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Planos de governo

Metade dos candidatos a prefeito de Blumenau ignora a prevenção de desastres

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Por Evandro de Assis
19/10/2020 - 05h28 - Atualizada em: 20/10/2020 - 11h21
Deslizamento de terra no bairro Velha Central, em novembro de 2008
Deslizamento de terra no bairro Velha Central, em novembro de 2008 (Foto: Artur Moser, BD, 25/11/2008)

Seis dos 12 candidatos a prefeito de Blumenau nas Eleições 2020 deixaram de fora dos planos de governo ações de prevenção a desastres. Entre os que apresentaram propostas para a área, predominam discursos vagos, que dificultam o monitoramento por parte do cidadão.

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Tudo isso em uma cidade conhecida pela convivência acidentada com o clima. Raros são os governos municipais que passaram os quatro anos sem precisar lidar com enchentes ou enxurradas.

Geórgia Faust (PSOL), Ivan Naatz (PL), João Paulo Kleinübing (DEM), Mário Kato (PCdoB), Odair Tramontin (Novo) e Wanderlei Laureth (Avante) não citam o assunto nas propostas entregues à Justiça Eleitoral.

Ana Paula Lima (PT) fala em ampliar o número de estações do Ceops e aperfeiçoar a emissão de alertas antecipados. Sobre áreas de risco, promete evitar o crescimento delas e “viabilizar soluções”, sem detalhar quais seriam. 

Débora Arenhart (Cidadania) diz que pretende “identificar” áreas de risco e problemas pluviais, mas o município já dispõe de um mapeamento há anos. A candidata promete ajudar a cobrar a execução de um projeto estadual de prevenção a desastres.

João Natel (PDT) não reservou um capítulo específico para a Defesa Civil, mas propôs que o município custeie as estações de monitoramento do Ceops. Também prevê a criação de parques lineares em ribeirões, sem indicar quais, e que imóveis públicos sejam considerados para receber novas moradias à população vulnerável.

Mário Hildebrandt (Podemos) dedicou o maior espaço à Defesa Civil no plano de governo. No documento, promete um sistema de monitoramento dos ribeirões para prevenir enxurradas e a integração regional dos sistemas de alerta e mapeamento. A proposta inclui ações específicas para drenagem, incluindo a criação de uma taxa. No mais, fala em continuar obras em áreas suscetíveis a deslizamentos, sem citar quais.

Ricardo Alba (PSL) cita a criação de um programa para desocupar áreas de risco, mas não informa quais ações tomaria neste sentido. Ele promete melhorar a meteorologia e a comunicação de alertas, também sem fornecer objetivos concretos cujo cumprimento possa ser monitorado durante o eventual governo.

Jairo Santos (PRTB) propõe mapear áreas de risco (que já estão mapeadas) e aperfeiçoar a emissão de alertas. Também projeta maior fiscalização nos loteamentos irregulares, sem indicar soluções concretas para o problema da habitação. O texto fala em “construir meios de prevenção de cheias”. A imaginação do eleitor decide quais seriam.

Sônia Bridi

Como disse a jornalista Sônia Bridi, na live promovida pelo Santa na semana passada, é mais barato para a sociedade investir em moradias seguras do que reagir a tragédias. Um único evento drástico, como os deslizamentos de terra de 1990, no Garcia, ou os de 2008, em todo o Vale do Itajaí, põem a perder anos de investimentos em emprego, saúde, educação, mobilidade e segurança.

Blumenau não pode tratar como tema lateral.

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