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    Oito dos 12 candidatos a prefeito de Blumenau prometem comprar vagas em creches privadas

    Na terceira reportagem da série sobre as propostas dos aspirantes à prefeitura, o tema é “educação”

    15/10/2020 - 06h56 - Atualizada em: 15/10/2020 - 07h59

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    Questão da fila por vaga em creches sempre é tema na disputa eleitoral.
    Questão da fila por vaga em creches sempre é tema na disputa eleitoral.
    (Foto: )

    Comprar vagas em creches e valorizar os professores, capacitando-os constantemente.

    Em linhas gerais, essas são as propostas em comum entre a maioria dos candidatos à prefeitura de Blumenau nas Eleições 2020. Com exceção dos partidos mais à esquerda do espectro político, a maior parte dos prefeituráveis promete que vai adquirir vagas na rede privada para resolver a fila de espera de crianças para os CEIs da cidade. Os demais, propõem irão ampliar estruturas e construir novas creches no município para amenizar o problema.

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    Na terceira reportagem da série com as propostas dos aspirantes ao cargo de prefeito de Blumenau, o tema é educação. Justamente no Dia do Professor — lembrado neste 15 de outubro —, você, leitor, vai conhecer o que os candidatos dizem a respeito do tema.

    O Santa perguntou:

    1) O resultado das escolas de Blumenau no Ideb piorou em 2019 em relação a 2017. Qual a proposta do(a) senhor(a) para melhorar esses índices novamente na cidade?

    2) Hoje há mais de 2 mil crianças na Fila Única por uma vaga em creches de Blumenau. Qual vai ser a estratégia do seu governo para diminuir o número de famílias que estão à espera?

    Confira o que eles disseram a respeito dos questionamentos e as propostas de cada um. As respostas estão em ordem alfabética do nome dos candidatos.

    Ana Paula Lima (PT)

    1) Acho que a escola precisa ser modernizada, precisa ter salas com ambiente virtual. Quando falo em ambiente virtual significa requalificar os espaços, investir em tecnologia aplicada ao ensino e aprendizagem. Os professores precisam ter capacitação permanente, precisam estar motivados para dar aula. Precisa ter escola em tempo integral em algumas regiões, onde isso é possível. Dessa forma nós podemos melhorar o nosso índice. Passa pela valorização dos professores e professoras, por uma escola bonita, limpa, que a criança e adolescente tenham vontade de participar.

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    2) Não é justo as mulheres não tenham pelo menos esse direito garantido, que é o de ter um local para deixar os seus filhos para que elas possam trabalhar. Uma marca prioritária do nosso governo é zerar as filas de creche, principalmente aumentando o número de unidades. A gente tem que ver qual bairro em que há mais necessidade e se for necessário também no horário noturno. Eu acho que tem que fazer planejamento para o futuro, porque a gente já sabe mais ou menos quantas crianças nascem por ano e quantas vão sair da creche quando completarem 5 anos. E eu quero em tempo integral, porque a maioria das mães trabalham oito horas por dia ou mais.

    Débora Arenhart (Cidadania)

    1) Não há educação sem professor. O professor está bem esquecido, bem abandonado. Greve de professor não pode acontecer, ele não tem que correr atrás dos seus direitos deixando de dar aula. Os professores têm que trabalhar seguros, com salário digno. Tenho certeza de que esse índice diminuiu justamente porque os professores passaram muito tempo em greve. Se fizerem um retrospecto de todas as aulas suspensas, os alunos não tiveram as matérias de forma continuada. Nossos alunos da escola pública não conseguem concorrer com os alunos da escola privada, por exemplo, quando vão fazer vestibular. Tem que ter uma atenção integral.

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    2) Como já lidei com creches nas ONGs, vou citar um exemplo bem pontual: nossa ONG reformou o CEI Santa Terezinha. Ele fica bem perto da Alberto Stein. Tenho certeza de que, se nós formos lá e olharmos, terá muitas salas ociosas. Muitas das escolas municipais têm CEIs próximos. Muitos desses CEIs têm salas que estão subutilizadas, fechadas porque chove dentro, sem condições. Vamos ter que repassar uma por uma, com coordenadores, associações de moradores, nos darmos as mãos, porque eu as conheço e sei que estão em condições precárias. Caso isso não resolva a demanda reprimida, num primeiro momento teríamos que encontrar creches privadas.

