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Sérgio da Costa Ramos

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Crônicas que traduzem os sentimentos do catarinense ao tratar da cultura e características de quem vive no Estado. Este espaço deixou de ser atualizado.

sergiodacostaramos@uol.com.br

Sérgio da Costa Ramos

Pesadelo real

Por Sérgio da Costa Ramos

23/01/2019 - 05h00

Durante meio século os políticos no exercício do poder ignoraram o Estado paralelo dependurado nas favelas ou instalado nos cárceres. Nas assembleias de 16 Estados o país descobre, de repente, um “falso banco” em vergonhosa operação: funcionários transferindo salários para os seus empregadores, valendo-se de um prodigioso “laranjal”...Ou seja: o crime organizado pelas próprias excelências, operando abertamente, dentro do mais representativo dos poderes do Estado.Para suprema vergonha do resto do país, transformaram as favelas em “atrações turísticas”, com visitas guiadas aos morros cariocas, “negociando” a devida permissão com os traficantes, os verdadeiros senhores daqueles domínios.Há anos correu o mundo um videoclipe do popstar Michael Jackson, dançando sob a guarda discreta dos narcotraficantes. Governos e bandidos compartilharam a “pax” criminosa – e todos esperavam viver felizes para sempre.O resultado foi a ausência do Estado em “territórios ocupados pelo tráfico” em quase todas as cidades brasileiras, aí incluídas as grandes e as de porte médio.°°°Hoje, diante do dantesco ataque de bandidos do Ceará a um dos seus Estados falidos, o Brasil reza para não se transformar num México, onde os cartéis da droga administram o “terror”, distribuindo cabeças cortadas pelas ruas e praças públicas.Presos em penitenciárias de “segurança máxima”, bandidos dirigem seu negócio intramuros e comandam rebeliões por conta da “insatisfação” dos chefões, confinados em celas monitoradas. Onde, apesar de um regime mais rigoroso, desfrutam de audiências invioláveis com advogados e regalam-se com as “visitas-íntimas” de suas mulheres.Que “segurança-máxima” é esta, que permite a bandidos uma privacidade só merecida por cidadãos ilibados no pleno gozo de seus direitos civis?°°°Enquanto não repensar a legislação absurdamente leniente com o crime, as cidades brasileiras estarão a mercê dos banditismos de vários matizes, a começar por aqueles infiltrados nas hostes dos próprios poderes do Estado.Massacrados pelos cobradores de impostos, escravizados por poderes perdulários – especialmente o Legislativo e o Judiciário, que gastam o que o país não tem – sapateados por bancos praticantes da agiotagem oficial, o que restará aos indefesos cidadãos deste pesadelo em forma de República aspirante a uma democracia saudável e honesta?

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Floripa derreteu

Por Sérgio da Costa Ramos

21/01/2019 - 05h00

Itaguaçu, 40 graus. Sensação de 50. Só para combinar com a nova temporada de escândalos entre políticos.

