumenau. Espaço físico é a coisa menos custosa na saúde. Temos uma capacidade hospitalar de extrema qualidade, com a melhor medicina de SC. O problema é ter dinheiro para manter estruturas. Não adianta construir prédios. A questão fundamental da saúde é colocar as unidades em funcionamento. Temos sete AGs. Nossa proposta é dotar essas unidades com equipamentos adequados, com ultrassom, raio-x. Não adianta abrir portas, se não dermos condições aos profissionais.

    Ricardo Alba (PSL)

    1) É fundamental que o município apoie mais o Santo Antônio, que o repasse mensal seja majorado, que o município pague dívidas que tem com o hospital. E que existam outros mecanismos, como as UPAs, para desafogar o atendimento. Todo tipo de atendimento, do mais simples ao mais complexo, acaba indo para o hospital, gerando filas, porque não tem uma triagem no pronto atendimento. A gente acompanhou cidades menores, a exemplo de Criciúma, que está construindo a segunda UPA. E recebe recurso federal para isso. Blumenau tem 370 mil habitantes e não tem nenhuma. Desde a unha encravada até o infarto o cidadão vai para o HSA. Então temos que desafogar esse atendimento, criando as UPAs.

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    2) Com certeza. É fundamental a parceria do hospital universitário com o poder público através de convênios. Isso acontece em vários municípios do Estado e Brasil afora. Se a gente chegar à prefeitura, nós vamos fortalecer a parceria entre a Secretaria de Saúde e o hospital universitário, fazendo atendimento, fazendo essa triagem que eu falei agora pouco, também para desafogar o Santo Antônio, e dando mais opção de atendimento para a população.

    Wanderlei Laureth (Avante)

    1) Nosso plano de governo na parte da saúde prevê a criação da urgência e emergência nos quatro cantos da cidade, e um no Centro que será pediátrico e para gestantes. Dessa forma, vamos conseguir tirar do Hospital Santo Antônio as filas que hoje existem. O HSA vai ficar 100% para traumas, acidentes com motos, nesse sentido. E atendendo, claro, as pessoas que vêm de cidades de fora. Queremos tirar do HSA as pessoas com dor no ombro, gripe, com a adequação de AGs e ampliação se assim for necessário. No nosso governo todos os AGs terão raio-x, ultrassom e salas para pequenas cirurgias. É preciso descentralizar urgência e emergência.

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    2) É outro ponto que está na nossa política: fazer parceria com a universidade, oferecendo bolsas de estudos, para que esse futuro profissional possa atender tanto nos postos de saúde quanto no Hospital da Furb durante a sua capacitação. Para isso, para melhorar esse atendimento à comunidade, precisaremos usar melhor o dinheiro que hoje é investido na saúde.

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