    Geórgia Faust (PSOL)

    1) Blumenau é uma cidade que deveria se envergonhar do salário que paga para os seus professores e para os funcionários da educação. Sou professora, sou pedagoga, já trabalhei no município e cansei de ver colegas preferindo trabalhar em outras cidades porque as prefeituras pagam melhor. Não se consegue ter uma educação de qualidade, atrair bons professores para as salas de aula, se não incentivá-los a buscar capacitação constante e se não remunerá-los de uma maneira decente. O salário dos professores hoje, é uma vergonha, é um absurdo e é inadmissível que todos os anos precise haver greve para a prefeitura começar a pensar na valorização deles.

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    2) A atual gestão alega que não vale a pena construir creches no município de Blumenau porque o número de crianças está diminuindo. Eles dizem que a cidade em poucos anos terá mais idosos e não crianças. Isso não é verdade, isso é uma fake news usada como desculpa para a não ampliação dos centros de educação infantil. Em vez de ficar pagando ONGs, nós queremos a construção de mais centros de educação infantil e a ampliação dos que tenha mais demanda, para atender essas crianças. Essa reorganização dos centros de educação infantil com a construção de novos CEIs e a ampliação do que já existem é fundamental para acabar com a fila

    Ivan Naatz (PL)

    1) Tratar bem o professor. Não tratar o servidor como inimigo, não tratá-lo como adversário, mostrar que a prefeitura é parceira, que está do lado, o protege. Dar a ele espaços adequados, não deixar chover dentro, não deixa banheiros sem portas, cuidar da merenda, fazer com que ele tenha prazer de lecionar. Temos que dar carinho ao professor e fortalecer o sonho da educação integral, que é um desafio que a cidade tem que enfrentar mais cedo ou mais tarde. No nosso Plano de Governo há um capítulo chamado “cidade da educação”, com foco principalmente na educação básica.

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    2) Vamos comprar vagas em creche. Governo não tem que construir creche, isso é um absurdo. Construir creche é gastar com estrutura, com prédio, com licitação, contratando servidor, criando despesa. Isso é um absurdo. Temos que comprar vagas em creche, criar uma indústria de valorização do empreendedor e dizer “olha, quero comprar suas vagas, então construa, faça, e eu pagarei por aluno”. A estrutura tem que ser privada.

    Jairo Santos (PRTB)

    1) Primeiro é não fechar escolas, igual o governo anterior, que fechou a Ella Schwanke. Nós vamos fazer o contrário, abrir escolas. Inclusive está no nosso plano de governo a abertura da primeira escola cívico militar municipal, que é possível através de convênio com o governo federal. Depois, a valorização dos professores. Os professores estão fazendo greve praticamente todo ano. Eles têm o plano de cargos, carreira e salários, mas são sempre tratados de forma eleitoreira. Quem tem interesse em eleição vai lá e faz mil promessas a eles, promessas que às vezes não serão cumpridas. Vamos trabalhar muito próximo aos professores, tentar adequar esse plano.

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    2) Vamos trabalhar com o pagamento das creches particulares. E isso não é ideia de ninguém que está participando da campanha para prefeito agora, é do ex-vereador Fabio Fiedler. Vamos pagar creche particular para que a gente consiga vagas em período integral, porque esse negócio de quatro horas é um engodo. Você não consegue empregar uma mãe, uma vaga de emprego, para quatro horas. Tem criança, inclusive, que consegue uma vaga de quatro horas em uma creche e outra vaga de quatro horas em outra. Está dentro da mesma rede, mas a mãe tem que sair voando do trabalho para pegar a criança numa creche e entregar em outra. E não deve funcionar dessa forma.