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Emanações vindas do mar

Por Sérgio da Costa Ramos

19/01/2019 - 08h00

Há certos aromas que provocam uma comichão de nostalgia. O cheiro de “mar”, por exemplo. Vinha da Baía Sul e do Miramar, subia a figueira e só se dissolvia lá pelo coreto do Jardim Oliveira Bello, já na ante-sala da Catedral. O odor que hoje emana de Floripa é o mesmo dióxido de carbono que se desprende de toda a cidade poluída, dominada pelos motores dos bichos sobre rodas. O cheiro de “bazar marinho” – como se estivéssemos comendo uma ostra pelo cheiro – esvaiu-se por algum desvão do tempo e nunca mais será sentido. °°° Levaram o nosso mar pra longe e, com ele, a identidade da cidade velha, perfeitamente “respirável”, entre a Conselheiro Mafra (antiga Rua do Príncipe) e a Felipe Schmidt – que um dia se chamou Moinhos de Vento. No coração da cidade, anos 1950, era possível sentir-se a maresia subindo a praça, como se as ostras da murada do Miramar quisessem se persignar diante da escultura da Madona e do Menino Jesus “fugindo do Egito” no lombo de um burro - emocionante altar da catedral. Com o Hotel La Porta, inaugurado em 1932, a cidade conheceu o seu primeiro elevador. E o primeiro “bar de hotel”, onde, por alguma licença da imaginação, poderíamos ter flagrado   um “vin d’honeur” entre o aviador romancista Saint-Exupéry e a atriz Ingrid Bergman -  talvez na pré-estreia de Casablanca,  ano de 1942. Dois anos depois, o aviador se despediria da vida, voando entre a Ilha de Malta e Marselha, na sua última missão sobre as águas do Mediterrâneo, em julho de 1944. E Ingrid Bergman deixaria de ser a “namoradinha do Mundo” para se transformar na “destruidora de lares” - e na glamurosa amante do invejado diretor Roberto Rosselini. °°° Começavam a surgir os primeiros prédios “altos” de Floripa. O do Ipase, em 1947. O do Hotel Lux, em 1951. O Palácio das Diretorias, em 1955. O Banco do Comércio, em 1959  - junto com outros dois hotéis, o Oscar e o Querência. Na Felipe Schmidt, florescia um modesto “Empire State” ilhéu, o “Edifício Zahia”... De todo esse nostálgico décor, restam as sobrancelhas do Cambirela e as cabeleiras louras dos garapuvus em flor. Resta, enfim, a comichão da nostalgia, em meio ao trânsito engarrafado e os “curativos”  aplicados à nossa velha senhora, a ponte Hercílio Luz.  

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Traduzir um extrato

Por Sérgio da Costa Ramos

18/01/2019 - 05h00

A maior parte dos correntistas têm dificuldade de entender os “enigmas” lançados nos seus extratos bancários.

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Castigado Brasil

Por Sérgio da Costa Ramos

16/01/2019 - 03h00

Colecionando trapalhadas, o governo inaugura um período de “graça”. Tem crédito eleitoral para errar – mas é uma conta amarga, com o taxímetro ligado.

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Atestado de beleza pura

Por Sérgio da Costa Ramos

15/01/2019 - 05h00

O tempo atmosférico tem sido o  “casamento de espanhol” – para rimar com “chuva e sol”. Mas ainda bem que existem as manhãs ensolaradas  para que nossa retina possa descansar das coisas feias produzidas pelo homem.Depois de testemunhar um amanhecer na Lagoa da Conceição, um vivente jamais será o mesmo. As águas, o verde, as dunas, as “donas”...A “epifania” da Lagoa da Conceição pode ter sido uma das primeiras imagens da Criação. Aquele exato momento em que o Senhor decidiu criar a luz para presidir o dia, separando o que era “Terra” e o que era “Água”.O olho do satélite enxerga nosso Estado como um triângulo  - o vértice no rio Peperiguaçu, fronteira com a Argentina, onde se desenvolveu  uma verdadeira “Califórnia agroindustrial”.A base fica na costa do Atlântico, onde se espreguiça aquela paisagem única, “assinada” pelo mais poderoso de todos os arquitetos. São nada menos que 500 quilômetros de milagres – a recortada costa catarinense, na forma de praias brancas, dunas, promontórios, enseadas, restingas e lagoas.Nesse buquê de beleza pura, em que convivem em harmonia o mar e a montanha, o litoral  catarinense é um colírio para os estetas. Do mar de Anita Garibaldi, em Laguna, a São Joaquim, estação “alpina” da Serra, uma estrada entalhada na rocha coleia por vertiginosos 12 quilômetros de ascensão, até chegar aos 1450 metros do Morro da Igreja.Haverá estrada mais bela do que a da Serra do Rio do Rastro, esculpida na rocha, subindo rumo aos altares mais sagrados? Daqueles cumes, com a mão longa do Criador e os olhos postos no “Sublime”, pode-se tocar as dunas do Rincão e da Laguna, juntando-se serra e mar numa só retina...°°°E há, claro, esta nossa “Ilha-Paradiso”. Que vale a construção de mil pontes como a Hercílio Luz - e que convida os seres humanos que a amam a beijar o regaço de suas 42 praias. Ainda mais belas sob a luz abrasiva do verão.Quem não gosta da Ilha de Santa Catarina – e da capital que ela hospeda – bom sujeito não é. É como aquele personagem do samba: ruim da cabeça ou doente do pé. Pior: é um ser humano que ainda não se inebriou daquele líquido que Shakespeare chamava de “o leite da bondade humana”.Quem não gosta da Ilha, não precisa se desculpar. Mas faça o sublime favor de passar férias onde não haja areias alvas e ocasos raros.

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O cômico e o trágico

Por Sérgio da Costa Ramos

14/01/2019 - 05h00

Um bom remédio para a alma brasileira é, quando possível, preferir o “cômico” ao “trágico”. Quando acontecem tragédias encomendadas pela incompetência das autoridades - como as que castigam o povo do Ceará - rir é uma receita temerária, pois o seu Estado bem pode ser a próxima vítima. Se, contudo, a escolha é possível, rir é o melhor remédio. O homem é o único animal que ri conscientemente. Essa mistura de espasmo com esgar hilariante é uma “punição” aos seus semelhantes que cometeram algum tipo de aberração social. Por exemplo: um político conhecido por seus “alcances”, vir à boca de cena declarar-se “a última reserva da moralidade pública”.“O riso – sustentou Henri Bergson, seu maior especialista – é uma espécie de “trote social”, sempre um tanto humilhante para aquele que venha a ser o seu objeto”.O  filósofo garante que o riso “castiga certos defeitos quase como a doença pune certos excessos”:- O riso nasce assim como uma espuma. Ele assinala, no exterior da vida social, as revoltas da superfície. É uma espuma salgada, mas faz muito bem para quem ri.Rir, no Brasil de hoje, é um ato de “legítima defesa” diante da corrupção compulsiva e da excessiva auto-estima das autoridades. Rir faz bem ao coração. Dar uma gostosa gargalhada equivale a tomar uma pílula de Isordil – e assim liberar os fluxos sanguíneos.Rir é tão bom que o escritor francês Jules Renard receitava o riso como “o principal tônico da alma”:- Estamos neste mundo para rir. No Purgatório (ou no Inferno) já não teria graça, pois estaríamos sofrendo. E no Paraíso, já não seria conveniente...°°°Rir, mais do que o melhor remédio, é no Brasil a única alternativa de vida inteligente. Nada é mais engraçado do que a propensão brasileira à auto-irrisão. Estamos para rir a qualquer momento. O problema é que, às vezes, os acontecimentos revelam logo o seu lado trágico, em detrimento do “cômico”.Tudo no Brasil parece piada pronta para o mundo rir. Pois rir continua sendo a melhor panacéia, a melhor droga restauradora da sanidade. Afinal, o riso é um atributo do homem. Dostoievski, o atormentado romancista russo, dizia ser possível classificar-se o homem pela sua risada:- Se nos for dado simpatizar com um homem por causa de sua risada, podemos garantir, tranqüilamente. que se trata de um homem bom...Gente boa, o brasileiro. Ri tão convulsivamente quanto, no Carnaval, faz roncar uma cuíca. De enfarte, não morreremos tão cedo. De riso, talvez. Leia outras crônicas

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Tempos de fake news: país gosta de acreditar em mentiras