    João Natel (PDT)

    1) Para resolver não só os números do Ideb, que são importantes mas não excluem com todo o restante, é isso: criança na escola, escola adequada, professor motivado, turno e contraturno. A longo prazo a nossa ideia é usar dinheiro público para gratuidade na formação de professores. A contrapartida é esse aluno ter um estágio mais duradouro nas unidades educacionais. Outra coisa importante é o professor receber um adicional para ficar na mesma escola exclusivamente. Talvez o meu maior legado como prefeito, que eu gostaria de deixar, é esse conceito de ter criança e adolescente na escola.

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    2) Primeiro que esse número não é 2 mil. Se você for colocar no conceito de criança em tempo integral na creche, é outro gráfico. Bom, com o Fundeb finalmente vamos ter 6,25% de recurso para creche. Então vai ter dinheiro para fazer novas. Segundo: contratação de vagas de creches privadas. Não resolve o problema, mas para zerar a fila é uma estratégia. Terceiro: dar incentivos para fábricas ou empresas que queiram construir creches no seu próprio local. E outra: não planejar nada sem ter essa estrutura antes, para não repetir o que aconteceu no (conjunto habitacional do) Passo Manso, por exemplo.

    João Paulo Kleinübing (DEM)

    1) Ampliar o horário escolar e capacitar professores. Quando eu estava na prefeitura, tínhamos um programa que estendia o horário de sete escolas para a jornada de sete horas diárias, três vezes por semana. Temos que retomar isso. E ter um plano de quatro anos para que todas as escolas atendam em jornada integral pelo menos três vezes por semana. O outro ponto é a capacitação. Praticamente 40% dos professores do município são ACTs, o que reflete na nota do Ideb, que é a troca constante dos professores nas escolas. Você impede um programa pedagógico de longo prazo. É preciso realizar concurso, efetivar os professores e estimular a capacitação.

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    2) No curto prazo, parceria com a iniciativa privada. Essa é a melhor maneira de você resolver essa questão. As creches privadas do município inclusive sofreram bastante agora durante o processo da pandemia e podem oferecer essas vagas ao município. Outra questão importante para ser discutida é a questão da vaga integral. Alguns anos atrás, o município transformou as vagas integrais em meio período. Com isso, artificialmente aumentou o número de vagas, porém reduziu o atendimento. Então é preciso rediscutir o atendimento das vagas integrais, e essa é uma questão que é preciso tratar logo no início do governo.

    Mário Hildebrandt (Podemos)

    1) Já estamos trabalhando nisso. Apesar de que, se você olhar, nós estamos acima da meta. É um ponto que tem que ser destacado. Eu implementei algumas propostas em relação a isso. Primeiro: ensino de lógica na escola. Segundo: as escolas bilíngues. Terceiro: melhoria da estrutura das nossas escolas. Como é que você vai oferecer qualidade na educação se você tem dificuldade em oferecer estrutura física de qualidade? Nós temos que investir em estrutura física, equipamentos, material didático, na qualificação dos nossos professores e melhoria na nossa estrutura.

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    2) Temos um dos menores números de crianças na fila de espera dos últimos tempos. Já temos alguns projetos, como a compra de vagas de creches privadas, que só parou porque veio a pandemia. Já abrimos compra para novas vagas para o início do ano que vem. Quinhentas já estão em mapeamento. Além de cinco creches que vão ficar prontas até o início do ano que vem porque eu consegui municipalizar as obras e com essa perspectiva vou terminá-las. A fila chegou a ter mais de 5 mil crianças e hoje está com 2,2 mil. Uma das nossas obsessões para os próximos quatro anos é reduzir ou praticamente zerar essa fila.

    Mário Kato (PCdoB)

    1) A valorização do professor é primordial. Eles não são mais valorizados. 1/3 dos professores hoje são ACTs, profissionais temporários com um salário muito abaixo dos outros, sem plano de carreira e sem uma garantia de que continuará no próximo semestre ou no próximo ano. Se a educação é pública, o servidor deve ser público, deve ter concurso e estabilidade. Com isso ele vai ter uma carreira com os cursos de aprimoramento. O município também precisa garantir a infraestrutura das escolas. Hoje a prefeitura está jogando nas costas das AAPPs a responsabilidade de conseguir recursos públicos, isso é uma vergonha, quem tem que garantir isso é a prefeitura.