Por Sérgio da Costa Ramos

12/01/2019 - 04h00

Em tempos de fake news, o país gosta de acreditar “nela”. Sabe-se que “ela” faz aniversário no dia primeiro de abril. Mas de onde será que vem essa tradição de se plantar pequenas e grandes mentiras no dia primeiro de abril? Será uma tradição essencialmente brasileira ou universal? Quem, lavrando em puro preconceito, achar que a homenagem nasceu por iniciativa de um político, o “rei” da peta e da mistificação, não estará muito longe da verdade.Foi o Rei francês Carlos IX quem determinou -  bem antes de Gregório XII, o Papa conhecido pelo seu calendário - que o ano de 1564 não começaria mais pelo mês de abril, como até então acontecia. “Abril” vem do Latim (aperire), abrir. Era o mês que inaugurava o ano – “abria”. A partir de Carlos IX, o primeiro do ano foi antecipado em três meses, passando a ser celebrado em janeiro. E o Réveillon de 1565 pela primeira vez “amanheceu” num dia diferente do primeiro de abril.Como seria óbvio, a mudança demorou algum tempo para ser “absorvida”. Muita gente ficou perturbada com a modificação desta data tão tradicional e continuou a cumprimentar os conhecidos e as outras pessoas no primeiro dia de abril, contando-lhes “boas novas”. Com o tempo, o primeiro de abril trocou o tradicional cumprimento de “Ano-Novo” por pilhérias, falsas notícias e presentes marotos. “Pregar uma peça” no primeiro dia de abril passou a ser uma diversão popular, um “passatempo”, uma verdadeira mania universal – ultimamente em franca decadência. Para conhecer melhor a “criatura”, fomos encontrá-la em sua luxuosa alcova, mal encoberta por véus sensuais - que insinuam suas formas, sem desnudá-la completamente.°°°- Você ainda mora em Brasília?- Claro. Sou “funcionária-fantasma” ali na Praça dos Três Poderes.- Você se sente admirada?- Infelizmente, não. Todos louvam a “Virtude” e me odeiam. Mas, no fundo, acendem velas pra ela, pensando em mim.- E os políticos, eles te amam?- Sou muito útil. Mas eles me usam e depois me jogam fora. Mentem pra mim. Pode? Mentem para a própria Mentira...-  E o que você diria da famosa frase de Bernard Shaw, “A Virtude não passa de uma tentação insuficiente”?-  É uma verdade.-  Diz aí uma grande mentira.-  Os governos sempre prometem “cortar gastos e zelar pelo dinheiro público”. Mas todos eles piscaram um olho pra mim. E a tal Lei de Responsabilidade Fiscal, ó...

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De outro planeta

Por Sérgio da Costa Ramos

11/01/2019 - 05h00

Em vida, Ernesto Meyer Filho costumava dar entrevistas relatando sua visita ao planeta Marte. Agora que as sondas tornaram a visita de robôs terrestres um hábito, não será difícil imaginar as reações do Galo Meyer, escrevendo de Marte, depois de testemunhar - por trás de um imaginário bambuzal - a chegada de uma nova sonda enviada da Terra.- Parece que os terráqueos estão chegando... Se a brasileirada chegar, isso aqui vai virar uma bagunça! Em seis meses vão fundar aqui um “Hotel-Resort” de luxo, só para os ladrões do erário!O grande pintor catarinense, mestre do surreal, o maior dos nossos autodidatas, viajava em vida para pintar seus galos cósmicos. Quando pendurou uma “Lua Vermelha” no ambiente dos seus galos siderais, poucos entenderam. Não era uma Lua. Era Marte.O “Picasso Sul-americano”, como ele mesmo se autodenominava, precisava dar asas à imaginação para se livrar de uma tortura profissional. Imaginem um caixa de banco sentindo o apelo da arte, a vontade de criar em plena hora do expediente. A “saída” era viajar...°°°Quem entrasse no Bar Topázio, “baixo” Bocaiúva, às margens do Campo da Liga, ou do nunca assaz lembrado Pasto do Bode, haveria de encontrar um avaiano apaixonado, óculos de grau, jeitão de professor Pardal, voz estridente, mãos marcadas pelo vitiligo e um cacoete oral que consistia em pontuar suas frases com um metálico e exclamativo “nééé, ô!” – como se fosse a interjeição de uma araponga. Livre das agruras da vida terrena, Galo Meyer teme a chegada do homem ao seu planeta de adoção.- Já imaginaram se a turma de Brasília resolve manter um “Anexo” aqui em Marte, só pra faturar mais um “auxílio-viagem”, uma “bolsa-cósmica”?Meyer mandou até um avigrama, Via Láctea:- Não tenho saudades do Planeta Terra. Humanos, só em breve visita. Desde que não sejam políticos, é claro – “nééé, ôôô?”

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