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    2) Precisamos entender que para ter mais vagas, tem que construir mais escolas, não é possível ter mais vagas sem construir escolas. Entre ter pontes e ter escolas, eu prefiro ter escolas. Quando uma sociedade discute se o importante é ter uma ponte aqui ou alí esquece de discutir a importância de ter escolas. A construção de novas escolas é essencial para que reduz a falta no número de vagas. Enquanto isso, emergencialmente temos que realocar essas crianças em espaços em parceria com a Secretaria de Estado da Educação e ver se eles não podem ceder em alguns períodos para tenhamos novas salas de aula.

    Odair Tramontin (Novo)

    1) Educação pública para mim é importante porque eu sou fruto dela. Blumenau gastou muito dinheiro com educação em 2019, R$ 347 milhões, e não se justifica essa diminuição dos índices que medem a qualidade do ensino. Precisamos modernizar a educação, trazê-la para o século 21. Temos que buscar ferramentas já utilizadas na rede privada de ensino, capacitar, aperfeiçoar os professores, para que as escolas utilizem a tecnologia como ferramenta de ensino. Nós não podemos em pleno século 21 dar aula com giz. Estamos ensinando crianças da Era da Tecnologia com ferramentas analógicas.

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    2) Nosso governo possivelmente não irá construir creches. Vamos comprar vagas na rede particular. O custo de uma vaga na rede pública, segundo dados apresentados pela Semed, é em torno de R$ 1,1 mil. Podemos comprar vagas de creches particulares por um valor de, aproximadamente, R$ 900. Ou seja, menor. Isso não é só resolver o problema no momento. O Novo pensa a longo prazo, e qualquer avaliação demográfica já percebe que daqui a 15, 20 anos, o número de crianças será proporcional ao de idosos. Não adianta construir creches, se daqui a anos ela vai ficar sem utilização.

    Ricardo Alba (PSL)

    1) Valorizar a educação, o professor, a estrutura educacional. Eu, enquanto vereador, fiz um projeto chamado Empresa Amiga da Escola, que trouxe parceria público-privada na reforma das estruturas educacionais. Foi um modelo copiado para toda região. Melhorar a estrutura física é fundamental, e também a estrutura dada ao professor. Isso envolve o melhoramento da hora-atividade, cursos, aperfeiçoamento. Toda a estrutura salarial tem que ser revista. Eu mesmo estudei em escola pública a vida inteira. Fui 10 anos professor ACT do Estado, meus pais são professores, então a gente vive a educação pública desde sempre.

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    2) Comprar vagas na iniciativa privada, mas comprar com vontade, não de forma tímida como a administração atual, que comprou cerca de 200 vagas. Tem 3 mil crianças, famílias aguardando vaga em creche. O poder público, novamente em parceria com a iniciativa privada, pode comprar essas vagas. E se não for suficiente, se a demanda for maior que a possibilidade de compra, aí sim é preciso a construção de novas unidades, creches, CEIs, em áreas de necessidade.

    Wanderlei Laureth (Avante)

    1) Temos uma proposta de um novo modelo de educação, com alguns pilares: escola no período integral; mudar as condições de trabalho dos professores — que hoje não conseguem dar aula, por faltam lápis, caneta, e não conseguem nem imprimir uma prova porque acaba a tinta; vamos qualificar os professores, dar salas adequadas; diminuir a carga horária de trabalho do professor, sem diminuir salário.

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    2) Temos que cumprir os prazos das sete creches que estão em construção e que já eram para ter sido entregues. Sou totalmente contra a compra de vagas em creches privadas. Primeiro pelo custo, que é quase o dobro de uma criança na creche pública. Temos que terminar as que estão em obras, adequar as que existem, e construir mais. Temos também um projeto para que empresas com mais de 50 funcionários deem um espaço para que a prefeitura ofereça a mão de obra para os filhos dos próprios funcionários.

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